O que era para ser apenas uma festa de integração se transformou num turbilhão de sentimentos. A jovem universitária Gabi engravida após uma noite marcada por álcool, silêncio e incertezas. Sem saber quem era o pai, ela toma decisões difíceis, enfrenta julgamentos e acaba reencontrando, de forma inesperada, alguém que mudaria o rumo da sua vida. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta sexta-feira, 20 de junho.
Muita coisa poderia ter dado errado. E talvez, em outra versão da minha vida, tudo tivesse mesmo desandado. Mas essa história não é só sobre sorte. É sobre medo, escolhas, instinto… e fé.
Fé em mim, em um futuro que eu não via, em uma criança que eu nem conhecia. E, principalmente, fé em alguém que eu nem imaginava reencontrar.
Eu tava matriculada no curso de Terapia Ocupacional e era aquela semana de integração para os novos alunos. Eu abri o meu aplicativo de relacionamento para ver se eu conhecia gente nova e, para a minha surpresa, no mesmo dia eu dei "Match" com um cara chamado Lucas, que estudava na mesma faculdade. Ele tinha um sorriso que, eu confesso, me chamou bastante atenção.
A conversa rolou tão bem, que a gente combinou de se encontrar em uma festa da universidade.
No dia, foi tudo ótimo. No começo, a gente só ficou lá dançando, conversando, rindo, mas depois a gente foi se aproximando, bebendo, dançando mais um pouco, bebendo mais e mais... Até que a gente ficou tão bêbado, mas tão bêbado, que eu acabei tomando uma decisão que mudaria a minha vida para sempre.
Uma festa, uma escolha, um erro
— Nossa, eu acho que a gente podia ir embora daqui. O que você acha?
— Eu topo. Aqui não dá nem para curtir direito mais.
— Quer ir lá pra minha casa?
— Bora! Eu só vou beber mais uma latinha aqui.
— A gente já bebeu demais, Gabi. Vamos.
Eu fui para a casa dele. Lá a gente ficou e... bom... a gente acabou não se protegendo.
No dia seguinte, o clima ficou super estranho, constrangedor mesmo. Ninguém conseguia falar nada. Eu só juntei as minhas coisas, fui embora e nem mantive mais contato com ele.
Quando a dúvida bateu à porta
Três semanas depois, eu comecei a me sentir diferente. Muito enjoada, cansada mais do que o normal... Eu comentei com a minha mãe sobre ir ao hospital, mas na hora ela sugeriu que eu fizesse um teste de gravidez. E eu fiz, só para tirar a dúvida.
Aqueles minutos esperando o resultado pareceram uma eternidade e então... então apareceu o POSITIVO.
Na hora, eu entrei em pânico! Eu não esperava nunca por uma coisa como aquela e, para complicar ainda mais, dias depois daquela noite com o Lucas, eu também tinha ficado com um amigo.
Como ele era mais próximo de mim do que o Lucas, eu achei melhor conversar com ele.
Nós éramos realmente bem amigos, então eu achei que, contando para ele, tudo ficaria mais leve, mas o que eu ouvi foi: "Não. Eu não posso ser pai. Eu tô começando a faculdade agora e você precisa tirar essa criança".
Ouvir isso de alguém que eu considerava amigo, de alguém com quem eu achei que poderia contar, de alguém de quem eu esperava apoio, me doeu demais. Eu também estudava, eu também tava começando a vida, mas isso não era motivo para eu tirar aquele serzinho que já estava se formando dentro de mim. Não! De jeito nenhum!
Eu decidi seguir com a gravidez, tranquei a faculdade e voltei para a minha cidade, no interior.
Dois homens, um teste e nenhuma certeza
Pra descobrir quem era o pai, eu comecei a procurar uma forma que não colocasse meu bebê em risco. Na época, existiam alguns testes, mas eram muito invasivos e eu não queria correr o menor risco de acontecer alguma coisa com o meu filho, mas as médicas disseram que o resultado poderia não ser conclusivo.
O exame custava 6 mil reais e, mesmo sem ter esse dinheiro, minha mãe deu um jeito e pagou. Nós fizemos três rodadas de coleta de sangue pra tentar saber se esse meu “amigo” era ou não o pai.
No fim, a gente só gastou dinheiro, porque o teste realmente não deu nenhuma resposta clara. Isso, óbvio, só aumentou ainda mais o meu medo.
A mensagem que eu temia — e a resposta que não esperava
Então eu resolvi contar tudo para o Lucas. Eu só tinha o número de telefone dele e a verdade é que eu não queria envolvê-lo em nada daquilo. Eu tinha medo da reação dele, afinal, a gente só tinha se visto uma vez na vida. Meu plano era descobrir quem era o pai antes de contar qualquer coisa, mas eu já não tinha muita escolha.
O Lucas era dois anos mais novo do que eu e, pra ser sincera, ele não tinha exatamente uma aparência de “bonzinho”. Ele tinha um jeito descolado, então eu tinha certeza que a reação dele seria parecida com a do meu amigo. Mas eu respirei fundo, deixei o medo de lado e contei...
Eu já tava grávida de seis meses na época.
Eu mandei um texto enorme para ele. Escrevi que a gente precisava conversar, que eu estava grávida, que eu não sabia se ele era o pai, mas que, por mais difícil que fosse, eu sentia que era meu dever contar porque existia a possibilidade de o filho ser dele. Eu também deixei claro que não estava pedindo nada. Nem ajuda, nem presença, nada. Eu só queria que ele soubesse, porque ele tinha esse direito. Mas a reação do Lucas... a reação do Lucas... me surpreendeu. E muito.
— Alô? Oi, Gabi... Eu li tudo aqui e olha, isso é uma bomba! Mas fica calma porque a gente vai resolver.
— Eu sei, me desculpa! Eu não tô te pedindo pra assumir, pra participar da vida dela, nem dinheiro. Eu só tô te contando mesmo porque é seu direito escolher se quer estar presente.
— Fica tranquila. Se for minha filha, é claro que eu vou assumir. Eu não vou deixar essa responsabilidade toda só com você.
— Mas é sério. De verdade. Eu não quero que você pense que eu tô querendo alguma coisa de você e...
— Gabi, relaxa. E conta comigo... Aliás, eu sempre quis ser pai de menina.
Eu até me assustei. A reação dele foi completamente diferente do que eu imaginava. O Lucas foi carinhoso, presente e participativo.
Naquela semana, mesmo sem saber se ele era o pai, a gente decidiu o nome. Eu já sabia que seria uma menina e sempre gostei muito dos nomes Luna e Maya, mas antes mesmo que eu dissesse isso para ele, ele sugeriu Luna ou Helena. Impressionante, mas até no nome a gente deu "Match".
Na época, a gente chegou a fazer uma rodada do teste de DNA pra tentar descobrir se o Lucas era mesmo o pai. Ele enviou o sangue dele pelo correio, já que nós não estávamos mais no mesmo estado, mas o resultado também foi inconclusivo.
Quando o Lucas soube, ele tomou uma atitude que eu nunca vou esquecer... ele trancou a faculdade, voltou para a cidade dele e começou a trabalhar em dois empregos, um de garçom e outro em uma loja de shopping. Ele não sabia se a filha era dele, mas decidiu ajudar de qualquer forma.
O nascimento, a verdade e um recomeço
Gerar a Luna foi um desafio imenso. A dúvida sobre a paternidade mexia muito comigo, me deixava ansiosa, insegura… Era um turbilhão de sentimentos. Mas, ao mesmo tempo, foi um período bonito, porque eu sempre tive o sonho de ser mãe. A gestação em si foi uma experiência que eu vivi com muito carinho. Eu cuidei de cada detalhe e acompanhei cada fase com alegria.
O parto da Luna foi tranquilo e ter meus pais comigo naquele momento tornou tudo ainda mais especial. Meu pai, principalmente, estava muito emocionado. Ele sempre carregou uma tristeza por não ter conseguido estar presente no meu nascimento. Porque, quando eu nasci, foi uma emergência, e ele não conseguiu chegar a tempo. Isso era algo que ele tinha guardado no coração, então eu pedi para ele ficar comigo no parto da Luna, já que o pai da minha filha não estaria ali. Foi um momento muito lindo e cheio de amor.
Assim que a Luna nasceu, eu fiz a coleta para o teste de DNA. A gente já tinha o kit em mãos, então fizemos tudo ali mesmo, no hospital. Eu enviei o material da Luna, e o Lucas enviou o dele.
Uma semana depois, o resultado saiu.
Na hora eu mandei mensagem para o Lucas e ali... ali eu contei que o teste tinha dado positivo.
O Lucas era o pai da Luna.
Apesar da notícia, a forma como a gente se tratava ainda era bem distante. Tinha uma certa frieza entre nós, sabe? Ninguém queria forçar nenhum tipo de relação e tudo entre nós girava apenas em torno da Luna. Fora que minha cabeça ainda tava uma bagunça!
Depois de alguns dias que ela nasceu, o Lucas conseguiu uma folga no trabalho e veio passar um tempo na minha casa para me ajudar com a Luna e viver de verdade a paternidade.
Foi um período muito bom. Eu pude conviver mais com ele, e era bonito ver o brilho nos olhos dele quando estava com a nossa filha.
Com isso — e aos poucos — a gente foi criando uma conexão e surgiu uma parceria real entre nós dois.
Dois meses depois, eu fui até a cidade do Lucas para que a família dele conhecesse a Luna. Eu fiquei hospedada na casa deles, e fui recebida com muito carinho. E, na véspera da minha volta, o Lucas me chamou pra conversar…
— Gabi, eu queria ir pra sua cidade... eu queria ficar mais perto da Luna.
— Se você quiser, você pode ir e pode ficar na casa da minha mãe com a gente.
— Será que não vai atrapalhar?
— Com certeza ela não se importa.
— Então eu vou me organizar aqui e vou.
— Se você quiser, pode ir comigo agora.
— Agora? Mesmo?
No mesmo dia, ele veio comigo e com a Luna.
Apesar de a nossa relação ser muito boa, eu ainda tinha medo que a gente confundisse as coisas, então a gente tentava manter uma certa distância.
Com o tempo, a gente foi se conhecendo melhor, convivendo de verdade, até que, um dia, o Lucas me chamou para conversar e disse que tava sentindo uma coisa diferente. Eu perguntei o que era e ele respondeu que era ciúmes. Ciúmes porque gostava de mim.
À essa altura, eu também gostava dele, mas escondia. Eu tinha medo da reação, medo de criar expectativas, de me machucar.
A partir de então, a gente começou a namorar. Tudo bem devagar, com cuidado, sem pressa. O primeiro “eu te amo” demorou pra sair. A gente não se casou de cara. Foi um tempo até a gente decidir sair da casa dos meus pais para morarmos só nós e nossa filha.
Um ano e meio depois, veio outra surpresa: eu engravidei do nosso segundo filho, o Apolo.
Nossa história é uma em um milhão. Tinha tudo pra dar errado. Um encontro na casa de um desconhecido. Ir pra casa dele e não me proteger. Eu sei, e eu não quero, de forma alguma, romantizar isso. Pelo contrário. A mensagem que eu quero deixar é: se cuidem. Não vão pra casa de estranhos. Na minha história, graças a Deus, deu certo. Mas poderia ter dado muito, muito errado. E nem toda história termina como a minha.
Hoje nós estamos bem, casados e com dois filhos lindos.
Eu sei que minha história é improvável. Na maioria das vezes, o cara desaparece. Mas com o Lucas foi diferente. Nada foi forçado. Nada foi prometido. E, no fim, o amor não precisa acontecer na ordem certa... Ele só precisa acontecer com a pessoa certa.
*Texto gerado por inteligência artificial e revisado pela redação de Band.com.br.
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