Band FM

“Quase morri no parto dos meus trigêmeos"

Após perder os pais e enfrentar uma gravidez de risco, Viviane sobreviveu a uma parada cardíaca ao dar à luz. Hoje, ela cumpre a promessa que fez a Deus: contar seu milagre; leia no Quem Ama Não Esquece

Da redação*

DA REDAÇÃO*

04/07/2025 • 18:42 • Atualizado em 04/07/2025 • 18:42

Mesmo após descobrir uma gravidez de trigêmeos com complicações, perder os pais e quase morrer no parto, Viviane encontrou forças na fé e no companheirismo de Adenilson. Casados há 28 anos, eles construíram juntos uma história marcada por milagres e superação. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta sexta-feira, 4 de julho.

Dar testemunho da própria história não é fácil. Dói. Dói lembrar das quedas, das dúvidas, das vezes em que eu quis simplesmente sumir. Mas teve alguém que nunca soltou minha mão. Alguém que caminhou comigo, mesmo quando eu quase desisti.

Há muitos anos, o meu irmão trabalhava em uma empresa e lá ele fez amizade com um rapaz chamado Adenilson, que era muito brincalhão.

Um dia, eu tava em casa, no meu quarto, e ouvi quando esse Adenilson chegou. Ele e o meu irmão ficaram conversando na sala, e eu, escondida, morrendo de vergonha. Logo eu, que sempre fui animada, falante... me retraí toda. Só depois de quase meia hora, eu criei coragem e saí do quarto e, quando vi o Adenilson pela primeira vez, alguma coisa em mim mudou. Eu simplesmente esqueci quem era a Viviane que todo mundo conhecia e tudo o que eu consegui dizer foi um "Oi, tudo bem?" bem tímido. Mas, na minha cabeça, eu só conseguia pensar: "Que homem mais lindo!"

Depois desse dia, o Adenilson entrou de vez na minha vida. Ele começou a aparecer lá em casa com uma certa frequência e eu sabia que era só para me ver. A gente conversava bastante e, sempre que estávamos juntos, ele me dava muita atenção. Eu... eu comecei mesmo a gostar disso.

– Eeee, Viviane... quem diria, hein?

– O quê? Tá falando de quê? Tá pensando alto?

– Ah, menina... Se eu me apaixonar por você...

– Fica tranquilo! Você vai! Eu mesma vou fazer isso acontecer!

– É mesmo? Se acontecer, eu vou te fazer muito feliz!

Conforme a gente ia se encontrando, o sentimento ia crescendo. Eu também fazia a minha parte, porque eu sempre fui carinhosa, intensa, e amava escrever. Então, toda semana, eu mandava cartas para ele. Fora as ligações pelo orelhão, em que nós ficávamos horas falando! A verdade é que eu sabia o meu valor. Sabia que eu era diferente. E queria ser vista desse jeito por ele também.

Naquela época, o Adenilson estava focado em passar nos concursos da Guarda Civil. E eu acompanhei tudo de perto. Vi de verdade o quanto ele estudava, o quanto se dedicava, o quanto queria mudar de vida. E, de tanto se dedicar, ele foi aprovado em três lugares diferentes.

Ele escolheu a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo e, mesmo sendo ele quem passou nas provas, eu me sentia parte daquela vitória também, porque eu tinha dado muito apoio.

“Se for pra ficar comigo, tem que me assumir”

Até então, nós éramos só grandes amigos. Sendo bem sincera, eu já tava meio cansada de homens que pareciam legais no começo e depois me decepcionavam. Naquela época, a vida era muito difícil pra mim. Meus pais tinham 10 filhos e a fome fazia parte da nossa rotina, mas, ainda assim, no meu bairro eu chamava a atenção pela minha aparência. Todo mundo dizia que eu era muito bonita e eu sentia o interesse dos homens.

De qualquer forma, eu tinha muito claro que só me entregaria mesmo para o homem que eu tivesse certeza que iria me casar. E isso queimou dentro de mim quando eu vi que estava me apaixonando pelo Adenilson, porque ele era conhecido por sair com várias mulheres. E eu tinha muito medo de ser só mais uma.

– Viviane... calma... não é bem assim...

– Eu não quero te obrigar a nada, sabe? Mas isso é muito importante pra mim. Se for pra gente ficar junto, eu quero que você me assuma, quero casar, caso contrário... não dá pra mim.

– Tudo bem! Se é importante pra você, eu vou falar para todas as outras que eu não quero mais nada com ninguém. Eu vou deixar tudo pra ficar com você. Eu prometo.

Baratas no apê e pedido de casamento: o começo de uma reviravolta

A gente começou a namorar e, nos primeiros dias, tudo parecia perfeito. Era leve, gostoso, do jeitinho como eu tinha sonhado. Mas bastaram 15 dias para eu perceber o Adenilson mudando.

Eu perguntei a primeira vez se tava tudo bem e ele falou que sim. Perguntei a segunda, terceira, quarta... Era óbvio que tinha alguma coisa. Durante duas semanas ele não conseguia nem olhar nos meus olhos.

Foi aí que eu coloquei ele na parede e ele abriu o jogo. O Adenilson contou que... contou que, quando ele foi terminar com uma das meninas com quem ele estava saindo, ela disse que estava grávida dele.

Na hora, eu travei. Depois, gritei, chorei e mandei ele ir embora. Não podia ser! Eu não conseguia acreditar! Grávida! Grávida dele!

O Adenilson disse que ia assumir a criança, mas que não ia ficar com ela porque me amava. Mas eu não queria ouvir mais nada. Eu tava decidida a terminar tudo ali mesmo.

O Adenilson me ligou várias e várias vezes e, depois de muita insistência, eu resolvi dar uma chance para a gente conversar e topei me encontrar com ele na estação perto de casa ao meio-dia. Acontece que eu tive alguns problemas e me atrasei, me atrasei muito. Eu só consegui chegar às cinco horas da tarde e, para ser sincera, eu tinha certeza que ele nem estaria mais lá. Mas, quando eu cheguei... Ele tava. Tava ali, de cabeça baixa, me esperando.

– Viviane! Eu não acredito que você veio!

– Eu que não acredito que você tá me esperando até agora.

– Eu tinha prometido para mim mesmo que só ia esperar mais esse ônibus. Ainda bem que você tava nele. Graças a Deus que você veio!

– Desculpa, é que...

– Não tem problema. Não precisa falar nada. Viviane, eu te chamei aqui porque eu preciso te falar uma coisa. Eu... eu comprei o nosso apartamento. Você quer ir lá conhecer?

Eu não tava acreditando naquilo. Eu fiquei completamente desnorteada com a notícia, mas eu fui conhecer o tal apartamento. E... foi terrível!

Juro! Quando a gente chegou, nós fomos recepcionados por um monte de baratas!!! Sério! Mas ali, pelo menos, eu vi que o Adenilson não tava brincando comigo. Ele tinha usado o dinheiro que tinha guardado para comprar um apartamento para viver comigo. Quer prova maior?

Então eu falei pra ele que, se ele fosse homem de verdade, era hora de ir até o meu pai pedir minha mão. Ele foi!

Naquela semana mesmo, o Adenilson foi até a minha casa conversar com o meu pai, mas ao invés de me pedir em namoro, ele logo me pediu em casamento!

Meu pai era um homem muito difícil, rígido, e eu achei que ele não ia permitir, mas, para minha surpresa – e alegria – ele permitiu. Olha, foi realmente um milagre.

Eu comecei então a fazer o meu enxoval e era tudo muito humilde. A gente não tinha quase nada!

Perto do casamento, o meu pai começou a ficar muito ruim. Ele tinha diabetes e tava em um estado crítico, precisou até amputar alguns membros do corpo. Eu sabia que ele não ia suportar muito tempo. Então eu pedi para o meu irmão levar ele até o apartamento que eu ia morar com o Adenilson e ele foi, sem nem conseguir andar ou falar direito.

Lá, com muita dificuldade, ele olhou tudo emocionado e disse que tinha certeza que eu ia ser muito feliz. Depois de 3 dias, ele faleceu... Infelizmente, ele não pôde me ver casando.

Eu fiquei muito mal, mas eu sabia que pelo menos o meu pai estava feliz por mim e me abençoando.

Quando nós já estávamos casados, o Adenilson me ajudou a entrar em uma faculdade e, logo no primeiro semestre, eu consegui um emprego. Eu tava realizando um sonho, nunca tinha me sentido tão feliz! Mas... mas não durou muito tempo.

“Você está grávida de trigêmeos... E perdendo um”

Naqueles primeiros meses, eu comecei a sentir muitas dores e a ter sangramentos. Eu não sabia o que podia ser, não sabia se era o meu corpo tentando me avisar que alguma coisa ruim estava para acontecer ou... ou se uma bênção estava prestes a chegar.

Bem nessa fase, minha mãe me disse uma frase que ficou guardada em mim: “Uma mulher só se realiza de verdade quando se torna mãe".

Ela disse isso e, dias depois, também me deixou. Eu perdi o meu pai e a minha mãe e foi como se o chão tivesse desaparecido debaixo dos meus pés. Eu entrei em uma depressão muito grande e a única coisa que me sustentava naquele momento era o Adenilson. Ele ficou do meu lado o tempo todo, assumiu tudo, cuidou de mim, tomou a frente com as decisões... Sem ele, eu sinceramente não sei se teria suportado. Mas o que eu não imaginava é que as dores e as dificuldades estavam só começando...

Dias depois, aquela hemorragia piorou e eu precisei ir correndo para o hospital. Lá, eu descobri que estava grávida e, depois de mais alguns exames, os médicos disseram que eu não só estava grávida... como estava grávida de trigêmeos e... e perdendo um dos bebês.

Eles explicaram que, para não colocar em risco a vida dos outros dois, eu teria que ficar em repouso e deixar que o meu próprio corpo fizesse o trabalho de expulsar aquele que eu tinha perdido. Qualquer intervenção médica poderia fazer com que os outros dois também não resistissem.

Meu Deus! Que coisa horrível. Foi muito difícil... Imagina passar por isso? Saber que você tem três bebês dentro de você, mas que um... um já está sem vida e você nem pode fazer nada?

Eu tive que parar totalmente a minha vida. Saí do trabalho, tranquei a faculdade e lutei... lutei muito para segurar aquela gravidez.

Parada cardíaca, UTI e sobrevivência: o pacto que virou testemunho

Eu consegui segurar por 6 meses e meio, mas aí veio um dos dias mais difíceis da minha vida.

Eu tava em casa e, de repente, comecei a sentir um calor insuportável. Corri para o chuveiro e fiquei ali deixando a água gelada cair, mas nada adiantava. O mal-estar só aumentava. Eu sabia que tinha alguma coisa errada acontecendo. Os meus filhos estavam lutando para viver dentro de mim, mas antes de eu conseguir fazer qualquer coisa, acabei desmaiando e, quando acordei, percebi que minha barriga não se mexia mais.

Eu entrei em desespero, comecei a gritar, gritar muito chamando o Adenilson e nós fomos correndo para o hospital.

O médico me examinou e disse que... disse que um dos corações estava parando de bater.

Ele falou que a gente tinha que correr, tinha que ir para a sala de parto logo porque, se demorasse um minuto mais, eu ou os meus filhos poderíamos morrer.

Eu só lembro de olhar o céu pela janela e pedir a Deus para sair viva daquela cirurgia com os meus dois filhos. Ali, naquele momento, eu fiz uma promessa: se nós saíssemos vivos dali, eu levaria esse testemunho por onde eu fosse.

Eu me despedi do Adenilson no corredor e, depois disso, desmaiei.

Lembro de alguns flashes... lembro do médico gritar para eu ficar acordada, lembro de lutar contra aquele sono da morte, lembro de tentar ficar viva.

E lembro de ver os meus dois filhos saírem de mim. Depois, mais nada.

No meio da madrugada, eu tive uma parada, mas conseguiram me reanimar. Eu não sei quanto tempo eu demorei para acordar. Eu só soube depois que os médicos acharam que eu não ia sobreviver. Mas, quando eu acordei, a primeira coisa que eu fiz foi pedir para ver os meus filhos.

Só que eles... eles estavam em um estado muito crítico, correndo risco de vida.

Foi um mês. Um mês de muita angústia, muita dor, muito medo.

Só quem é mãe de UTI sabe o que é isso e eu não desejo para ninguém, ninguém!

Graças a Deus, depois desses 30 dias, os meus filhos se recuperaram e puderam ir para casa.

Foram muitos problemas ao longo do caminho e eles ainda voltaram ao hospital depois de um tempo, mas, aos poucos, foram ficando mais fortes e saudáveis.

Eu e o Adenilson somos casados há 28 anos e nossos filhos têm 17.

Eu sou o tipo de mulher que teria mil motivos para chorar, mas eu sempre lembro o que Deus fez por mim e meus filhos naquele dia, e só consigo ser grata.

Eu acredito muito no amor e cuido do meu casamento com todo carinho numa época em que muitos estão se desfazendo. A vida a dois não é fácil, mas lutar pelo amor vale a pena!

Hoje, quando olho para trás, vejo uma mulher que caiu, chorou, sangrou, mas ficou de pé.

Vejo uma menina que sonhava com um amor de verdade e encontrou mais do que isso: encontrou um parceiro de vida, que segurou firme nos dias mais difíceis e foi abrigo quando tudo desabou.

Vejo uma filha que perdeu os pais cedo demais, mas que herdou deles uma força que nem sabia que tinha. E vejo uma mãe... uma mãe que lutou, que sofreu, que sobreviveu.

Eu poderia ter morrido naquela sala de parto. Meus filhos poderiam não ter resistido.

Mas Deus escreveu outro final pra nossa história. Um final de milagre.

Hoje, toda vez que vejo meus filhos sorrindo, eu lembro da promessa que fiz naquela janela, olhando para o céu, e sei que cada palavra contada aqui não é sobre dor, é sobre fé.

Não é sobre perdas, é sobre vitórias. E não é sobre o que a vida tirou de mim.

É sobre o que Deus me deu de volta.

Por isso, eu continuo contando essa história, levando esse testemunho onde quer que eu vá.

Porque se alguém me perguntar o que é o amor, eu não vou hesitar:

O amor… O amor foi o que me salvou.

*Texto gerado por inteligência artificial e revisado pela redação de Band.com.br.

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