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Viúvo se apaixona por mulher 40 anos mais jovem e diz fechar os olhos para possíveis traições

Durante 15 anos, Luiz viveu depressivo após a morte da esposa. Até que conheceu Marcela, uma jovem de 22 anos por quem se apaixonou, mas teve que fazer concessões; leia história do Quem Ama Não Esquece:

Da redação

DA REDAÇÃO

05/06/2025 • 21:45 • Atualizado em 05/06/2025 • 21:45

Viúvo se apaixona por mulher 40 anos mais jovem e diz “fechar os olhos” para possíveis traições
Viúvo se apaixona por mulher 40 anos mais jovem e diz “fechar os olhos” para possíveis traições - Foto: Freepik

O Luiz viveu um casamento feliz por 30 anos, até enfrentar uma profunda dor com a partida da esposa. Durante 15 anos, ele sobreviveu em meio à solidão e à depressão, até conhecer Marcela, uma jovem de 22 anos, que reacendeu a sua vontade de viver.

Com o tempo, Marcela queria aproveitar a vida de jovem, sair para balada e mesmo percebendo ausências e possíveis traições, Luiz escolheu fechar os olhos. Ele decidiu estar ao lado dela, mesmo que isso custe dividir o seu tempo. Leia abaixo a história completa do Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta quinta-feira, 05/06/2025:

Quando a gente sofre muito, mas muito mesmo, a gente acaba se apegando a qualquer pequena alegria que apareça na nossa vida.Para começar a contar a minha história com a Marcela, eu preciso primeiro contar a minha história com a Paola, a minha primeira esposa.

Quando eu conheci a Paola, eu tinha 20 e poucos anos. Desde aquele primeiro dia, eu sabia que ela seria a minha esposa e mãe dos meus filhos. Dito e feito.

Eu e a Paola nos casamos, tivemos três filhos e vivemos juntos e muito felizes por quase 30 anos. Mas, infelizmente, Deus quis levar a minha esposa para perto dele cedo demais.

A Paola ainda era jovem, cheia de vida. Imagina… tinha acabado de completar 50 anos. Era tão ativa, tão cheia de energia, que eu jurava que ela viveria até os cem. Mas tudo aconteceu muito rápido e depois que descobrimos que ela estava doente, em menos de seis meses, ela nos deixou.

Eu aqui, falando desse jeito, parece que nem doeu o tanto que doeu, mas a verdade é que até hoje, mais de 15 anos depois, ainda não consigo falar sobre o assunto sem me emocionar.A Paola não era só a minha esposa. Era minha melhor amiga, minha companheira, minha amante, a melhor mãe e a pessoa com o maior coração que eu já conheci.

Eu não conseguia me conformar ao ver uma pessoa tão maravilhosa definhando e indo embora deste mundo. A falta dela me rasgou por dentro de um jeito que nenhuma palavra é capaz de explicar. Eu senti. Senti muito mesmo. Senti tanto que passei os últimos anos sofrendo.Nos últimos 15 anos, posso dizer que, basicamente, sobrevivi, mas que nunca fui feliz de verdade. A vida perdeu a cor, o cheiro, o gosto… e principalmente, a razão de ser. Claro, eu tinha meus filhos, e eles sempre foram o motivo de eu me manter de pé. Mas, aos poucos, cada um foi seguindo seu caminho e eu... eu me senti sozinho. Sozinho e infeliz.

E olha que eu tentei, viu? Tentei me matricular em curso, fazer academia, viajar, aprender coisas novas e até terapia eu fiz, mas parecia que nada tirava de verdade aquela depressão do meu coração.Até que, quando eu já nem imaginava mais sentir qualquer alegria… ela apareceu. A Marcela. Se eu contar como foi, você não acredita. Eu estava em uma cafeteria, tomando um pingado e lendo o meu jornal, quando ela sentou do meu lado e puxou papo.- Eu acho tão engraçado quem ainda lê jornal de papel.- Por que engraçado?- Sei lá. Hoje em dia tem internet, né? Mas é fofo... me lembra o meu avô.- Eu não sei se agradeço pelo fofo ou fico triste pelo "avô". Mas, para ser sincero,  talvez eu pudesse mesmo ser seu avô.- Talvez pela idade, mas você não parece com ele. Ele parece mesmo um senhorzinho. Você não.Juro, foi exatamente assim. Mas, eu achei a maior graça, me diverti mesmo.

Acabou que ficamos ali, conversando, por quase uma hora. A Marcela tinha 22 anos, mas fazia tempo que eu não me sentia tão bem com alguém.

No final, mesmo totalmente sem graça, pedi o telefone dela e ela, para minha surpresa, me passou. Naquele mesmo dia, resolvi mandar uma mensagem para ela e assim começamos a conversar.

"Eu, com 65 anos, me sentindo um bobo adolescente, trocando mensagens com uma mulher de 22. Onde eu estava com a cabeça?"

Nos outros dias, a gente não parou de se falar, e eu confesso que me sentia um pouco ridículo. Mas, era tão gostoso conversar com a Marcela. Muitas vezes eu até me esquecia da nossa diferença de idade.Depois, nossas conversas por mensagens se tornaram encontros e aí, bom, aí eu senti o meu coração bater de novo pela primeira vez em muito tempo.Quando a gente se beijou pela primeira vez, me senti flutuando.- Você ainda é muito jovem, Luiz. Você tem que parar de pensar bobagem.- Eu tenho mais de 40 anos a mais que você.- E daí? A gente se dá tão bem! É tão gostoso quando a gente está junto. Ou não é?- É maravilhoso. Eu nem consigo me lembrar da última vez que eu fui tão feliz.- Então, chega de paranoia e curte. Só curte. A gente não deve nada para ninguém.Eu sei que você pode pensar que, de repente, ela estava comigo por interesse, mas a verdade é que nem rico eu era.A gente só gostava mesmo da companhia um do outro. Ela dizia que eu era maduro, que comigo conseguia ter conversas mais interessantes, que comigo a gente fazia uns programas mais tranquilos. E ela... ela cuidava de mim, me tratava com carinho, mas também trazia juventude, energia, uma vibe diferente pra mim.Desde o momento em que conheci a Marcela, não passei mais nenhum dia sem sorrir. Ela tinha sido a responsável por me trazer alegria depois de tanto tempo. Ela conseguiu o que mais nada havia conseguido: me tirar da depressão e me devolver a vontade de viver.Em coisa de dois meses, ela já tava praticamente morando comigo. E eu amava. Amava o cheirinho do perfume dela pela casa, amava a música que ela colocava todo dia de manhã para animar, amava a bagunça que ela deixava em todo canto, amava que ela cozinhava para mim... amava viver outra vez.Nós vivemos uns bons meses em uma verdadeira lua de mel. Eu trabalhava de casa e a Marcela trabalhava como assistente administrativo. A gente criou uma rotina boa. Tomava café junto, ela saia para trabalhar, à noite ela voltava e a gente fazia o jantar, depois filminho... no fim de semana a gente saia para jantar, às vezes, viajava. Era tudo incrível. Eu sentia, de verdade, que ela gostava de mim.Mas, como tudo na vida, aquele encanto também começou a mudar. No começo, de um jeito quase imperceptível... A Má começou a reclamar de umas coisas bobas, dizia que nossa rotina era meio de velho, que a gente quase não saía mais, que estava sempre em casa, que já não fazia nada diferente.Eu tentava entender, mas, para mim, aquilo era paz. Só de pensar em ficar sem ela, em ela desistir de tudo, ficava enjoado. Então, dizia que a gente podia inventar outras coisas para fazer, viajar mais, falava que ela podia ter amigos e sair se fosse essa a vontade dela. Mas, parecia que não era só isso.Até que um dia, ela chegou em casa empolgada, dizendo que ia numa festa com uns colegas da empresa. Eu não tive ciúmes, eu não sou disso, mas eu fiquei chateado e perguntei se podia ir junto.- Ah, Lu... É coisa de gente nova. Você não ia gostar.- Como assim?- Balada, música alta, para dançar, sem lugar para sentar. Essas coisas. Você se incomoda? Eu só disse que ia porque você mesmo sugeriu que eu saísse com amigos.Não era bem isso que eu querido ter falado, mas fingi que estava tudo bem. Até ri do "coisa de gente nova", mas por dentro doeu. Aquilo ficou martelando na minha cabeça... e aí eu cai na real. Era só questão de tempo até ela se cansar de mim e esse pensamento fez o meu estômago embrulhar.No dia da festa, ela saiu toda linda e eu fiquei esperando ela voltar. Eu nunca me senti tão ansioso. Eu não podia perder a Marcela. Ela tinha me devolvido a alegria, a vida... se ela fosse embora, como ia ser? Eu ia voltar para aquela vida triste? Não! Eu não podia deixar acontecer.

Então, quando ela chegou da festa, eu coloquei um sorriso no rosto e só perguntei se ela tinha gostado. Ela falou que tinha sido ótimo e que eu não ia ter gostado. Ali, entendi de vez que, por mais que a gente se amasse, havia um abismo entre nós. Eu estava vivendo um recomeço ao lado dela. E ela ainda estava começando a viver.Depois dessa festa, a Marcela começou a sair com mais frequência e eu ficava chateado, mas por outro lado, quando estávamos só nós dois, ela continuava sendo a mesma de sempre. A mesma Má carinhosa, cuidadosa, a mesma Má que cuidava de mim, que me mimava, que cozinhava meus pratos preferidos, que me fazia surpresa, que chegava em casa com presente fora de hora e que me fazia feliz.

"Eu resolvi aceitar que ela precisava desse tempo, desse espaço e dessa vida paralela. Eu resolvi aceitar que, para que a gente continuasse dando certo, eu ia ter que entender tudo isso."

Ela tinha 23 anos, eu 65. Já era estranho que ela me amasse e que quisesse ficar comigo. Eu não podia ser egoísta e impedir que ela aproveitasse a juventude dela.

A gente se gostava, a gente tinha nossos momentos, a gente tinha nossas intimidades, claro que sim. E eram momentos maravilhosos! Com ela eu era um homem de verdade – e um homem feliz. Por que eu ia perder tudo isso? Por capricho? Por ciúmes? Não...Hoje, entendi que é melhor fechar os olhos para tudo isso. Eu e a Marcela estamos juntos há mais de um ano e nossa vida segue sendo maravilhosa. Ela é minha mulher, minha esposa mesmo. Mas ela é também uma menina que precisa sair, ver o mundo, curtir. E está tudo bem.

Eu fecho os olhos. Fecho os olhos para... para mais coisas. Eu sei que para ela, talvez, seja cansativo estar com alguém de outra geração, que tem outra cabeça. Nem sempre nossos assuntos são os mesmos. E eu... eu sei que ela, vez ou outra, procura outros homens.

Se tem uma coisa que a idade traz de bom é a maturidade. Eu consigo ser maduro e olhar para esses casos que ela tem, e saber que não tem importância e valor nenhum.

Então, entendi que, para continuar vivendo essa alegria, preciso aprender a fechar os olhos. Fecho os olhos para certas ausências. Fecho os olhos para algumas mensagens que chegam tarde da noite. Fecho os olhos para perfumes diferentes que ela às vezes traz na roupa. Eu fecho os olhos porque escolhi não sofrer, escolhi não exigir dela o que talvez nunca consiga me dar: exclusividade.

"Eu fecho os olhos porque, no fim do dia, é nos meus braços que ela dorme tranquila, e é comigo que ela divide a rotina e a vida."

Muita gente não entende. Alguns me chamam de cego, de burro, de outras coisas. Eu sei. Mas nenhum desses julgamentos conhece o que a gente vive aqui dentro de casa. Eu nunca fui tão feliz.

E se para viver essa felicidade eu tiver que fechar os olhos de vez em quando... então, eu fecho. E no fim das contas, não é sobre isso que a vida é? Sobre buscar a felicidade?

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