Jornalismo

Governo Lula foi pego de surpresa por decisão dos EUA sobre PCC e CV

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperavam que o governo norte-americano fizesse um comunicado prévio a Brasília

Da redação

DA REDAÇÃO

29/05/2026 • 12:59 • Atualizado em 29/05/2026 • 12:59

O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) mantêm silêncio e ainda não publicaram nenhuma nota ou declaração sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas . Nos bastidores, interlocutores da gestão federal admitem que houve forte surpresa e frustração com a Casa Branca.

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperavam que o governo norte-americano fizesse um comunicado prévio a Brasília antes de divulgar a informação. Havia a expectativa de uma cortesia diplomática, especialmente após o recente encontro bilateral considerado amistoso entre Lula e o presidente Donald Trump, em Washington.

Soberania

A reação inicial do governo ocorreu poucas horas antes do anúncio de Washington, de forma indireta. Em viagem oficial, o assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, declarou no Fórum Internacional de Moscou que equiparar o crime organizado ao terrorismo "não é útil" e que é preciso focar nas motivações das facções para combatê-las com eficácia.

A fala de Amorim reflete o principal temor do Planalto: o de que a rotulação norte-americana abra precedentes para uma interferência externa ou até mesmo operações militares dos EUA em solo brasileiro, traçando um paralelo com as pressões sofridas pela Venezuela.

Atualmente, a equipe do presidente Lula se encontra em um impasse político. O governo tenta desenhar uma resposta que preserve a soberania nacional sem correr o risco de ser taxado pela opinião pública como "defensor" de organizações criminosas.

Oposição

A classificação das duas maiores facções brasileiras como entidades terroristas foi oficializada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e ocorre em um momento de forte articulação da oposição brasileira no exterior.

Dias antes do anúncio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com o presidente Donald Trump e levou a pauta diretamente à mesa do líder norte-americano. A oposição celebrou a medida em tom de comemoração política:

O senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro, usou as redes sociais para classificar a decisão como "um grande dia" para a população de bem do Brasil.

Ronaldo Caiado ex-governador de Goiás e pré-candidato à presidência, lamentou apenas "não ter chegado à presidência da República ainda" para tomar ele próprio essa iniciativa.

Enquanto a oposição fatura o episódio politicamente, a diplomacia brasileira corre contra o tempo para alinhar um posicionamento oficial que responda à decisão unilateral de Washington.

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