Band FM

Ela sobreviveu a acidente, teve o rosto destruído e virou modelo

Cris sobreviveu a 11 fraturas no crânio, reaprendeu a andar e desafiou o etarismo para realizar seu maior sonho; veja no Quem Ama Não Esquece

Da redação*

DA REDAÇÃO*

11/07/2025 • 15:09 • Atualizado em 11/07/2025 • 15:09

Após um grave acidente que a deixou em coma e com o rosto destruído, Cris, uma dentista de sucesso, largou a profissão para se reinventar como modelo aos 46 anos. Aos 50, entrou para a história como a primeira brasileira a concorrer ao Miss Brasil com cabelos grisalhos — e uma coragem ainda maior que sua beleza. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta sexta-feira, 11 de julho.

Quando a vida te dá uma segunda chance, você não volta igual. Você volta melhor.

Porque segunda chance não é sorte. É propósito.

E a gente tem que honrar.

Desde criança, eu era ligada em arte. Daquelas que fazem um rabisco e já enxergam um mundo inteiro! Eu puxava minhas irmãs pra brincar de teatro, cantava o dia inteiro, adorava inventar coisas com as mãos, não tinha vergonha de nada!

Minha mãe, quando era jovem, foi Miss da cidade dela. Então a gente cresceu nesse ambiente de beleza, criatividade. Moda sempre foi um assunto dentro de casa e, desde pequena, eu já sonhava com esse mundo. Mas aí vieram os 18 anos, aquela fase em que a gente tem realmente que decidir o que vai fazer da vida, e o meu pai, preocupado com o meu futuro, me convenceu a ir por outro caminho. Ele não achava uma boa ideia me envolver com essas coisas e dizia que o mais importante era buscar uma profissão sólida e estável.

Eu resolvi ouvir o meu pai e entrei na odontologia. No fundo, tinha até um pouco a ver comigo, porque era um trabalho manual, coisa que eu sempre fui boa, e, além disso, eu também gostava de cuidar das pessoas.Mas, mesmo fazendo o curso, eu não deixei a arte de lado. Eu cantava em barzinhos à noite, montei um estúdio de foto e ainda consegui um emprego vendendo produtos na televisão, mas sem deixar de me dedicar à odontologia.

Só que aí chegou uma hora em que eu precisei decidir. Arte ou odontologia.

As duas coisas eu fazia com paixão, mas enquanto uma me alimentava a alma, a outra pagava os boletos. Eu amava cantar, criar, me jogar… mas eu não fazia ideia de como transformar aquilo numa carreira de verdade. Já a odontologia tava ali, firme, com caminho certo e dinheiro entrando.

No fim das contas, eu fui pelo que era mais seguro. Me formei e me joguei de vez no consultório.

Assim que eu me firmei na profissão, a coisa deslanchou. Eu comecei atendendo em clínicas de outras pessoas, depois fui pra um cantinho só meu e, quando vi, já tinha montado uma clínica com doze profissionais trabalhando comigo e agenda lotada. Tudo aconteceu muito rápido e eu sabia que não era todo mundo que tinha essa sorte, então eu tratei de agarrar cada chance que aparecia com unhas e dentes.

Eu montei o meu próprio curso, comecei a dar palestras – até fora do Brasil – e me tornei uma dentista de muito, muito sucesso.

Mas aí... aí veio 2018 e a minha vida virou do avesso.

Um acidente absurdo e 11 fraturas no rosto

Eu tinha combinado com uma amiga de ir num show que a gente esperava fazia tempo. Eu tinha me programado o mês inteiro pra aquele dia. Eu me arrumei toda, tava feliz, animada, contando os minutos. Só que, quando eu tava descendo a escada do shopping pra encontrar com ela, tudo aconteceu...

Um homem tropeçou atrás de mim, caiu, e eu acabei servindo de colchão pra ele.

Eu caí de cara e, na mesma hora, entrei em convulsão.

Eu não lembro de nada. Nada. A única coisa que ficou na minha cabeça foi aquela última cena, eu descendo a escada. O resto eu só sei porque me contaram depois.

Na hora que eu caí, juntou um monte de gente ao meu redor e, no meio da confusão, roubaram minha bolsa com todos os meus documentos. A sorte, se é que dá pra chamar assim, é que o homem que caiu em cima de mim pegou o meu celular e colocou de volta no meu bolso.

Mesmo assim, eu fui levada pro hospital sem identificação e fiquei desaparecida por 19 horas.

A minha amiga e minha irmã ficaram desesperadas. Elas sabiam que eu tinha ido pro shopping, mas ninguém sabia pra onde eu tinha ido depois.

As duas andaram por lá com uma foto minha na mão, perguntando pra todo mundo se alguém tinha me visto e ninguém sabia de nada.

Minha irmã começou a ligar pro meu celular sem parar, mas só horas depois, uma funcionária da limpeza do hospital encontrou o telefone nos achados e perdidos e atendeu.

Foi ela que avisou onde eu tava.

Quando a minha irmã chegou no hospital, os médicos pediram para ela ir de maca em maca, tentando me reconhecer. Ela... ela me encontrou. Ou melhor, ela encontrou o que tinha sobrado de mim. Eu tava irreconhecível, toda deformada, com o rosto inchado, roxo, completamente destruído. Eu tive 11... 11 fraturas no crânio. A parte de cima do rosto, entre os olhos e as têmporas, foi a mais atingida. Fratura nos ossos frontais, no zigomático, cinco fraturas só no lado esquerdo.

Foram 10 dias em coma induzido e um mês inteiro internada.

Eu acordava às vezes, sabia que tava em um hospital, mas não fazia ideia do que tinha acontecido. Era tudo confuso. O que eu mais ouvia era que ninguém sabia como eu ia ficar. Nem os médicos tinham resposta e meu caso virou assunto ali. Todo mundo dizia que era milagre eu estar viva.

E era mesmo.

Um ano inteiro para reaprender a andar

Quando eu voltei pra casa, eu tava numa cadeira de rodas porque uma das fraturas foi num osso do ouvido, que mexe com o equilíbrio. Então, nem andar eu conseguia.

Eu fiquei um ano inteiro dependendo da minha mãe pra tudo. Um ano difícil, dolorido, lento. Meu corpo inteiro doía. Cada parte, cada centímetro, cada movimento. Um ano inteiro!

Eu passava os dias deitada, apoiada em cinco travesseiros, dopada de remédio. Era tanta dor que eu só queria dormir e esquecer que eu tava viva.

Só depois de um ano, eu criei coragem e me forcei a sair daquela cadeira de rodas. Eu comecei no corredor de casa, agarrada nas paredes, me arrastando devagarinho, como quem aprende a andar de novo. Eu achava que tava arrasando, mas na verdade, era só um passinho torto por vez. Mesmo assim, todo dia eu repetia para mim mesma:

"Eu vou conseguir. Eu vou andar de novo."

Passei da cadeira para a muleta. Da muleta para a bengala. Da bengala para o braço da minha mãe.

Foi tudo no tempo do meu corpo. Sem milagre de médico, sem garantia de nada. Um passo por vez, sem saber até onde eu ia conseguir chegar.

Só com fé, força e vontade de não desistir.

Um ano inteiro assim, me recuperando.

“Deus me deu uma nova vida — e eu não podia desperdiçar”

Aos poucos, eu fui voltando para a vida e comecei a entender, de verdade, tudo o que tinha acontecido comigo. Minha cabeça demorou muito pra processar, sabe? Mas minha família… ah, minha família fez tudo parecer mais leve. Eles me rodearam de tanto amor, tanta paciência, que meu único foco era ficar bem. Eu só queria melhorar, pra voltar a ser útil, pra parar de dar tanto trabalho pra minha mãe, que cuidava de mim e ainda das minhas filhas.

Por milagre, eu só fiquei com duas sequelas. A primeira foi a hiposmia, que é a perda do paladar. Eu não conseguia mais diferenciar o gosto das coisas. Salgado, doce, azedo, amargo… tudo era a mesma coisa pra mim.

A segunda sequela foi uma dormência permanente no lado esquerdo do meu rosto. Como se eu estivesse anestesiada o tempo todo. Eu consigo sorrir, falar, tudo normal, mas não sinto. É esquisito. Parece que tem uma parte de mim que ficou desligada.

Mas mesmo com tudo isso, eu fui voltando e retomando a vida que eu tinha.

Eu voltei a atender nos consultórios de colegas, já que a minha clínica eu tive que fechar. Só que cada vez que eu sentava numa cadeira pra atender um paciente, eu sentia um vazio. Aquilo que um dia foi minha paixão já não fazia mais sentido nenhum. Entrar naquele consultório me deixava deprimida. Era como se Deus tivesse me feito renascer e eu estivesse tentando viver a mesma vida de antes.

Não cabia mais, era pequeno demais... era como trair a nova chance que Deus tinha me dado. Eu sentia que algo muito maior tinha acontecido e que eu precisava fazer algo à altura.

Todo dia eu me fazia a mesma pergunta: “Como é que eu vou continuar fazendo a mesma coisa, se eu literalmente renasci?”

Era uma crise. Porque eu gostava da odontologia, amava cuidar das pessoas, mas agora era diferente.

Era como se aquela vida tivesse ficado no passado. Eu tinha sobrevivido a algo que ninguém achava que eu fosse sobreviver. Eu tinha recomeçado do zero.

Como aceitar seguir no automático, fazendo as mesmas coisas de antes, se Deus tinha me dado uma nova chance? Não dava.

Eu sentia, no fundo da alma, que não podia desperdiçar aquilo. Que o recomeço não era à toa.

Eu só ainda não sabia o quê fazer com ele...

Recomeço no mundo da moda aos 46 anos

Foi aí que eu lembrei de uma frase, que sempre mexeu comigo: “Quando tudo parecer perdido, acalma-se e volte ao início.”

Eu me sentei, respirei fundo e comecei a rebobinar minha vida inteira. Onde era o meu início? Quando foi que eu sonhei pela primeira vez?

E a resposta veio: era a arte. Era a moda. Era o palco. Era ser modelo.

Foi aí que caiu a ficha e, naquele momento, com 46 anos, cabelo grisalho e uma história marcada por dor, eu prometi pra mim mesma que eu ia voltar a sonhar, mas dessa vez, eu ia fazer acontecer.

O mundo tava começando a falar sobre mulheres maduras, sobre beleza real, sobre representatividade, mas ainda era pouco. As propagandas continuavam mostrando meninas de 20 anos vendendo produtos para mulheres mais velhas e parecia tudo feito pra gente, mas sem a gente.

E foi aí que eu percebi que era o momento certo pra eu entrar.No mesmo dia em que eu decidi que ia correr atrás do meu sonho, eu fui lá e fiz.

Procurei uma agência pequena, ali mesmo da minha cidade, e topei fazer um trabalho. Um só. Foi o suficiente. Logo depois, eu recebi uma ligação de uma das maiores agências do país.

De repente, eu tava estampando campanhas de beleza, moda, tecnologia... Coisa grande. Coisa que, sinceramente, nem nos meus maiores delírios eu tinha imaginado viver.

A primeira mulher 50+ no Miss Brasil

Hoje, o meu maior desejo não é só desfilar ou aparecer em anúncio. É inspirar outras mulheres. Mostrar para as minhas filhas, que têm 19 e 13 anos, e para tantas outras por aí, que chegar aos 50 não é o fim de nada.

É o começo de muita coisa.

Porque envelhecer não é deixar de ser bonita. Cabelo branco não é desleixo. É estilo. É identidade. É coragem de ser quem a gente é. E eu quero mostrar isso. Todos os dias.

Ano passado, eu escrevi um texto chamado "Nós não somos invisíveis" para chamar atenção para o etarismo e chamou muita atenção. Fez tanto sucesso que eu fui convidada para representar o estado de Rondônia no concurso Miss Brasil. Naquele ano, tinham mudado as regras e, pela primeira vez, mulheres com mais de 50 anos poderiam participar.

Eu recebi o convite a oito dias do fim das inscrições e foi uma correria doida: vestido, maquiagem, ensaio... Mas eu fui.

As outras candidatas me acolheram de um jeito que eu nunca vou esquecer. Porque, no fundo, todas sabiam que um dia, elas também estariam no meu lugar.

Eu estava ali por mim, claro, mas também por cada mulher que já se sentiu ultrapassada e por cada menina que um dia vai envelhecer e vai precisar de uma referência.

Foi assim que eu me tornei a primeira mulher do Brasil, e a terceira no mundo, a participar de um concurso de beleza com mais de 50 anos.

E que orgulho de dizer isso!

A minha história não é sobre beleza. É sobre coragem. É sobre recomeço, superação e segunda chance.

Não importa a idade, não importa o que a vida te fez passar. Se você tem um sonho, corre atrás.

Eu sei que Deus me deixou viver por um motivo. Eu revivi por um propósito.

Hoje eu entendo que o que aconteceu comigo não foi um fim.

Foi o começo de uma nova vida.

Uma vida onde eu pude me reencontrar, me reinventar e me reerguer.

A dor me ensinou a ter calma. A queda me ensinou a levantar.

E a segunda chance que Deus me deu… essa me ensinou a não desperdiçar mais nenhum dia.

Porque não existe idade certa pra sonhar.

Existe vontade de fazer acontecer.

*Texto gerado por inteligência artificial e revisado pela redação de Band.com.br.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: