Eliabe e Fernanda enfrentaram a dor mais profunda ao perderem o filho Eduardo durante a gestação por negligência médica. Mesmo abalados, reconstruíram a vida, formaram nova família e decidiram transformar a perda em alerta e amor.Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta terça-feira, 15 de julho.
Tem histórias que a gente nunca gostaria de ter que contar. Mas algumas dores, quando são compartilhadas, podem virar alerta, consolo… ou até esperança.
Eu e a Fernanda nos conhecemos ainda na adolescência, só com 17 anos. Foi em um evento gospel e a conexão entre a gente aconteceu assim, num piscar de olhos. Mesmo tão novos, nós dois já tínhamos muito claro nas nossas cabeças o que nós queríamos para a vida. Sonhos parecidos, planos parecidos, a vontade de formar uma família… Foi isso que uniu a gente de cara.
O amor só veio depois. Mas quando veio, foi de vez.
O tempo foi passando e, depois de alguns anos juntos, a gente decidiu dar um passo maior.
Nós resolvemos oficializar tudo de vez e casar. Foi um momento de muita alegria pra nós dois. Muita mesmo.
Muita gente pode até achar que casar aos 22 anos é cedo demais, mas a verdade é que a gente já sabia muito bem o que queria. Nós estávamos certos do nosso caminho, dos nossos planos e, principalmente, do amor que a gente sentia um pelo outro.
Um ano depois de a gente se casar, veio a notícia que a gente tanto esperava: a Fernanda estava grávida! Foi uma felicidade que não dá nem pra explicar direito. A gente ficou empolgado, ansioso, emocionado, tudo junto.
Nós começamos a amar aquele bebê desde o primeiro instante, antes mesmo de ver o rostinho dele. E quando descobrimos que era um menino, aí foi mais emoção ainda!
— Meu amor, eu já tô aqui pensando em alguns nomes...
— Hum, me diz. O que você pensou?
— Eduardo! O que você acha de Eduardo?
— Acho lindo! Eu confesso que também tava na minha lista!
— Então está decidido! Vamos preparar tudo para a chegada do nosso Eduardo.
O nome Eduardo nasceu com o sonho
A chegada do nosso filho já era esperada com todo amor do mundo. Os preparativos estavam a mil... enxoval, quartinho, tudo que nosso Eduardo merecia tava sendo preparado com carinho, com fé, com o coração cheio. Nossa! A empolgação e a ansiedade só aumentavam.
Estava tudo indo bem. Mas aí veio o quinto mês e com ele, o primeiro sinal de que alguma coisa tava fora do lugar.
Aquele dia tinha tudo para ser como outro qualquer. A gente estava trabalhando, fazendo uma entrega, tudo dentro do normal. Mas, do nada, a Fernanda começou a passar muito mal. Foi tudo muito rápido.
— Eliabe, eu não tô bem. Tem alguma coisa acontecendo!
— O que foi, Fernanda? É enjoo?
— Não! É pior. É alguma coisa muito estranha. Tem alguma coisa errada... Eu sei que tem!
— Calma, meu amor. Vamos para o hospital agora.
— Eliabe, eu tô com medo. Eu tô com medo!
O rosto dela mudou, ela ficou pálida, com falta de ar… Na hora, meu coração disparou e eu corri com ela para o hospital. Eu só conseguia pensar em uma coisa: que não fosse nada grave, que não tivesse nenhum problema com o nosso filho. Era tudo o que eu pensava. Era tudo o que eu pedia a Deus.
“Eclâmpsia”: uma palavra que mudou tudo
Chegando no hospital, a Fernanda foi logo atendida e fizeram todos os exames de emergência. Como ela estava grávida, o caso teve prioridade, e por um segundo… a gente respirou aliviado.
Mas foi só por um segundo mesmo.
O médico chamou a gente pra conversar e, quando olhei no rosto dele, eu soube. Eu soube que tinha coisa ruim vindo.
A partir daquele momento, tudo mudou. E não foi pra melhor.
O que parecia só um mal-estar era, na verdade, uma subida violenta na pressão. E foi ali, naquela sala, que nós ouvimos uma palavra que até hoje causa arrepio na gente: eclâmpsia.
Na hora, tudo em mim congelou. Eu nem sabia o que era, mas aquilo parecia grave, perigoso. E era.
O caso era bem mais grave do que a gente imaginava. E, sinceramente, eu daria qualquer coisa pra nunca ter conhecido o significado daquela palavra. Pelo menos, não daquele jeito.
A gente tentou manter a calma, tentou ser forte, mas por dentro eu tava apavorado porque o médico explicou que era muito sério e que poderia causar morte do nosso filho e até da Fernanda.
Um erro no hospital e a tragédia anunciada
A minha esposa começou o tratamento, mas eu vou ser bem sincero... nada parecia fazer efeito. Nenhum dos remédios dava conta e cada dia era uma luta diferente. Uma batalha pela vida dela e pela vida do Eduardo, que nem tinha nascido e já era um guerreiro.
O tempo foi passando e as complicações foram ficando.
A gente tentava ter esperanças, mas a cada semana vinha uma nova tensão.
Mas nada... nada se compara ao que aconteceu no oitavo mês.
A Fernanda começou a sentir uma dor muito forte no pé da barriga e nós corremos para o hospital.
Só que chegando lá... eu nem conseguia acreditar! Ali começou o que eu nunca vou esquecer.
Não tinha nenhum obstetra de plantão e quem atendeu a Fernanda foi um pediatra. Sim, um pediatra. Mas isso nem era o pior. O pior era que ele tava fazendo pouco caso, tratando aquilo como se fosse qualquer coisa, qualquer bobagem. Ele não chamou um especialista, não passou nenhuma medicação específica para estabilizar a pressão que tinha subido muito... nada! NADA! A gente tava vendo ela piorar na nossa frente e ninguém fazia nada. Meu Deus do céu, foi desesperador.
A situação só piorava... A placenta se rompeu e a Fernanda começou a ter uma hemorragia interna.
Os médicos a internaram às pressas para ver o que ainda poderiam fazer.
Como eu não podia ficar com ela, depois de muitas horas que eu tava esperando, o doutor me falou para ir para casa descansar um pouco.
Como se isso fosse possível, né?
Ele insistiu, disse que ligaria qualquer novidade e eu fui para casa com o coração apertado... Mas óbvio que eu não preguei o olho. Meu corpo podia ter ido embora, mas meu espírito ficou no hospital. Eu só conseguia pensar neles. Na Fernanda e no Eduardo.
Eu rezei... só Deus sabe o quanto eu rezei para que eles ficassem bem.
Era por volta de 4 da manhã quando o telefone tocou. Era... era do hospital.
Era alguém me falando para ir para lá porque minha esposa tinha tido uma parada e estava sendo submetida a uma cirurgia de emergência.
Nem que eu tente eu vou conseguir explicar o que eu senti naquele momento. Foi como se apagassem a luz do mundo.
O caminho até o hospital parecia eterno. Meu coração parecia que ia sair pela boca, as minhas mãos suavam, meu peito tava apertado, eu tinha um nó na garganta. Que angústia... Que medo! Eu só rezava!
Quando eu finalmente cheguei, eu saí que nem um louco procurando alguém para me dar informação, mas nada... nada me preparou para o que eu ouvi.
O médico olhou pra mim e... e falou que eu precisava ser forte porque... eles tinham feito o possível para salvar a Fernanda e o meu filho, mas foram... foram muitas complicações e... e minha esposa tava se recuperando, mas... mas... meu Deus do céu... infelizmente o Eduardo tinha nascido já sem vida.
Tudo ao meu redor ficou mudo. Eu não escutava mais nada. Eu só sentia o mundo desmoronando dentro de mim.
A dor eterna de um filho que não viveu
O nosso Eduardo… Nosso sonho mais bonito, mais esperado… Nasceu sem vida.
Minha esposa, por um fio, também quase se foi. E eu... Eu só conseguia pensar que tudo aquilo podia ter sido evitado. A gente perdeu o nosso filho por negligência. Por descaso. Por um atendimento que falhou justo na hora em que a gente mais precisava.
As semanas que vieram depois foram de silêncio, de dor, de um vazio que eu nem imaginava que podia existir. A Fernanda tentava ser forte, mas eu via nos olhos dela o mesmo buraco que tava crescendo dentro de mim. O luto bateu forte na nossa porta e entrou sem pedir licença, e a saudade chegou para nunca mais ir embora.
Até hoje, eu carrego no peito o vazio daquele filho que eu nunca pude segurar nos meus braços. O filho que eu imaginei mil vezes correndo pela casa, me chamando de pai.
O Eduardo nunca respirou fora da barriga da mãe, mas ele vive em mim. Ele é, e sempre vai ser, o meu eterno amor.
— Como vai ser agora?
— Eu não sei, Fernanda. Mas eu tô com você. A gente. Tá junto e vai conseguir.
— Eu tenho minhas dúvidas... eu não sei como seguir!
Um recomeço com o nome do primeiro filho
Depois de tudo, a gente decidiu recomeçar a vida em outro lugar e foi lá que, aos poucos - bem aos poucos mesmo - a gente começou a se reconstruir.
A dor ainda tava ali, é claro... e acho que vai estar pra sempre. Mas o sonho de sermos pais nunca morreu. E foi assim, com o coração mais forte, mas ainda machucado, que veio a notícia de uma nova gravidez. Mais um menino.
E o nome, a gente já sabia: Carlos Eduardo.
Era a nossa forma de manter o nosso primeiro filho vivo com a gente, de homenageá-lo, de dizer para o mundo que ele existiu, que ele foi amado, e sempre será.
Dois anos depois, veio o Gustavo. Outro presente. A nossa outra paixão.
A gente quis contar essa história não só pra dividir um pedaço da nossa vida, mas pra deixar um alerta: A pressão alta na gravidez é muito séria. Muito.
Se cuidem. Não deixem pra depois. Procurem médicos de confiança, façam acompanhamento de perto, falem sobre qualquer sinal que pareça fora do normal.
A gente sabe, na pele, o preço que se paga quando o cuidado chega tarde demais...
Hoje, quando eu olho pra Fernanda e para os nossos filhos, eu vejo que o amor é, sim, capaz de vencer a dor. A gente sofreu, a gente chorou, mas a gente não desistiu.
O Eduardo não está aqui fisicamente, mas ele vive em tudo. Nas nossas lembranças, nos nossos gestos, no nosso jeito de amar e nas estrelas que eu olho toda noite, tentando adivinhar qual delas brilha por ele.
A vida nem sempre segue o plano que a gente faz.
Às vezes, ela destrói nossos sonhos no meio do caminho e deixa a gente perdido, sem chão. Mas também é verdade que, mesmo nos dias mais escuros, Deus não solta a nossa mão.
Foi Ele quem nos sustentou quando tudo parecia perdido. Foi Ele quem nos deu forças quando a gente só queria desabar. Foi Ele quem nos mostrou que, mesmo depois da dor mais profunda, ainda pode nascer amor.
A ferida de perder um filho nunca fecha de verdade. É uma cicatriz que a gente simplesmente aprende a carregar. E se hoje a gente consegue sorrir de novo, não é porque esquecemos o Eduardo… É justamente porque lembramos dele todos os dias.
Ele nos ensinou a amar mais fundo, a lutar com mais fé, a viver com mais propósito.
Essa história é dele.
É nossa.
E é de todo mundo que já chorou por um amor que não pôde viver.
Mas que, mesmo assim, continua existindo... eterno e cheio de luz.
*Texto gerado por inteligência artificial e revisado pela redação de Band.com.br.
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