Mesmo após perder dois filhos e enfrentar um câncer agressivo, Liz nunca deixou de acreditar na maternidade. Criada entre dores e provações, ela transformou a fé em força e hoje inspira outras mulheres com sua história de recomeços.Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta segunda-feira, 16 de junho.
Deus escolhe a gente antes mesmo da gente existir. E é por isso que eu sei: nada do que vivi foi por acaso. Hoje, eu abro meu coração pra contar uma história que começa na dor, mas termina em fé.
Logo que eu nasci, já enfrentei a minha primeira grande luta. Tive uma infecção urinária que foi piorando até virar uma sepse e, depois, uma infecção generalizada. Os médicos chegaram a dizer que eu não ia sobreviver, mas meu pai não aceitou de jeito nenhum. Ele teve fé e acreditou que Deus faria um milagre. Pra você ter ideia, eu estava em um hospital católico e, quando o padre veio até a incubadora para fazer a extrema-unção, meu pai não permitiu. Ele assinou um termo de responsabilidade e decidiu me tirar de lá.
Sim... mesmo sabendo do risco de vida, ele me pegou nos braços e acreditou que eu ia sobreviver. No mesmo dia, conseguimos uma carona e fomos para o Rio Grande do Sul, onde nossa família morava e onde já tinha um leito reservado me esperando. E foi ali que o milagre aconteceu. Assim que fui internada, meu quadro começou a melhorar e, depois de cinco meses no hospital, me recuperei e tive alta. Foi a primeira vez que eu venci a morte.
Da infância marcada pela dor ao primeiro milagre da maternidade
Cresci e, ainda na adolescência, tive que amadurecer na marra. Em casa, a situação era muito difícil. Meu pai tinha problemas com alcoolismo, minha mãe enfrentava uma depressão profunda e, pra piorar, nesse meio tempo, sofri uma violência cometida por um amigo bem próximo da família. Aquilo me marcou demais, mas guardei tudo só pra mim e, por muito tempo, nem conseguia falar ou pedir ajuda. Aos 14 anos, tomei a decisão de sair de casa. Era o que eu precisava pra tentar seguir em frente. Fui morar com uma amiga, mas continuei estudando e, com muito esforço, consegui um estágio. Não foi fácil, mas me virei. Com o pouco que ganhava, passei a morar sozinha e a pagar meu próprio aluguel. A partir dali, a vida me ensinou a ser forte.
Aos 18 anos, descobri que tinha infertilidade. Ser diagnosticada como uma mulher infértil me machucou demais. Durante muitos anos isso pesou no meu peito, mas eu tinha fé... lá no fundo, acreditava que Deus ainda ia me dar a chance de ser mãe, mesmo com a medicina dizendo que era impossível.
Aos 24 anos, me casei pela primeira vez. E foi aí que o milagre aconteceu: contrariando todos os laudos, tive o meu primeiro positivo! Meu filho, Nathan, veio. Mas ele nasceu prematuro, com só 34 semanas, e, com menos de 24 horas de vida, partiu. Foi devastador! Tinha feito tudo certo: me alimentei bem, não perdi uma consulta de pré-natal, fui acompanhada direitinho. E, de repente… tudo acabou. Você sabe o que é ter tudo pronto e, do nada, não ter mais seu filho nos braços? Foram meses sentindo ele dentro de mim. E ele simplesmente foi... foi embora. Foi uma dor que não dá pra explicar. Pra mim, pro meu marido, pra todo mundo que já amava aquele bebê. Mas, no final, agradeci a Deus porque, mesmo por pouco tempo, Ele me permitiu viver a experiência de ser mãe.
A perda do meu filho foi tão difícil que meu casamento não conseguiu mais ser o mesmo. A dor acabou afastando a gente e, depois de quatro anos juntos, nos separamos. Segui minha vida, tinha que seguir... fui cuidar de mim, estudar, crescer. Não foi fácil, mas eu fui.
Um amor improvável
Alguns anos depois, conheci um rapaz através de amigos em comum. Nessa época, eu morava no Rio Grande do Sul e ele em Minas Gerais. Sendo bem sincera, eu não queria saber de relacionamento. Meu foco era outro: estudos, trabalho. Namorar era a última coisa que passava pela minha cabeça, mas ele foi insistente. Pegou meu e-mail e me escreveu. E foi assim, de uma forma inesperada, que nossa história começou. Ficamos conversando por e-mail durante um bom tempo até que, um dia, ele me ligou e me fez uma proposta:
– Liz, e se a gente fizesse uma viagem pra se conhecer melhor?
– Sério? Mas não vai ser estranho... a gente mal se conhece!
– Não! Eu sinto que vai ser ótimo. Você gosta de praia?
– Gosto... mas eu moro no Sul, você em Minas... onde a gente poderia ir?
– Rio de Janeiro! O que você acha? Vamos?
Organizamos essa viagem assim, meio na loucura, e, com a cara e a coragem, eu fui. Nos encontramos lá e foram cinco dias maravilhosos. Nos conhecemos, conversamos, falamos sobre tudo, curtimos muito mesmo. O tempo voou. Eu confesso: não queria mais ir embora! A gente realmente se conectou demais e, mesmo em tão pouco tempo, eu já sentia que ele me conhecia como ninguém. Foi triste dizer tchau no aeroporto, mas quando eu já estava embarcando de volta para casa, ele me ligou.
– Eu sei que a gente falou sobre isso, mas eu não consigo, Liz. Não consigo ter um relacionamento à distância. Não dá.
– Ah... Entendo. Tudo bem, então. Foi bom te conhecer e... bom, tchau, então.
– Não! Calma! Não desliga.
– Eu já entendi. Cada um segue sua vida. Tranquilo.
– Você não entendeu, não. Liz, eu quero me casar com você. Você aceita se casar comigo?
O mundo parou. Por alguns segundos, eu não acreditei no que estava ouvindo. Ele tava mesmo me pedindo em casamento? A gente mal se conhecia! Era uma loucura!!! Mas loucura maior foi que eu aceitei. É... eu disse sim! Com muito medo e frio na barriga, mas disse SIM! Aqueles poucos dias foram suficientes pra eu querer estar com ele pra sempre. Em uma semana, ele foi me buscar no Sul e fomos morar em Minas Gerais. Lá, nos casamos no cartório, tudo certinho.
Perdas devastadoras e a força que só a fé sustenta
Nosso casamento era simples, mas cheio de aventuras. Ele era militar, e por isso a gente vivia se mudando, acompanhando as missões que ele recebia. Mesmo com todas as mudanças, eu sempre me adaptava. Nós dois tínhamos muita vontade de ter um filho, mas não foi nada fácil. Só depois de cinco anos e muitas tentativas, tive meus primeiros dois positivos, mas, infelizmente, perdi os dois bebês. Isso me deixava mal, insegura, e eu tinha medo do futuro, medo de a gente não ser abençoado com o que mais queríamos. Mesmo com todo esse sofrimento, não desistíamos. É claro que tudo isso mexeu com nosso emocional e abalou o casamento em vários momentos, mas a gente se amava demais e tentava se manter firme.
Depois de um ano, meu milagre chegou. Tive o tão sonhado positivo outra vez e, para mim, foi um presente dos céus. A gestação foi muito tranquila e leve, e, depois de 42 semanas de espera, a Natália nasceu... perfeita, iluminada, linda e abençoada por Deus.
Antes mesmo de ela nascer, nossa família já era envolvida com projetos sociais e, desde pequena, a Natália passou a nos acompanhar nessas missões. Foi em uma dessas viagens que minha vida mudou para sempre. Estávamos indo para um evento e chovia muito naquele dia. Cheguei a procurar um lugar para parar o carro, mas antes que eu conseguisse fazer qualquer coisa, duas carretas vieram na direção contrária e jogaram muita água no meu para-brisa. Reduzi a velocidade, mas acabei perdendo totalmente o controle do carro e... foi tudo tão rápido. O carro atravessou a pista e entrou entre duas árvores... e aí o mundo parou! O barulho, o impacto, a água caindo. Meu coração estava disparado e tudo o que eu conseguia pensar era na minha filha. A Natália, como sempre, estava na cadeirinha, mas... nem isso foi o suficiente. Uma das árvores atingiu em cheio o carro e depois a cabecinha dela. E ela... sofreu traumatismo craniano.
Ainda consegui tirar minha filha do carro com vida, mas ali mesmo, diante dos meus olhos, nos meus braços, vi... com uma dor impossível de descrever, que ela estava partindo. Corri para a pista, gritei, pedi socorro... não lembro de muita coisa. Só lembro que caí de joelhos naquela estrada, olhei para o céu e agradeci a Deus pelos três anos mais felizes da minha vida. Por ter conhecido o amor mais puro que existe, por ter vivido a maternidade de verdade. Por ter podido amamentar, dar banho, escolher as roupinhas, beijar, abraçar... E, desde então, tudo o que eu sinto é FALTA... falta dela, claro. Mas também falta de tudo que a gente deixou de viver juntas.
A cura impossível, os milagres e o propósito de recomeçar
Depois da morte da minha filha, meu casamento entrou em crise. A dor era insuportável para nós dois. Cada um tentava sobreviver do seu jeito, mas acabamos nos afastando. Mas, apesar de tudo, uma coisa é certa: a vontade de Deus é sempre boa e perfeita. Eu não fazia ideia, mas dias antes do acidente, eu tinha engravidado de novo. Só fui descobrir três meses depois, quando sonhei com a Natália me dizendo que eu ia ter um bebê. Acordei tão impactada que fui logo fazer um exame e, para minha surpresa... positivo!
Claro que foi uma gravidez muito difícil, e minha filha, Luísa, nasceu prematura, mas graças a Deus veio cheia de saúde. A chegada dela foi como um bálsamo para a nossa vida e um motivo para continuar seguindo em frente. A Luísa, inclusive, fez com que o meu casamento melhorasse. Quando ela tinha um aninho, descobri que estava grávida de novo, dessa vez da Laura.
A vida foi muito difícil para mim nesse sentido. Tive aborto espontâneo, perdi um filho recém-nascido, perdi uma filha com três aninhos, mas Deus também me deu dois milagres e me mostrou que a dor não é o fim, que o amor renasce e que a vida continua... mesmo que com marcas. Até que, depois de seis anos, a minha fé foi provada outra vez.
– Liz, eu sei que a gente venceu muita coisa juntos, mas eu... eu não quero mais.
– Como assim “não quero mais”? Não quer mais o quê?
– Eu... eu quero me divorciar. Eu sempre vou cuidar das meninas, nunca vou deixar faltar nada. Mas pra gente não dá... não dá mais.
Ele falou que ia mudar de país e pronto. Simples assim. Como se não fosse o bastante, na mesma época fui para o hospital com muitas dores e descobri que tinha um câncer de mama agressivo. Era tão grave, tão sério, que em 14 dias eu já estava fazendo minha primeira sessão de quimioterapia. Deus do céu... como foi difícil. Foram cinco meses de tratamento e, no dia em que voltei da minha cirurgia, recebi o pedido oficial de divórcio.
Perdi os meus cabelos e tive que me cuidar, ser forte, ter esperança, não desanimar e, ao mesmo tempo, cuidar de duas crianças. Foram 32 sessões de quimioterapia, 25 de radioterapia, duas cirurgias e, mesmo assim, em nenhum momento duvidei da presença de Deus. Pelo contrário. Me aproximei ainda mais d'Ele e acreditei que Ele não me abandonaria.
Foi aí que o extraordinário aconteceu. Esse milagre se manifestou quando eu estava no hospital, durante minha segunda internação. Eu estava com uma hemorragia que nada resolvia, mas senti um chamado no coração. Mesmo com muito sangramento, falei pro médico que precisava ir até a igreja. Fui de fralda mesmo, mas fui. Sentia que tinha que ir. E naquele culto... naquele dia... um homem começou a pregar e veio a palavra:
"Deus está curando o câncer hoje. Atrás de vocês há um anjo com bisturi. O câncer vai desaparecer."
Era isso: Deus realmente estava falando comigo. Saí dali com a certeza de que tinha sido curada. Na semana seguinte, refiz os exames e o resultado veio: remissão da doença. Deus me curou! Ele foi onde a medicina não podia ir. E Ele continua vivo e operando milagres! Eu, minhas filhas, nós somos a prova viva disso!
Hoje uso a minha história para ajudar outras famílias. Foi assim que consegui vencer tudo que passei: ajudando outras pessoas que estão passando o mesmo que eu. A Luísa está com 9 anos e a Laura com 8!
Minhas filhas, vocês são, com certeza, o maior presente de Deus na minha vida. Tudo faz sentido quando olho para vocês. Todos os desafios que enfrentei até hoje ficam pequenos diante da bênção que é ter vocês. Nós somos a prova viva de que Deus realiza o extraordinário quando nos entregamos a Ele.
*Texto gerado por Inteligência Artificial e revisado pela redação de Band.com.br.
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