Sandra e Gabriel se apaixonaram na adolescência, enfrentaram a rejeição dos pais e foram separados à força. Após 28 anos, o reencontro prometia um novo começo. Mas o que parecia ser a chance de viverem, enfim, esse amor, logo se tornou um novo pesadelo.Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta quarta-feira, 18 de junho.
Você acredita em almas gêmeas? Naquelas histórias em que duas pessoas nascem uma para a outra e estão destinadas a se amar para sempre?
Pois eu acredito. E sei, com todas as forças, que eu e o Gabriel nascemos um para o outro. Só que, no nosso caso, o destino até junta… mas o mundo insiste em separar. Mesmo assim, eu nunca desisti desse amor. E nunca vou desistir.
Em 1994, eu tinha 15 anos, dava aula de balé de manhã e estudava à noite. Eu sempre voltava para casa no mesmo ônibus e no mesmo horário. Sempre. Foi assim que o Gabriel entrou na minha vida. Ele pegava o mesmo ônibus que eu. No começo, ele só sentava perto, depois começou a puxar conversa e, logo, passou a carregar as minhas coisas.
Quando eu percebi, a gente já estava apaixonado um pelo outro. Ele fez tudo bem direitinho, como manda o figurino, e foi até a minha casa pedir a minha mão em namoro. Depois, passou a me levar todos os dias para a escola, me trazia presentes, fazia café pra mim... Ele era um namoro doce, carinhoso, o tipo de cara que toda menina queria ter e eu tinha certeza de que tinha encontrado o amor da minha vida.
Romance adolescente interrompido pela família
Mas aí os problemas começaram. O namoro começou a incomodar os meus pais, que diziam que, se eu ficasse com ele, eu não teria futuro, já que ele era pobre. Meu pai fazia questão de falar que, por ele ser padeiro, não tinha como crescer na vida. Eles estavam complicando tanto que eu fiz uma loucura: sem a permissão dos meus pais, fui morar com o Gabriel. Foi loucura, sim. Mas foi a melhor fase da minha vida.
Só que, um belo dia, os meus pais surtaram. Meu pai era árabe e muito rígido. Um dia apareceu na nossa casa dizendo que eu não ia mais ficar ali e que ia embora com ele. Eu tentei argumentar, disse que tava bem, feliz, que tava construindo minha vida, até menti que tava grávida! Mas meus pais me tiraram de casa à força e me arrastaram até o carro. Meu pai gritava que eu era menor de idade e que, se eu insistisse em ver o Gabriel de novo, ele ia fazer uma denúncia.
Foi terrível... Nós ficamos muito abalados. Principalmente o Gabriel, que... que até tentou acabar com a própria vida. Eu adoeci. Fiquei trancada dias no quarto, sem comer, sem falar, só chorando. Chorando de saudade. Chorando por não entender por que meus pais estavam me impedindo de ser feliz. Eu até tentei fugir, mas o meu pai descobriu e decidiu me colocar em uma escola de freiras e, mesmo tentando, eu não conseguia mais ter contato com o Gabriel. Foi como se... como se eu tivesse sido enterrada viva.
A separação forçada e o silêncio que durou anos
Depois de quase um ano naquela maldita escola, eu finalmente pude sair e a primeira coisa que eu fiz foi correr atrás do Gabriel que, para a minha surpresa, estava... estava com outra pessoa. E ela, além de tudo, estava grávida. É... meu coração se despedaçou de um jeito que eu nem sei explicar. Era como se tudo dentro de mim tivesse morrido.
Mas, se ele tinha conseguido seguir em frente, eu precisava tentar também. Como eu não queria contato nenhum com os meus pais, eu fugi e cheguei até a morar na rua. Eu perdi... perdi o gosto pela vida, perdi a vontade de viver. Porque só quem já perdeu um amor verdadeiro sabe o buraco que fica na alma.
Eu fui levando a vida com a barriga. Me envolvi com outros homens, tive filhos, mas não era... não era aquilo, sabe? Nunca foi o mesmo sentimento que eu tive pelo Gabriel. Não era O Gabriel. Apesar de ter ficado com ele quando ainda era muito jovem, o que eu senti por ele foi único, e por isso eu já tava conformada que viveria só para sempre. Sem o Gabriel e sem amor.
Só que toda vez que ele me vinha na cabeça — e olha que era sempre — uma voz dentro de mim me dizia para ir atrás dele. Mas eu tinha medo... e assim 28 anos se passaram. Vinte e oito!
Reencontro após 28 anos reacende esperança
Até que, no ano passado, no Dia dos Namorados, eu saí de casa pra buscar uma roupinha pro meu filho, mas, por distração, desci no ponto errado. Eu fui andando desligada até o ponto certo e aí eu ouvi... ouvi uma voz que eu conhecia. Uma voz que eu reconheceria mesmo depois de mil vidas.
– Sandra? Sandra???
– Ga... Ga...
– Meu Deus, Sandra! Quanto tempo!!! Meu Deus, você está tão linda! Sandra, eu...
– Eu nunca te esqueci. Nem por um minuto nesses 28 anos. Eu nunca te esqueci.
– Eu também, Sandra. Eu juro que eu também.
Foi assim, de supetão, porque a sensação era a de que eu não podia perder nem um segundo. Eu e o Gabriel fomos tomar um café e conversamos por horas. Eu contei da minha vida e ele também. Ele tava solteiro, como eu, e disse que achou que eu tinha desistido dele ou até que tivesse morrido.
Depois desse dia, a gente não desgrudou mais. Foram meses juntos de pura alegria. Finalmente, a gente tava vivendo tudo aquilo que foi tirado de nós. O que eu não podia imaginar é que, de novo, iam tentar separar a gente.
O dia 7 de dezembro do ano passado foi o último dia que nós estivemos juntos. Depois disso, ele precisou viajar a trabalho e, no dia 11, sumiu. Passou um dia e nada. Dois, três... seis, uma semana e nada! O celular só dava desligado e eu tava desesperada. Eu falei com alguns amigos dele, que também não sabiam de nada.
Até que eu consegui o telefone do pai dele e liguei. O meu coração batia como se eu já soubesse. E aí, quando ele atendeu, ele disse que o Gabriel tinha sofrido um derrame e estava internado.
Derrame, internação e novo afastamento
Eu fiquei em estado de choque. Aquilo não fazia sentido! O Gabriel? Derrame? Internado? E o pior de tudo foi que, como eu tava passando por alguns problemas de saúde naquele momento, eu não podia ir até ele.
Cada dia que passava, a minha angústia aumentava. E eu tinha que esperar. Esperar como se fosse possível dormir tranquila sabendo que ele tava entre a vida e a morte. Era uma tortura.
No dia 29 de dezembro, eu finalmente consegui visitar o Gabriel. Ele tava ali, muito ruim, muito frágil. Ele tinha acabado de sair do coma e tava muito confuso.
– Ahn? Oi?
– Gabriel... sou eu! Você... você lembra de mim?
– É... sim... claro.
– Mesmo? Quem eu sou?
– A Sandra. O amor da minha vida.
– Ah, graças a Deus! Eu te procurei tanto. Que desespero. Eu nunca mais vou sair de perto de você.
– Agora você me encontrou... é o nosso destino sempre se encontrar.
Eu fiquei o dia todo com ele! Foi um alívio ver o Gabriel acordado. Naquele dia, no hospital, eu conheci a família toda dele, inclusive a filha. Depois, eu passei aquela virada de ano com ele, e sempre que eu o visitava, ele segurava a minha mão e não queria soltar por nada, como se tivesse medo de me perder outra vez.
Mas no dia seguinte, quando eu cheguei para visita, a família dele não queria mais me deixar entrar. Do nada, eles mudaram, não queriam que eu chegasse perto, e a mãe dele ainda disse que eu não precisava mais ir porque a ex-mulher dele tava lá e ia cuidar dele.
Eu tentei voltar várias vezes e em nenhuma me deixavam subir. E não era só comigo. O melhor amigo dele também foi impedido de entrar.
Vários dias se passaram e eu desesperada para ver o Gabriel. Era como se, mesmo depois de tudo que a gente já tinha enfrentado, o universo ainda insistisse em manter a gente afastado. Com todo esse estresse, o meu estado de saúde piorou muito. Até hoje eu não tenho um diagnóstico, mas eu simplesmente não consigo me alimentar.
A única coisa que acalmava um pouco o meu coração era o fato de conseguir ter algumas notícias do Gabriel através da filha dele. Foi assim que eu soube que ele tinha sido transferido de hospital e, sem nem pensar duas vezes, eu corri para tentar vê-lo. Quando ele me viu, ele me abraçou, me beijou, e não queria me soltar.
– Meu amor, que saudade!
– Gabriel, como você tá? Sua família está me impedindo de te visitar. Eu não sei o que aconteceu. Fica com o celular pra gente poder se falar.
– Eu vou, amor, eu v...
E bem aí a família dele chegou. A mãe dele foi dizendo que eu não podia estar ali porque não era da família. O Gabriel gritava pedindo para não brigar e falando que ele me queria ali porque eu era a namorada dele. A ex-mulher se meteu, falou que era da família, mas eu não.
Vendo tudo aquilo, eu fiquei com medo de o Gabriel se exaltar e acontecer alguma coisa, então eu fui embora. Eu dei um beijo nele e prometi que ia voltar, mas... mas foi o último dia que eu o vi.
Todo dia. Todo santo dia, eu tentava visitar. E todo dia era a mesma resposta: “Você não pode subir.” Eu chamei a assistência social, procurei o hospital, pedi ajuda. Mas nada adiantava. E o mais revoltante era saber que ele queria me ver. ELE que me queria lá! E mesmo assim não deixavam.
Mas isso não me impediu. Eu continuei indo todos os dias, nem que fosse só pra ficar na porta. E aí, um dia, soube que ele tinha tido alta. Eu fui direto pra casa dele correndo. Bati, chamei, esperei. Nada.
Dias depois, um amigo dele me disse que tinham levado o Gabriel à força para Pernambuco, para uma cidadezinha bem pequena, longe de tudo. Eu não conseguia acreditar! Fizeram tudo isso por egoísmo, para afastar a gente, para terem controle sobre tudo.
Sem saber mais o que fazer e no meio do meu desespero, eu entrei em contato com o Valtinho, do programa "Eu Te Encontrei", e consegui o contato de um irmão do Gabriel que disse que ele está perdendo a vontade de viver. Esse não é o Gabriel. Esse não é o meu Gabriel.
Quando ele vivia aqui em São Paulo, ele era feliz! O que ele tem é tristeza! Ele precisa voltar. A vida dele é aqui. Eu tô aqui, os amigos estão aqui, o trabalho é aqui.
Mas faz quatro meses que tudo aconteceu e continuam escondendo o Gabriel do mundo. Eu já mandei várias cartas para todos os lugares que eu podia, até para a secretaria da cidade. Eu faço tudo o que eu posso para encontrar o Gabriel, mas até hoje eu não entendo o que aconteceu e por que a família dele está fazendo isso.
Isolamento, denúncias e a busca por respostas
A gente se ama e as pessoas precisam entender e respeitar isso. Minha saúde está péssima. Eu tô muito doente e o meu maior medo hoje é morrer sem ter a oportunidade de reencontrar o Gabriel e viver ao lado dele. Eu só queria poder falar com ele, queria um vídeo, alguma coisa, qualquer coisa!
Gabriel, eu não te esqueci, eu não te abandonei, eu não vou deixar de te procurar. Eu vou fazer o que for preciso porque você está no meu coração. Você É o meu coração e eu vou te encontrar.
Eu tenho tatuado na pele "SANDRA E GABRIEL, AMOR SEM FIM" e não é em vão. Eu vou honrar essa tatuagem. Eu vou honrar o nosso amor. Eu vou continuar tentando.
Porque, no fim das contas, eu e o Gabriel sempre encontramos um ao outro. A vida pode ter nos separado mil vezes, mas nosso amor sempre deu um jeito de sobreviver.
*Texto gerado por Inteligência Artificial e revisado pela redação de Band.com.br.
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