Jornalismo

Novas imagens mostram rachaduras no solo horas antes de ponte cair no AC

Levantamento preliminar da construtora identificou movimentações significativas do solo em área estimada em 16 mil metros quadrados entre terrenos e áreas urbanas na região da ponte; três vítimas seguem internadas

Matheus Christov

MATHEUS CHRISTOV

08/06/2026 • 20:11 • Atualizado em 08/06/2026 • 20:11

Imagens divulgadas nesta segunda-feira (8) mostram que a região ao redor da ponte que desabou no interior do Acre , na última sexta-feira (5), já apresentava extensas rachaduras e sinais de movimentação do solo horas antes do colapso da estrutura. Os vídeos foram compartilhados pela Construtora Cidade, responsável pelas obras da ponte.

Segundo a empresa, a vistoria foi realizada por equipes técnicas por volta das 10h da manhã do dia do acidente, cerca de sete horas antes do desabamento.

Nos registros, é possível notar fissuras abertas no terreno, desníveis e áreas sinalizadas em branco, demarcadas com cal. Segundo a construtora, as marcações foram feitas para facilitar a identificação dos pontos de instabilidade durante inspeções aéreas e levantamentos fotográficos realizados pelos técnicos.

De acordo com a empresa, os levantamentos preliminares identificaram movimentações significativas do solo em uma área estimada em aproximadamente 16 mil metros quadrados, abrangendo terrenos e áreas urbanas próximos à ponte.

A construtora afirma que os primeiros sinais de instabilidade começaram a ser observados cerca de uma semana antes do acidente e se agravaram nos dias que antecederam o desabamento, com o surgimento de rachaduras, movimentações de terra e afundamentos em diferentes pontos da região.

Construtora cita fenômeno de “terras caídas”

Com base nos levantamentos técnicos, a construtora diz ter encaminhado ao Deracre (Departamento de Estradas de Rodagens do Acre), na tarde de quinta-feira (4), uma recomendação formal para a interdição total da ponte, inclusive para pedestres.

Nas notas divulgadas após o acidente, a empresa diz que as avaliações preliminares apontaram indícios compatíveis com um fenômeno conhecido como “terras caídas”, caracterizado pelo deslocamento de grandes massas de solo provocado por processos erosivos e pela dinâmica natural dos rios amazônicos.

A construtora afirma que a ocorrência desse fenômeno teria sido um dos fatores que motivaram o pedido de interdição da estrutura.

Vítimas seguem internadas e caso é investigado

A ponte Padre Paolino Baldassari desabou no início da noite da última sexta-feira (30) . Inaugurada há cerca de dois anos e meio, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Quatro pessoas ficaram feridas.

Segundo atualização divulgada pela Sesacre nesta segunda-feira (8), Ednaldo Muniz dos Santos, de 54 anos, permanece internado em estado grave na UTI do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), mas apresenta sinais de melhora clínica.

Outros dois feridos, Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, e Edinei Muniz dos Santos, de 51 anos, seguem internados com quadro estável após passarem por cirurgias ortopédicas. A quarta vítima recebeu alta ainda no fim de semana.

Após o desabamento, o governo do Acre ingressou na Justiça para responsabilizar a construtora. O Estado alega que a empresa continua responsável pela segurança da obra durante o período de garantia contratual.

A Justiça determinou que a construtora apresente um plano de assistência às famílias afetadas, realize novas vistorias técnicas e adote medidas emergenciais para reduzir os riscos na área atingida.

A empresa afirma que continua colaborando com as perícias e que aguarda a conclusão dos estudos técnicos para se manifestar sobre as causas do colapso.

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