
O regulamento da temporada 2026 da Fórmula 1 se tornou alvo recorrente de críticas por parte de pilotos e equipes. O principal alvo é o novo sistema de recuperação de energia, que triplica a potência elétrica nos carros .
Para quem anda a mais de 300 km/h em carros elétricos, o regulamento pode mesmo melhorar. É o caso de Oliver Rowland, campeão da temporada 2024/2025 da Fórmula E, que acredita que a F1 cometeu um erro.
“Acho que a F1 talvez tenha errado um pouco com o regulamento, a bateria é muito pequena. Se os pilotos acelerarem muito cedo, em alta velocidade, o que normalmente melhoraria o tempo de volta na qualificação, agora eles perdem potência no final da reta. Acho que eles não levaram em conta que isso prejudicaria os pilotos", analisou o britânico da Nissan, vencedor da corrida 2 do E-Prix de Mônaco no último fim de semana.
"Então, acredito que foi um pequeno erro da parte deles, mas isso oferece uma grande oportunidade para a Fórmula E mostrar que seu carro é mais legal. Nós vamos a toda velocidade ao pilotar na classificação, não temos nenhuma limitação de energia”, cutucou.
O carro ao qual Rowland se refere é o Gen4, novo modelo que estreará na Fórmula E a partir da temporada 2026/2027 . A novidade já foi apresentada – e, segundo o britânico, não faz feio diante da nova geração de carros da Fórmula 1.
“Em uma corrida de Fórmula E, você pode ser estratégico ao longo de um certo número de voltas de uma maneira específica para obter uma vantagem. O problema com os regulamentos da F1 é que eles gastam a bateria em uma ou duas retas”, afirmou.
“Se você gasta para ultrapassar, acaba sendo ultrapassado de volta na reta seguinte. Não dá para ter uma vantagem duradoura, eles têm um pouco de trabalho a fazer para voltar à velha forma”, acrescentou.
Os elogios vieram após uma “visita” da Fórmula 1 à Fórmula E. Nomes como Lando Norris (McLaren), Fernando Alonso (Aston Martin), Gabriel Bortoleto (Audi), Nico Hulkenberg (Audi), Carlos Sainz (Williams) e Oliver Bearman (Haas) marcaram presença na programação do E-Prix de Mônaco.
David Coulthard, ex-piloto de Williams, McLaren e Red Bull, também esteve presente em Monte Carlo. O escocês pilotou o Gen4 em uma exibição durante o final de semana em Mônaco, e disse que a novidade tende a “redefinir o que um carro de corrida pode ser”.
“DC (David Coulthard) pilotou o carro (Gen4) no fim de semana e só teve elogios a fazer. Além disso, o pessoal da Fórmula 1 estava lá dando uma olhada. Isso, de certa forma, nos coloca um pouco mais de volta no mapa e na trajetória que vimos nos primeiros anos da Fórmula E”, comemorou Rowland.
O que mudou nos carros da F1 em 2026?
A arquitetura básica dos carros da Fórmula 1 foi mantida para 2026, com um motor 1.6 V6 turbo combinado a sistemas híbridos sendo peça central da força motriz. Mas a distribuição de potência mudou radicalmente.
O sistema MGU-H, que recuperava energia térmica dos gases de escape, foi eliminado, reduzindo a potência do motor a combustão para cerca de 550 cv. Por outro lado, o sistema elétrico MGU-K foi ampliado de cerca de 163 cv para aproximadamente 476 cv.
O resultado é um conjunto que pode atingir cerca de 1.000 cv de potência combinada, com participação muito maior da eletricidade no desempenho do carro.
A bateria também ganhou papel central. Os carros passam a usar um conjunto de 5,5 kWh, projetado para recarga e descarga extremamente rápidas, diferente das baterias maiores de veículos elétricos convencionais. Durante a corrida, o sistema opera principalmente com cerca de 1,1 kWh, mantendo o nível de carga entre 40% e 60%.
Equipes passaram a usar o chamadosuperclipping, em que o motor a combustão carrega a bateria nas retas, mesmo com o acelerador totalmente pressionado. A manobra sacrifica momentaneamente a aceleração, mas permite recuperar energia para uso estratégico ao longo da volta.
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