Jornal da Band

Cedae investiu R$ 90 mi no banco de Edir Macedo mesmo com alertas de risco

Documentos revelam aportes da estatal fluminense no Digimais em 2024; ex-diretor indicado por Cláudio Castro autorizou operações

ÁDISON RAMOS

10/06/2026 • 01:24 • Atualizado em 10/06/2026 • 01:24

Documentos obtidos pelo Jornal da Band revelam que a Cedae, empresa estadual de saneamento do Rio de Janeiro, fez investimentos de cerca de R$ 90 milhões no Digimais , banco ligado ao bispo Edir Macedo, mesmo diante de alertas sobre os riscos da operação.

As aplicações foram autorizadas pelo então diretor financeiro da companhia, Antônio Carlos dos Santos, ex-chefe de gabinete do governador Cláudio Castro (PL) e indicado ao cargo pelo próprio político.

Os aportes foram feitos em duas etapas, ambas no ano passado. Em junho, a Cedae aplicou R$ 50 milhões no Digimais, com prazo de resgate de 180 dias. Em agosto, voltou a investir no banco: mais R$ 40 milhões, desta vez com prazo de um ano para o resgate.

Desde então, a situação financeira do Digimais se agravou. Mesmo assim, no início deste ano, membros da diretoria da Cedae continuavam recomendando novos investimentos na instituição.

As operações só foram possíveis por causa de uma mudança na política de investimentos da companhia, aprovada em 2023, que flexibilizou os critérios de risco. A mesma alteração abriu caminho para o investimento de mais de R$ 200 milhões no banco Master , valor atualmente considerado perdido.

Em março deste ano, restavam cerca de R$ 40 milhões da Cedae aplicados no Digimais. No mesmo mês, a agência de avaliação de risco Fitch Ratings enquadrou o banco no grau especulativo. Dois meses depois, foi a Moody's que rebaixou a nota da instituição, considerando risco de calote. A Polícia Federal investiga o Digimais sob suspeita de fraudes contábeis .

A atual gestão da Cedae informou que as aplicações no banco vencem no dia 24 de junho e não serão renovadas . Segundo a companhia, o valor está coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e será realocado em instituições mais sólidas. No mês passado, a Cedae também mudou sua política de aplicações financeiras para reduzir riscos e afirmou já ter recuperado R$ 50 milhões.

Em nota, Antônio Carlos dos Santos afirmou que os investimentos no Digimais obedeceram todos os ritos internos, resultaram em elevada rentabilidade e que nunca houve qualquer prejuízo para a Cedae. O Digimais não respondeu aos pedidos de contato, e o ex-governador Cláudio Castro não retornou às solicitações de esclarecimento.

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