Jornalismo

HIV no Brasil: interesse por medicamentos cresce e levanta alerta sobre uso descuidado

Dados da Sala Digital mostram que o interesse de busca por métodos usados antes da exposição ao vírus dobrou nos últimos anos

Da redação

DA REDAÇÃO

28/11/2025 • 17:55 • Atualizado em 28/11/2025 • 17:55

Remédios
Remédios - Foto: Pexels

O Brasil mudou muito desde o auge da epidemia de HIV nos anos 80 e 90. O que antes era sinônimo de medo hoje é uma condição de saúde que pode ser totalmente controlada com tratamento. E, junto com os avanços médicos, cresceu também o interesse dos brasileiros por informação confiável, especialmente sobre métodos de prevenção pré e pós-exposição ao vírus, cuja principal via de transmissão continua sendo a relação sexual.

Segundo dados da Sala Digital, parceria entre a Band e o Google, o interesse por Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e Profilaxia Pós-Exposição (PEP) disparou na última década. As duas estratégias envolvem o uso de medicamentos que reduzem o risco de novas infecções.

A PrEP é tomada antes de uma relação sexual ou situação de risco, de forma contínua ou sob esquemas específicos; já a PEP é um tratamento de emergência, usado após uma possível exposição (como sexo sem camisinha ou rompimento do preservativo) e precisa ser iniciada em até 72 horas, com uso diário por 28 dias.

O que chama atenção é a diferença no ritmo de crescimento do interesse entre as duas. Até 2020, PrEP e PEP geravam buscas praticamente equivalentes. De lá para cá, o PrEP disparou, se distanciou e hoje registra quase o dobro de interesse. O dado sugere que mais pessoas podem estar pesquisando — e possivelmente recorrendo — ao medicamento como alternativa para relações sem preservativo, o que reforça a necessidade de ampliar o debate sobre prevenção combinada e proteção contra outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Mesmo com a expansão das estratégias de prevenção, o HIV segue como um desafio importante de saúde pública. Entre 2007 e junho de 2024, o Brasil registrou mais de 540 mil novos casos, segundo dados do Ministério da Saúde.

Além disso, os homens seguem como o grupo mais atingido, representando cerca de 70% das notificações recentes. Entre as mulheres, um dado preocupante: 70% das que tinham parceiro fixo relataram ter sido infectadas pelo próprio parceiro, revelando como a percepção de risco ainda é baixa dentro de relações estáveis.

E enquanto buscam entender melhor como se proteger, os brasileiros também querem respostas práticas sobre a vida com HIV. Entre as perguntas mais buscadas no último ano no Google estão:

1. Quem tem HIV pode se aposentar?

Sim. Pessoas vivendo com HIV têm direito a auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, com isenção de carência (Lei nº 7.670/1988).

2. Quem tem HIV pode beber?

Pode, mas com moderação. Não há proibição formal, mas o consumo excessivo pode prejudicar a adesão ao tratamento.

3. Quem tem HIV pode ter filhos?

Pode. Com tratamento adequado e carga viral indetectável, não há risco de transmissão sexual. Há também estratégias específicas que reduzem a transmissão vertical durante a gestação.

4. Quem tem HIV pode doar sangue?

Não. A doação é contraindicada mesmo para pessoas indetectáveis.

5. Quem tem HIV tem direito a algum benefício?

Sim. Entre eles:• saque do FGTS;• isenção de Imposto de Renda;• BPC para quem se enquadra nos critérios;• proteção legal contra discriminação (Lei nº 12.984/2014).

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