Band FM

Ela sobreviveu a traições, ameaças e agressões

Durante anos, Natália acreditou que o amor era dor... Até descobrir que amar também é ser livre; leia no Quem Ama Não Esquece desta quarta-feira (11)

Da Redação*

DA REDAÇÃO*

11/06/2025 • 14:14 • Atualizado em 11/06/2025 • 14:14

Natália passou anos mergulhada em um relacionamento abusivo, tentando salvar alguém que não queria ser salvo. Traições, violência e ameaças marcaram sua história com Danilo. Até que, depois de um episódio traumático, ela escolheu salvar a si mesma. A decisão de se libertar abriu caminho para um recomeço surpreendente, onde ela finalmente descobriu o verdadeiro significado do amor. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta quarta-feira, 11 de junho.

Durante muito tempo, eu achei que amar era isso mesmo: engolir seco, aceitar o inaceitável, fingir que certas coisas não doem. Mas eu só entendi o que era felicidade de verdade no dia em que parei de tentar salvar um relacionamento e comecei a me salvar.

Entre promessas e desculpas, o ciclo da dor

Eu conheci o Danilo ainda na escola. A gente era amigo, daqueles que estão sempre juntos. Até que a nossa relação se transformou e virou um namoro. Ele era bonito, tinha aqueles olhos verdes, falava bem, tinha postura... E eu, boba, achei que isso era o suficiente.

Só que não demorou para a máscara cair. E mesmo vendo os sinais, eu me recusava a acreditar.

Logo no começo do nosso namoro, o Danilo me traiu com a ex. Eu fiquei arrasada, mas eu perdoei.

Perdoei porque ele jurou que ia mudar, que aquilo não podia acabar com o que a gente tava construindo. E eu, imatura e apaixonada, acreditei. Eu achava que aquele era só um tropeço...

Mal sabia eu que era só o primeiro de muitos.

Depois da traição, ele começou a me tratar melhor. Me levava para sair, passava mais tempo comigo, fazia questão de me fazer sentir importante e segura ao lado dele. A gente tava sempre junto e, por um tempo, eu achei que aquilo fosse um recomeço, mas quando nosso relacionamento parecia, enfim, estar se estabilizando, ele começou a mudar.

O Danilo ficou agressivo. Não fisicamente, mas com as palavras. Ele me xingava com todos os nomes possíveis, gritava, me humilhava, me diminuía e eu... eu sequer retrucava. Eu só abaixava a cabeça e ficava em silêncio.

Afinal, que relacionamento não tem briga? Todo casal discute... Era isso que eu repetia para mim mesma, dia após dia. E assim, eu continuei lutando para ficar com ele.

A mulher que amava e bancava tudo sozinha

Alguns meses depois, a gente resolveu morar junto. E não só isso. Nós passamos a trabalhar juntos também. Então a gente vivia grudado, dia e noite.

Nessa época nós mudamos de estado com a esperança de ter uma vida melhor, mas até hoje eu não sei se foi uma boa decisão porque logo depois que nós nos mudamos, o Danilo piorou.

Ao invés de chegar e agarrar as oportunidades que estavam aparecendo, o meu marido se acomodou. Ele simplesmente não quis mais trabalhar. E olha que eu tentei! Consegui um monte de chance com empresas boas, mas ele não tava nem aí e não se esforçava para nada.

Sempre inventava uma desculpa nova: dor, ansiedade e ainda conseguia atestado médico para justificar as faltas dele no serviço.

A situação só piorou quando ele começou a andar com certos “amigos”. Gente que não somava em nada e só influenciava pro lado errado. Foi aí que a bebida entrou com força na nossa vida.

Ou melhor, na dele.

— Você fica aí reclamando, mas podia muito bem ir beber com a gente, ué.

— Danilo, eu tô preocupada com você. Esses seus "amigos" só te levam pro caminho errado. Você tá se afastando da gente... de mim!

— Você não entende nada! Eu bebo por diversão. E se tem alguém que tá se afastando, essa pessoa é você. Vem comigo, Natália...

— Danilo, me escuta. Nem trabalhar você quer mais. Para de andar com essa gente. Isso tá te fazendo mal. A gente veio pra cá pra mudar de vida, não para se afundar nela.

— Você nem sabe do que você tá falando. Que chatice.

Eu amava muito o Danilo, mas entre trabalhar e sair para beber, eu sempre escolhia trabalhar. Até porque, quem ia pagar as contas?

O Danilo, a cada dia, se transformava. Ele ficou mais agressivo e as palavras viraram empurrões, tapas e ameaças. Tinha dia que ele chegava em casa transtornado e vinha direto para cima de mim.

Como sempre, eu relevei. Até que um dia, eu não aguentei mais e denunciei na delegacia.

Mas... mas mesmo assim, eu escolhi continuar com ele porque, no fundo, eu acreditava que ele ainda tinha jeito. Eu fui criada ouvindo que namoro era para casar, e que casamento era para a vida toda. Então eu me agarrei a isso com todas as forças, mesmo quando os meus dias perto dele eram insuportáveis.

— Natália, olha quem chegou! O amor da sua vida!

— De novo, Danilo? Eu não aguento mais você nessa vida gastando o meu dinheiro com bebida. Você não tem um pingo de vergonha na cara, né?

— Eu bebo para aguentar você. Sabe qual é a minha vontade? Eu tenho vontade de te matar enquanto você estiver dormindo, matar o cachorro e depois...

— Depois o quê, Danilo? Para com isso. Para de falar essas coisas!

— Depois... eu me mato também. É, é isso. Eu acabo com tudo.

O mais difícil para mim era saber que, sem a bebida, o Danilo ainda era um bom homem. Ele sabia ser carinhoso, às vezes me fazia rir... e, de alguma forma, tentava me agradar. Mas bastava começar a beber para ele virar outra pessoa. Era como se um demônio tomasse conta dele e aí tudo se repetia, sempre igual: as mesmas conversas doentes, as mesmas ameaças...

Enquanto eu saía pra trabalhar todo dia às 4h30 da manhã, de domingo a domingo, ele chegava do bar, acabado, fedido, cambaleando… e sem nenhuma perspectiva. Nem pra ele, nem pra nós dois.

Quando o perigo mora dentro de casa

Quando o Danilo se entregou de vez para o vício, as traições começaram a aparecer. E a pior de todas, eu peguei dentro da minha própria casa. Dói. Toda traição dói. Eu me sentia um lixo, invisível, um nada, mas ele vinha, com aquele mesmo discurso de sempre, chorava, pedia desculpa, dizia que ia mudar. E eu queria tanto acreditar, que eu continuava ali, lutando por nós dois.

Eu nunca tive muito apoio da minha família. Eles nunca gostaram do Danilo, e com razão. O jeito autoritário, a irresponsabilidade... tudo nele incomodava desde o começo. A verdade é que eles viam o que eu me recusava a enxergar: que só eu trabalhava, só eu sustentava tudo. Inclusive os luxos dele. Era eu quem pagava o aluguel, água, luz, comida. E, no fim das contas, ainda era eu quem bancava o vício dele. O mesmo vício que destruía o pouco que ainda existia entre nós.

"A minha casa virou um campo de guerra. Um inferno. E eu morava dentro dele."

Um dia, as ameaças deixaram de ser só palavras e viraram realidade.No dia do meu aniversário, o Danilo bebeu, bebeu, bebeu e ainda misturou o álcool com quatro cartelas de remédio. Ele ficou transtornado e, quando já era de madrugada, ele começou a gritar, me xingar, dizer que eu não prestava e que eu era culpada de tudo. E que... que naquela noite, ele ia me mostrar do que era capaz.

Foi aí que, meu Deus do céu, foi aí que ele pegou uma lâmina de barbear e ameaçou passar no pescoço dele. Eu pulei da cama, desesperada, tentando impedir, mas ele me deu um empurrão tão forte que eu caí e bati a cabeça.

Quando eu ainda tava ali, no chão, zonza, ele olhou no fundo dos meus olhos e começou a se cortar.

O sangue jorrava, era sangue pra tudo o que é lado. Eu, ainda tonta, levantei e fui prestar os primeiros socorros porque, graças a Deus, eu já tinha feito um curso e sabia o que fazer.

Eu estanquei o sangue e o Danilo desabou no chão. Enquanto isso, eu já corri para ligar para o SAMU. Eu nunca... nunca senti tanto medo na minha vida.

Na hora em que atenderam a ligação, eu nem conseguia respirar, mas eu expliquei tudo o que tinha acontecido. Foram momentos de puro terror.

E assim... assim que eles chegaram na minha casa, o Danilo, ainda fora de si, passou a faca de novo no pescoço. O policial viu toda a cena.

O SAMU levou ele para o hospital e ele teve que passar por uma cirurgia de emergência. O corte tinha 10 centímetros e ele levou 21 pontos.Segundo os médicos, ele só sobreviveu porque eu consegui estancar o sangue a tempo.

Depois daquela madrugada, alguma coisa em mim se quebrou de vez. Era como se todo o amor, toda a esperança, toda aquela vontade de fazer dar certo… tivesse morrido ali, junto com o medo que eu senti ao ver ele se cortando na minha frente.

Eu tinha me agarrado à ideia de que relacionamento tinha que ser pra sempre, mas naquele momento, eu entendi que algumas promessas só servem para prender a gente num ciclo de dor e sofrimento.

Durante os 15 dias que o Danilo ficou internado, eu tive tempo para, pela primeira vez em anos, pensar. E foi aí que eu tomei a decisão que eu vinha adiando há anos: já tinha passado da hora de eu me libertar.

— Como assim você "não sente mais nada por mim"?

— Eu não quero mais, Danilo. Eu tô exausta. Eu lutei muito por nós.

— Sei. Lutou tanto que deu no que deu. Olha aqui a minha situação. Olha aqui o que você me fez passar.

— Eu? Olha... de uma coisa eu tenho certeza: eu não tive culpa. Essa culpa eu realmente não carrego. Eu fiz tudo o que eu pude por nós, mas você desperdiçou todas as chances que eu te dei.

— E o que vai ser de mim, Natália?

— Eu já comprei suas passagens. Você volta pra nossa cidade e vai pra casa da sua mãe.

— Você nunca vai conhecer outra pessoa como eu. Tenho certeza que você não vai conseguir viver sem mim!

E no mesmo dia, ele foi embora de uma vez por todas da minha vida. Ele fez um show, falou um monte, mas eu precisava me libertar, me livrar de todo aquele passado doentio que eu tinha vivido e das mentiras que eu tinha contado para mim mesma por tanto tempo.

Ele foi embora, mas, infelizmente, os traumas ficaram. Eu entrei em uma profunda depressão… várias vezes eu quis desistir de estar viva porque, apesar de tudo o que eu passei, eu queria com todas as minhas forças ser feliz com o Danilo, mas era algo que só eu queria, e um amor que só existia na minha cabeça.

Quando ele foi embora, foi hora de voltar pra mim mesma. Cuidar das minhas feridas, dos meus traumas e das minhas marcas.

Amar a si mesma foi o começo da cura

Eu me dei uma chance e decidi investir em mim, então fui até fazer uma faculdade, coisa que o Danilo nunca tinha me apoiado para fazer.Depois, eu comecei a trabalhar em uma nova empresa e, aos poucos, a minha vida foi tomando um novo rumo. Eu tava me reconstruindo por dentro, e do lado de fora as coisas também começaram a se alinhar.

Foi nesse novo momento que conheci o Theo. Nós nos conhecemos na empresa em que eu trabalhava e descobrimos que morávamos perto um do outro. Foi assim que a gente foi se aproximando e eu fui percebendo que ele era diferente.

Mesmo no começo, ele já me presenteava com flores, me ajudava em casa e nunca soltava minha mão.

O amor verdadeiro aparece quando a gente menos espera, e não é o tempo de relacionamento que define a intensidade ou a verdade de um sentimento.

Por muitos anos, eu vivi uma vida medíocre, acreditando que a pessoa do meu lado iria mudar, mas essa mudança nunca ia acontecer. Eu precisei passar por muita dor pra enxergar que o amor de verdade é feito de compreensão, respeito, lealdade, amizade...

Hoje, com o Theo, sou a pessoa mais feliz do mundo. Agora eu sei o que é amor de verdade.

E amor não é sofrimento. Amor é cumplicidade, é companheirismo, é paixão que não se desgasta, é apoio mútuo. É rir junto, chorar junto, correr atrás dos sonhos lado a lado.

Já estamos há quase 1 ano namorando oficialmente. Desde então, não sei o que é brigar. Não sei o que é discutir. Nós trabalhamos muito, inclusive de domingo a domingo, mas fazemos tudo juntos! O Theo é muito esforçado, e eu também sou.

Nós somos parceiros na vida e no amor. E é isso que faz tudo valer a pena.

Só fui feliz quando eu me permiti ser livre. E se você está passando por algo parecido, saiba que é possível encontrar alguém que cuide de você e, principalmente, te respeite.

O amor verdadeiro existe, e ele só vai chegar quando você aprender a amar a si mesmo primeiro. Lembre-se que você tem muito valor! E a pessoa certa é aquela que vai reconhecer isso.

*Texto gerado por inteligência artificial e revisado pela redação de Band.com.br.

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