Há sete anos, Letícia conheceu dois irmãos opostos: Marcelo, o homem calmo e estável, e Bruno, o sedutor impulsivo. A moça acabou casando com Marcelo, que era o "certo", mas nunca esqueceu o "errado".
Anos depois, Bruno reapareceu, despertando nela sentimentos adormecidos. Letícia cedeu à tentação e iniciou um caso com o cunhado, vivendo dividida entre a segurança do marido e a intensidade da traição.
Nem sempre o certo é suficiente. Às vezes, o que é bom demais cansa. E o que é errado demais atrai e vira tudo do avesso.
Faz uns sete anos que a minha vida mudou. Era uma noite comum. Eu tinha saído com algumas amigas para uma baladinha. Naquele dia, estava rolando um aniversário no bar e, eu e minhas amigas, acabamos conhecendo o pessoal da festa. Entre as pessoas, estavam dois irmãos: o Marcelo e o Bruno. Eu só acreditei que eles eram irmãos quando me mostraram o RG, porque eu nunca tinha visto dois homens tão diferentes na vida. E não digo só na aparência, mas também no jeito de ser. Enquanto o Marcelo estava sentado num canto, visivelmente retraído, envergonhado, desconfortável, o Bruno dançava, ria, bebia e conversava com todo mundo.
Percebi que os dois tinham se interessado por mim e foi engraçado ver a disputa entre irmãos. Enquanto o Marcelo, todo educado, vinha me oferecer bebida ou perguntar se eu queria me sentar para descansar, o Bruno me tirava para dançar, falava no meu ouvido, fazia charme e piadas como se me conhecesse há anos. Os dois eram bonitos, cada um à sua maneira. Mas a verdade é que o Bruno fazia muuuuito mais o meu tipo.
Mesmo percebendo o interesse dos dois, nada rolou com nenhum deles naquela noite. Primeiro, porque ficou uma situação estranha entre os irmãos, e segundo, porque eu nunca fui dessas de sair com alguém que acabei de conhecer na noite. Eles me adicionaram nas redes sociais ali mesmo, no bar, e eu tinha certeza: o primeiro a me mandar mensagem no dia seguinte seria o Bruno.
Mas eu estava enganada.
A mensagem chegou antes mesmo do dia amanhecer...
E veio do outro irmão. Do Marcelo.
Confesso que, mesmo tendo achado o Bruno mais o meu estilo, eu não ignorei a mensagem do Marcelo. Ele foi tão gentil, respeitoso... e eu também descobri nele um homem responsável, trabalhador, família, tranquilo. Me contou que era gerente de loja, morava sozinho desde os 19 anos e ainda ajudava os pais nas contas. Maduro, sabe? Dava pra ver que era um homem maduro. Diferente da maioria dos caras da nossa idade, que só quer saber de festa.
O Marcelo era tão diferente que demorou alguns dias para tomar a iniciativa de me chamar para sair. Enquanto isso, eu tava crente que o Bruno também ia me procurar, mas ele nunca deu sinal de vida. Cheguei a perguntar para o Marcelo, como quem não quer nada, sobre o irmão, mas ele só disse que o Bruno era um desequilibrado e não falou mais nada. Eu dei uma enrolada porque, no fundo, ainda tinha uma pontinha de esperança de receber uma mensagem do Bruno. Era como se o meu coração tivesse escolhido um, mas a cabeça dissesse que talvez o outro fosse o certo.
Depois de mais alguns dias e sem notícias do Bruno, resolvi aceitar sair para jantar com o Marcelo. Não posso mentir: fui para o encontro ainda meio dividida, mas com uma sensação de que talvez a escolha certa nem sempre seja aquela que faz o nosso coração bater mais forte, mas sim a que o faz bater tranquilo.
Saímos para jantar e foi melhor do que eu esperava. O Marcelo foi um cavalheiro desde o primeiro momento. Me buscou em casa, abriu a porta do carro, escolheu um restaurante tranquilo, me elogiava sem ser indelicado, mostrava que realmente estava interessado em me conhecer. Parecia que ele estava ali de verdade, presente. Não era só mais um encontro à toa, com segundas intenções...
Ah! Eu me encantei.
Nos dias seguintes, a gente foi se vendo mais, saindo mais, se conhecendo mais. Ele era simples, leve, fácil de gostar. Eu nunca tinha sido tão bem tratada por um homem. Às vezes, me pegava sorrindo no meio do dia só por receber uma mensagem dele... e aí fui me permitindo e, quando vi, já era praticamente um namoro.
— Eu quero que você conheça a minha família, Letícia.— Ah, eu já conheço seu irmão...— Esse não conta. O Bruno é um desequilibrado. Eu quero que você conheça os meus pais.— Mas por que você tá falando assim do seu irmão?— Porque é a verdade. Ele é um irresponsável. Nunca quis saber de nada na vida. Faz umas semanas que teve uma briga horrível com o meu pai e resolveu ir para o interior. A gente nem sabe onde ele está. Melhor assim. A vida inteira ele só deu trabalho.
A verdade é que, lá no fundo, existia uma pequena dúvida. Aquele “E se” que a gente tenta ignorar.E se tivesse sido o Bruno?E se ele tivesse me chamado para sair primeiro?E se eu tivesse dado um jeito de me aproximar dele?Como teria sido?
Mas como as coisas estavam indo muito bem com o Marcelo, fui aprendendo a não ouvir essa voz. Descobri que a relação do Bruno com a família era muito complicada e entendi que o universo tinha facilitado as coisas pra mim, fazendo com que fosse o Marcelo a me procurar primeiro.
O namoro deu certo. Deu muito certo. O Marcelo era aquele tipo de homem que a gente sonha, mas nem acredita que existe de verdade. Atencioso, presente, companheiro, me fazia sentir segura, valorizada e amada. Ele realmente era muito diferente de mim, como percebi desde o primeiro dia, mas me fazia feliz.
Depois de um ano juntos, veio o pedido... Simples, como tudo com o Marcelo, mas eu disse "sim" com o coração calmo e cheio de certeza. Casamos em um sítio, numa festinha simples só para a família. O Bruno, claro, não apareceu. Ninguém sabia nem onde ele estava.
A vida seguiu. Alugamos um apartamento e começamos até a planejar ter um filho. Eu realmente achei que aquele era o meu final feliz. E, por um tempo, foi mesmo. Até que, um dia, depois de alguns anos de casamento, o Marcelo chegou em casa transtornado.
— Aquele cara. Aquele cara voltou.— Que cara?— O Bruno. Chegou lá na casa dos meus pais como se nada tivesse acontecido.— Nossa! E aí?— E aí que meus pais não falaram nada. Deixaram ele ficar. É muita folga... Por isso que ele nunca muda. Meu pai e minha mãe têm memória fraca. Sempre perdoam tudo.— Mas por que você tá tão nervoso? É seu irmão...— Porque eu sei que, quando ele tá por perto, sempre vem problema junto.
Naquele dia, Marcelo estava tão irritado que mal conseguiu jantar. Ficou andando pela sala, reclamando sozinho, xingando o irmão em voz alta, e eu só observando. No fundo, eu achava um exagero. Tudo bem que o Bruno tinha sumido, mas ainda assim… era irmão dele.
Naquele momento, juro, eu não senti nada. Meu casamento ia bem, minha vida estava toda estruturada. Fazia anos que eu não via o Bruno. Aliás, só tinha visto mesmo uma vez na vida. Mal me lembrava dele. Mas confesso que fiquei curiosa para ver como estava o meu cunhado. Por alguns dias da minha vida, me interessei tanto por ele... Tanto que cheguei até a enrolar o Marcelo, esperando que o irmão me procurasse.
Naquela mesma semana, fomos jantar na casa dos meus sogros e eu finalmente tive o meu segundo encontro com o Bruno. O segundo encontro que eu quis tanto ter no passado. Ele riu, me abraçou, brincou comigo como naquele primeiro dia. Como se a gente se conhecesse bem desde então. Tirou sarro dizendo que eu tinha escolhido o certinho da família.
Eu quase respondi que ele é que não me procurou, mas percebi a tempo que não era uma boa. A verdade é que o meu corpo ficou agitado na presença do Bruno. Ele continuava lindo e charmoso. Mexeu... mexeu comigo. E aquele “e se” voltou a me atormentar.
E, para piorar, na hora de ir embora, ele se despediu de mim e falou no meu ouvido, igualzinho naquele primeiro dia. E falou, com a maior cara deslavada, que eu estava muito mais bonita do que antes e que não sabia como eu aguentava o chato do irmão dele.
Eu me tremi inteira. Voltei para casa e fui dormir pensando no Bruno, lembrando como fiquei decepcionada quando ele não tinha me procurado antes.
Nos outros dias, tentei focar na minha rotina, na minha vida, mas o meu cunhado estava grudado na minha cabeça. Não era paixão, muito menos amor. Mas era alguma coisa. Um calor estranho, um incômodo gostoso de sentir.
A gente voltou a se encontrar e, a cada vez, essas sensações ficavam mais fortes. Ele era tão diferente do Marcelo! Tinha um espírito livre, divertido... Não tinha como ficar indiferente a ele.
Casei com o Marcelo porque era o certo. Ele era o certo. Mas agora... agora o errado estava ali. Ali perto. Sorrindo pra mim como se o tempo não tivesse passado. Cada dia que passava eu me desmontava mais. E, sem perceber, comecei... comecei a fantasiar. Fantasiar muitas coisas com o meu cunhado. E foi aí que a vontade veio com força.
Eu sei que parece errado. E é. Mas tem coisa que não dá pra explicar.
Tentava, de verdade, esquecer, me afastar, me blindar. Só que cada vez que a gente se encontrava, cada vez que ele me olhava daquele jeito, era como se o mundo parasse por um segundo e subisse aquele calor outra vez. Ele me chamava de "cunhadinha", rindo, como se soubesse o que eu estava pensando e sentindo. Eu ficava vermelha por dentro e por fora.
Até que teve um dia... meu Deus, que loucura! Um dia, na casa da minha sogra, a gente se esbarrou no corredor. Ele sorriu e eu, de repente, não pensei em mais nada. Eu... eu mesma puxei ele para o banheiro e a gente se beijou com uma paixão, com uma intensidade, que eu nunca... nunca tinha experimentado. Beijei o Bruno como se esperasse por isso há séculos.
Foi errado. Muito errado.Mas foi bom. Muito bom.
— Tá tudo bem, Letícia? Onde você estava? Nossa... você tá quente.— Tô bem... é só... só calor.— Você quer uma água? Quer alguma coisa?— Quero, Marcelo. Quero sim.— Senta aqui, meu amor. Acho que você não tá bem, não.
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