Agro

Fábrica em Valinhos transforma borra de café em biometano e adubo orgânico

Operação de economia circular no interior paulista recicla de 8 a 9 toneladas de cápsulas usadas por dia e evita a emissão de gases poluentes.

Da redação

DA REDAÇÃO

26/05/2026 • 12:43 • Atualizado em 26/05/2026 • 12:43

Uma operação industrial instalada em Valinhos, no interior de São Paulo, consolida um modelo de economia circular ao reciclar cápsulas de café usadas para fechar o ciclo que vai da indústria de volta para a lavoura. O projeto converte resíduos que seriam descartados em aterros sanitários em novas fontes de matéria-prima e energia renovável. A unidade fabril apresenta uma capacidade operacional que processa de 8 a 9 toneladas de material por dia, o que representa um volume consolidado de aproximadamente 80 a 100 toneladas de cápsulas a cada mês.

O processo de reciclagem baseia-se em um sistema de triagem automatizado. Máquinas especializadas realizam a separação mecânica dos componentes das cápsulas: o alumínio é isolado e triturado para ser reinserido na cadeia industrial como insumo para a produção de novos materiais, enquanto a borra de café é totalmente isolada para passar por reaproveitamento energético e agronômico.

Geração de biometano e redução do impacto ambiental

A borra do café recuperada na linha de produção é direcionada para biodigestores, onde passa por um processo de decomposição que a transforma em biometano.

O gás gerado funciona como um combustível limpo e é canalizado diretamente para abastecer a frota de veículos da própria empresa produtora. Além da vertente energética, o processamento dos resíduos gera um composto orgânico de alta qualidade que retorna para o agronegócio na forma de adubo para nutrir o solo de novas plantações.

Iniciado em 2011, o projeto de sustentabilidade atinge patamares elevados de eficiência ecológica. Apenas no ano passado, a fábrica converteu cerca de 700 toneladas de borra de café em biometano. Essa conversão energética evita a emissão de aproximadamente 800 toneladas de gás carbônico (CO2) na atmosfera, mitigando o impacto ambiental da cadeia de consumo de bebidas no país.

Preferência por cápsulas impulsiona mercado de reciclagem

O desenvolvimento de tecnologias voltadas para o reaproveitamento desses materiais acompanha as mudanças nos hábitos de compra do público brasileiro. Dados consolidados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) indicam que quase 10% dos consumidores entrevistados preferem o café em cápsulas para o consumo diário. O avanço desse segmento no mercado nacional é impulsionado principalmente pela busca por praticidade no preparo da bebida.

A jornalista aponta que iniciativas de reaproveitamento de resíduos orgânicos para a geração de biocombustíveis, como o biometano, reduzem a dependência de combustíveis fósseis e cortam custos logísticos das empresas. Segundo a análise de Juliana Rosa, a transformação de passivos ambientais em ativos energéticos confere maior competitividade internacional às marcas brasileiras, atendendo às exigências globais de descarbonização da economia.

O avanço na captação de cápsulas usadas depende agora da expansão dos pontos de coleta seletiva e da conscientização dos consumidores sobre o descarte correto. A fábrica de Valinhos planeja expandir a capacidade de processamento nos próximos meses para absorver o crescimento do mercado de chás e cafés porcionados.

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