Gustavo e Letícia tinham tudo para dar certo. Compartilhavam sonhos, amor, planos e uma vida construída com esforço. Mas um fim de semana planejado para celebrar se transformou em um trauma irreversível. Leia a história completa do Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta terça-feira, 10 de junho.
A gente nunca imagina que um momento pode mudar tudo pra sempre...
Quando amar é sonhar junto
Eu conheci a Letícia por meio de amigos em comum. Nós dois éramos formados em educação física e trabalhávamos como professores — eu com futebol, ela com natação. Além disso, eu amava correr, pedalar... e ela era dançarina. A gente tinha tudo a ver. Talvez por isso, o amor tenha vindo tão rápido.
Namoramos por um tempo e logo nos casamos. Éramos até piada entre os amigos, de tão grudados que vivíamos. Não tínhamos dinheiro, porque salário de professor você já sabe como é. Mas o que nos faltava no bolso, sobrava em amor e em sonhos.
— Já pensou, Gu? Um espaço só nosso?
— Nem fala... é um sonho!
— Uma escola de esportes pra crianças carentes. A gente dando aula por amor...
— Um dia isso sai do papel.
Esse era o nosso maior sonho: abrir uma escolinha de esportes, de graça, pra crianças sem condições. Futebol, dança, natação... tudo. A gente não sabia como ia conseguir, mas era bom demais sonhar com a Lê. Sonhar o mesmo sonho com quem a gente ama é das melhores coisas da vida.
Morávamos num apartamento pequeno, alugado, que a gente chamava de palácio. Nossa rotina era puxada: eu dava aula de manhã, ela ensaiava e depois também dava aula. Eu ainda atuava como voluntário num projeto social. À noite, mesmo exaustos, sempre sobrava tempo pra um filme, uma conversa, um carinho.
Além da escolinha, a Letícia sonhava em dançar pelo mundo. Ela dizia que a dança era o que fazia o coração dela bater mais forte. Eu nunca dizia, mas pra mim, o que fazia meu coração bater mais forte era ela.
Também queríamos ter filhos, mas isso ia ter que esperar. Ela não queria parar de dançar tão cedo, e eu respeitava totalmente. Nosso dinheiro também era contado — cada escolha era pensada.
A vida era boa. Era tão boa que parecia blindada. Mas tudo virou de cabeça pra baixo num fim de semana que a gente tirou pra descansar. Estávamos comemorando 3 anos de casamento e fomos pra um hotel fazenda, simples, no meio da natureza.
— Sem celular? Promete?
— Sem celular! Só nós dois. Juro.
— Sem treinos?
— Nem pensar! Só relaxar e namorar!
Na sexta, saímos cedo, animados. Na estrada, conversávamos, cantávamos. Mas a Lê, sempre preocupada, pedia pra eu ir mais devagar.
— Pra que correr tanto, Gustavo?
— Amor, o limite aqui é 120, tô a 100.
— Mas custa ir mais devagar?
— Tá bom. Ó: 90. Menos que isso vão buzinar.
— Que buzinem!
O acidente que virou tudo do avesso
E aí... tudo aconteceu. De repente. Num piscar de olhos. Um caminhão fez uma ultrapassagem errada. Eu tentei desviar, tentei frear... mas não deu. O carro saiu da pista. O tempo parou.
Acordei zonzo, perguntando pela Letícia. Alguém respondeu que a ambulância estava a caminho. Depois apaguei. Quando acordei de novo, já estava no hospital. Eu estava machucado, com braço e costelas quebradas, mas bem — dentro do possível. Mas minha cabeça só pensava nela.
A Letícia estava na UTI.
Passei dois dias sem poder vê-la. Dois dias rezando, perguntando. Sentia um clima estranho. Achei que estavam me escondendo algo. Imaginei o pior. Mas então veio a notícia.
Ela tinha acordado. Mas havia fraturado a coluna. E, segundo os médicos, provavelmente não voltaria a andar.
Pior: ela não queria me ver.
Esperei uma semana até que ela permitiu.
— Você é muito insistente...
— Lê, o que tá acontecendo? Eu tava tão preocupado... pensei mil coisas!
— Mas o pior aconteceu, Gustavo. Eu não vou andar nunca mais.
— Lê, você tá viva! Isso é o que importa!
— Não. Eu sou só meia mulher agora. E tudo por sua culpa.
— Como assim, minha culpa?
— Você tava correndo. Eu falei mil vezes!
— Eu tava abaixo do limite. Foi o caminhão! Eu tentei...
— Isso é o que você diz. A minha vida acabou por sua causa. Vai embora. Eu não quero mais te ver.
— Lê, eu sou seu marido!
— Não é mais.
Fiquei em choque. Tentei argumentar, mas ela gritava. Eu fui embora. Achei que era raiva, desespero. Que ia passar.
A dor que separa mais que a distância
Mas não passou.
Dias, meses... ela continuava me culpando. No começo com raiva. Depois, fria. Continuei tentando. Mas era como viver pela metade.
Um ano depois, nos reencontramos. Ela já não gritava, não chorava. Mas me olhou e disse, com toda a calma:
— Eu nunca vou te perdoar. A culpa foi sua.
Foi ali que eu entendi. Que não adiantava mais esperar.
Amor que sobrevive, mesmo quando tudo desmorona
Dois anos se passaram. E eu ainda amo a Letícia. Ainda sonho com tudo que a gente planejou. Às vezes, penso que talvez eu tenha mesmo tido culpa. Talvez eu mereça.
Mas acima de tudo, eu desejo que ela seja feliz. Porque ela merece.
No fim das contas, a Letícia sobreviveu ao acidente.
Mas eu... eu não.
*O texto foi gerado por Inteligência Artificial e revisado pela redação do Band.com.br
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