Fórmula E

F1 recorre a pilotos da Fórmula E para ajudar a desenvolver carros de 2026

Novos motores mudam questões de recuperação de energia elétrica, e titulares da F-E vêm sendo requisitados no desenvolvimento dos projetos

EMANUEL COLOMBARI

20/02/2026 • 13:56 • Atualizado em 20/02/2026 • 13:56

Fórmula 1 tem mudanças no sistema de recuperação de energia elétrica a partir de 2026
Fórmula 1 tem mudanças no sistema de recuperação de energia elétrica a partir de 2026 - Foto: Hamad I Mohammed/Reuters

O regulamento que entra em vigor a partir de 2026 tem aproximado a Fórmula 1 das características da Fórmula E, especialmente nas questões de gerenciamento de energia elétrica das unidades de potência. Por isso, as equipes da F1 foram procurar ajuda na própria Fórmula E para desenvolver os novos carros.

Diversos pilotos da categoria elétrica têm trabalhado nos bastidores da Fórmula 1 para ajudar a desenvolver os novos carros. É o caso, por exemplo de Norman Nato , titular da Nissan na F-E e piloto de desenvolvimento da Ferrari.

“Eles (times da F1) estão descobrindo muito sobre gerenciamento de energia”, afirmou António Félix da Costa , titular da Jaguar, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (20). “Temos muitos pilotos da Fórmula E que trabalham nos simuladores da Fórmula 1. Eu mesmo fui procurado.”

Da Costa não deu detalhes a respeito das conversas recentes que teve com a F1, mas citou outros pilotos que toparam o trabalho. Na Red Bull, Sebastién Buemi (Envision) e Oliver Rowland (Nissan) estariam na função. Na Mercedes, o escalado foi Nick Cassidy (Citroen). Segundo Jeff Dodds, CEO da F-E, são seis pilotos do grid que colaboram com a F1.

Em contrapartida, o britânico Arvid Lindblad, titular da Racing Bulls na F1 a partir de 2026, esteve no E-Prix de Jedá para pegar dicas com Rowland - o britânico da Nissan, campeão da temporada 2024/2025 da F-E, é empresário e mentor de Lindblad. O neozelandês Liam Lawson, também da Racing Bulls, já admitiu pedir conselhos ao compatriota Nick Cassidy.

Críticas da Fórmula 1

Segundo o experiente português, os pilotos da F1 têm torcido o nariz para algumas das ferramentas que a Fórmula E utiliza para a leitura de dados de energia dos carros.

“Na Fórmula E, temos muitos bips e luzes que nos ajudam a antecipar informações da bateria – quanto temos de energia, quando temos que regenerar energia”, contou Da Costa. “Tive algumas conversas (com pilotos) que não querem bips e luzes. Eles vão ter que mudar de ideia”, acrescentou.

O holandês Max Verstappen está entre os principais críticos das novas regras da F1. Em entrevista na quinta-feira (19), o piloto da Red Bull afirmou não querer que a categoria se aproxime do que é a F-E . “Quero que continuemos longe disso e que sejamos a Fórmula 1”, afirmou.

O tetracampeão não é o único. Nomes como Fernando Alonso (Aston Martin), George Russell (Mercedes) e Lando Norris também indicaram ressalvas às regras. Para Gabriel Bortoleto, da Audi, “é uma bagunça de botões e mapas de energia para gerenciar enquanto você tenta fazer a curva”. A própria FIA já admite possíveis mudanças antes da temporada .

Mas segundo Da Costa, o desabafo de Verstappen é compreensível. “Max quer tentar de tudo. Sabemos que ele ama estar o mais rápido que puder, dando 100 voltas de uma vez. Ele não disse nada ruim sobre a Fórmula E, só disse que temos uma forma de correr e a Fórmula 1 tem outra.”

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