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"Ele foi preso e me traiu grávida, mas eu ainda o amo"

Mesmo após ser traída durante a gravidez, abandonada e ter a vida destruída, Camila decidiu perdoar o homem que conheceu quando ele ainda estava na prisão

Da redação*

DA REDAÇÃO*

14/07/2025 • 14:38 • Atualizado em 14/07/2025 • 14:38

Camila conheceu Henrique durante a pandemia, quando ele ainda estava preso. O que começou com cartas e promessas logo se transformou em uma paixão intensa, marcada por traições e escolhas difíceis. Entre idas e vindas, ela viu sua vida mudar completamente — e precisou decidir até onde iria por amor. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta segunda-feira, 14 de julho.

Eu sei que muitos vão me julgar, mas quem ama como eu amei, entende... Às vezes, amar é ficar. Mesmo quando tudo diz pra você ir embora.

Tudo começou em 2020, quando meu primo, que tava preso, me mostrou um colega de cela chamado Henrique. Bastou uma foto para algo dentro de mim acender. Um sentimento diferente, estranho… mas, definitivamente, forte. E não era só da minha parte, não.

O Henrique começou a me mandar cartas e ele era atencioso, carinhoso, interessado...

Ele tinha sido preso por assalto, mas dizia que estava disposto a mudar. E quem era eu para julgar?

“Conheci meu amor pela foto de uma cela”

Era plena pandemia, um tempo difícil pra todo mundo, e pra mim, ainda mais. Eu sofria com muitas crises de ansiedade, e foi o Henrique que me estendeu a mão, ouviu meus desabafos e me ajudou.

Mesmo preso, ele me ouvia, me acolhia, e fazia com que eu me sentisse menos sozinha.

Ele tinha sido condenado a sete anos e já estava no sexto. Ou seja, não era uma loucura assim tão grande pensar em um relacionamento. Ele já tava perto de sair, e o sentimento entre nós ia crescendo muito rápido.

Quando aconteceu uma rebelião na cadeia, eu entrei em pânico. Eu imaginava mil coisas!

"E se ele morresse? Se fosse agredido? Meu coração disparava só de pensar."

Ali que percebi que o que eu tava sentindo já era amor. Sim... eu estava amando um homem preso.

Durante aqueles dias de confusão, o Henrique ficou em uma área segura, junto com outros presos que não tinham se envolvido na rebelião. E quando finalmente veio a notícia de que ele estava bem, eu respirei aliviada, mas, infelizmente, a paz durou pouco.

O Henrique tinha passado para o regime semiaberto, estava quase livre… Até que, de repente, ele sumiu. As cartas pararam. Nenhuma resposta. Nada. Eu senti que tinha algo errado.

E tinha mesmo.

Um amigo dele me contou que a ex do Henrique tinha descoberto sobre nós, que a gente tava se falando, e ficou muito brava. Ela inventou uma denúncia falsa e disse que ele estava fazendo ameaças a ela.

Por causa disso, ele voltou pro regime fechado e aí foram seis meses sem notícia. Seis meses de desespero, de saudade, de angústia por não saber como ele estava. Era como se tivessem arrancado um pedaço de mim.

Quando ficou provado que as denúncias eram falsas, ele voltou pro regime semiaberto, passou a ter direito às saidinhas e logo na primeira, a gente se encontrou.

– Camila!!! Ai meu Deus do céu! Como é bom te ver assim, sem grade, sem vigilância, sem tempo contado. Olha pra você... como você tá linda!

– Ah, meu amor! Eu tava louca esperando esse momento. Você não faz ideia quantas noites eu dormi sonhando com isso.

– Não importa mais, agora a gente tá junto. Vamos aproveitar. E olha, a gente vai ficar junto para sempre. Eu te amo.

Pode até parecer loucura, mas no dia em que o Henrique saiu da cadeia, ele foi direto morar comigo. Foi tudo tão rápido que mal deu tempo de pensar.

Ele ganhou a condicional e, pronto, já começamos uma vida de casados. É… ele saiu de uma prisão e entrou em outra, como dizem por aí... Já saiu casado!

No começo, eu achava que estava vivendo um sonho. Eu estava completamente apaixonada, cega, entregue. Até que as coisas começaram a desandar.

“A traição veio rápido. A recaída, também”

Um dia, ele tava no banho e o celular dele começou a tocar. Era uma chamada de vídeo e eu atendi. Do outro lado apareceu uma mulher, toda produzida, com roupa assim provocante.

Na hora, eu já perguntei quem era ela e por que ela tava ligando para um homem casado naquele horário e vestida daquele jeito. Ela respondeu correndo que não sabia que ele era casado e desligou.

– Que foi, Camila? O que aconteceu? Gritaria é essa?

– Quem é essa mulher, Henrique?

– Que mulher? Do que você tá falando?

– A mulher que acabou de te ligar por vídeo, Henrique!

– Eu não faço ideia. Deve ter sido engano. Com certeza foi engano. Esquece isso, Camila. Ela ligou errado.

Você acha mesmo que eu caí na conversa dele? Claro que não!

Eu peguei o contato da mulher e liguei pra ela do meu celular. Falei com calma, querendo entender, e ela contou TUDO. Disse que eles já tinham ficado sim, e que foi ele quem passou o número.

Na mesma hora, eu mandei ele embora da minha casa, mas...

Mas durou só três dias!

Logo ele voltou cabisbaixo, chorando, dizendo que foi um erro, que tinha sido uma vez só, que se arrependeu. E aí... aí eu aceitei. Foi um misto de amor, fragilidade e esperança. Eu queria acreditar.

E acreditei.

Logo depois, engravidei da nossa primeira filha e, nossa, foi maravilhoso. A gravidez toda foi marcada por ansiedade, medo, amor demais. E no dia do parto… meu Deus. Foi uma loucura. Mas tudo fez sentido quando eu vi aquele rostinho pela primeira vez.

Quando ela tava com 4 meses, eu saí pra comprar umas roupinhas novas pra bebê e, no meio das compras, surgiu uma dúvida e resolvi ligar pra ele.

Mas eu liguei várias e várias vezes e só dava ocupado. Quando eu cheguei em casa, perguntei pra ele com quem ele tanto tava falando.

– Ué, Camila, eu tava no telefone com um amigo meu, o Miguel.

– Amigo, Henrique? Eu te conheço. E conheço esse teu olhar quando faz besteira. Me dá aqui, quero ver esse celular.

– Você tá ficando maluca… Toma, olha aí. Não tem nada.

– Não tem mesmo. Nem conversa com esse tal Miguel. Nenhum registro de ligação. Que amigo é esse?

– Sei lá, posso ter apagado sem querer… Para de pensar besteira, Camila.

– Besteira? A gente tem uma filha de quatro meses, Henrique! Quatro meses! E você fazendo esse tipo de coisa? Você não tem coração, não? Não tem respeito? Eu cansei. De verdade. Cansei de mentira, de desconfiança, de desrespeito. Chega.

– Ah, Camila… você que é paranoica. Tá exagerando demais.

E fui embora de casa e aluguei uma casinha simples pra mim e pra nossa filha. Éramos só nós duas agora.

Não demorou nem um mês do nosso término e ele já estava assumindo a amante. Postava declaração, fazia vídeo com ela... tudo aquilo que eu sonhava viver com ele, ele tava vivendo com outra. E eu ali, assistindo calada, com minha filha no colo e o coração cheio de raiva. Eu tinha acreditado num futuro. Planejado uma vida. E no fim... foi isso que eu ganhei?

Doeu demais. Demais mesmo!

“Ele foi preso de novo… E eu fui atrás”

Até que um dia, eu soube que o Henrique tinha sido preso de novo. De novo!

Quando ele tava comigo, ele não se metia com nada de errado, nada! Mas bastou sair da minha vida para voltar pro caminho errado.

Ele foi preso por assalto de novo. Mas, dessa vez, a pena foi muito mais pesada: 65 anos. Claro que no Brasil ninguém cumpre isso tudo. Vai depender do comportamento, mas o estrago já tava feito. Sessenta e cinco anos. Eu não conseguia acreditar. Depois de tudo que ele passou, de tudo que viveu dentro de uma cadeia, como é que ele teve coragem de voltar pra essa vida?

Fiquei revoltada. Indignada. Como ele pôde ser tão burro? Como pôde jogar tudo fora? A liberdade, a família, a filha… tudo.

Mas eu decidi que dessa vez, eu não ia atrás. Ele que se virasse. Ele escolheu. Ele cavou o próprio buraco. E ele que aguentasse as consequências.

Era isso que eu repetia pra mim todos os dias. Até o dia em que chegou uma carta dele.

Oi, Camila.

Eu sei que você deve me odiar agora. Mas eu preciso que você saiba que eu me arrependo de tudo. Tudo mesmo.

Eu acabei me perdendo no sentimento de novidade e larguei a mulher da minha vida por uma qualquer. E olha onde eu vim parar... De novo nessa maldita cadeia.

Eu não espero que você me entenda, mas eu quero te pedir perdão por TUDO, tudo que fiz pra você.

Eu ainda te amo…

Quando eu li aquela carta, minha primeira reação foi pensar: ele que se lasque.

Mas tinha alguma coisa dentro de mim... não sei. Um nó no peito, uma raiva mal resolvida, um amor que, por mais que eu tentasse enterrar, ainda tava ali.

Por isso eu resolvi ir até a prisão. Não pra fazer cena, nem pra dar esperança. Eu fui pra falar tudo. Jogar na cara dele o quanto ele tinha sido babaca, o quanto me fez mal e dizer que ele tinha perdido uma mulher incrível, uma mãe dedicada, uma parceira de verdade. Mas o tiro saiu pela culatra porque bastou olhar nos olhos dele para tudo balançar de novo.

E cada visita que eu fazia para levar nossa filha, eu voltava pra casa com mais saudade e mais sentimento. A verdade é que a mágoa foi dando lugar para o que eu sempre senti: AMOR.

A gente decidiu tentar de novo. E, nas idas e vindas do presídio, eu acabei engravidando do nosso segundo filho. Hoje ele tá aqui, com seis meses, lindo, cheio de vida. Um pedacinho nosso que veio em meio a tanta bagunça, mas que me lembra, todos os dias, o quanto o amor também pode nascer nos lugares mais improváveis.

Eu não consigo visitar o Henrique com muita frequência porque o presídio é longe.

A ausência dele pesa. Dói. Mas eu peço a Deus estrutura. Peço força. Peço paciência.

Porque viver isso não é fácil. Não é bonito. Não é filme. Eu não romantizo estar com alguém preso e nem escondo tudo que já sofri por causa dele. Mas a verdade é que, mesmo tentando fugir, eu me perdi nesse amor. E se isso não for amor, então eu não sei mais o que é.

Eu acordo todos os dias pra trabalhar pela minha família. Às vezes, nós passamos meses sem nos ver por conta da distância, por falta de condições, por tudo. Mas eu sigo aqui firme porque essa foi a minha escolha e eu prefiro esperar ele sair e criar nossos filhos juntos, do que estar com outro.

Eu sei que muita gente me julga e talvez eu até entendesse, se fosse com outra pessoa. Mas comigo não é sobre ilusão. É sobre decisão.

Eu escolhi lutar pela minha família. E vou até o fim. Até a última batida do meu coração, porque onde há amor, ainda há esperança. E no fim, amar é isso: uma escolha. Uma decisão diária de ficar, mesmo quando seria mais fácil ir embora.

"Eu escolhi perdoar. Eu escolhi lutar por nós, mesmo ferida, mesmo julgada."

E se amanhã tudo desabar de novo, eu vou saber que fiz o meu melhor. Que eu vivi com coragem, com entrega e com verdade.

Nem toda história precisa ser perfeita pra ser bonita. Algumas só precisam ser vividas com o coração inteiro. E o meu continua aqui. Forte, ferido, mas inteiro. Por mim. Por ele. E, principalmente, pelos nossos filhos.

Henrique, a gente vai sair dessa. Juntos.

*Texto gerado por inteligência artificial e revisado pela redação de Band.com.br.

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