Diogo se apaixonou por Ana Lúcia à primeira vista e passou anos tentando conquistá-la. Quando finalmente conseguiu, foi tomado pelo medo e a deixou no momento mais delicado da relação: durante a gravidez. O que nenhum dos dois imaginava é que a vida ainda colocaria esse amor à prova de formas inimagináveis. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta terça-feira, 5 de agosto.
Tem histórias que a gente só entende de verdade quando é testado até o limite.
É que a gente nunca imagina o quanto consegue aguentar… até não ter escolha.
Quando eu era mais novo, eu vivia passeando pela praça da minha cidade, perto do cinema.
Era bem tranquilo, mas muito gostoso. Eu andava de bicicleta com os meus amigos, conversava... essa era a minha rotina. Até que, num dia como outro qualquer, aconteceu!
Eu vi!
Uma mulher linda. Linda mesmo. Tão linda que eu não conseguia mais tirar os olhos dela.
Eu fiquei tão encantado que arrumei coragem, sei lá de onde, e fui puxar papo com ela.
— Então, aí ele tava lá e sério. Eu não acreditei que...
— Oi, oi... licença... desculpa interromper. Meu nome é Diogo e, pra ser 100% sincero, eu vim aqui falar com você porque eu te achei muito linda.
— Han...
— Sério. Eu tô até meio aqui ofegante... E, bom... eu queria saber se você topa sair comigo, me conhecer melhor e...
— Muito prazer, Diogo. Meu nome é Ana Lúcia, mas... não. Eu não tô afim. Obrigada.
Ele levou mais de 10 “nãos” até ouvir o primeiro “sim”
Foi o maior fora e doeu, viu? Doeu um pouquinho, sim. Mas eu prometi para mim mesmo que não ia desistir assim, tão fácil. O que eu não sabia é que seria mais difícil do que eu tava imaginando.
Aquele foi só o primeiro "não" de mais de 10 que eu recebi dela.
Cada vez que ela se recusava a me dar uma chance, eu me empenhava mais. Eu tava apaixonado e eu sabia, sabia de verdade, que um dia ela ia se apaixonar por mim também. Era só ela me aceitar! Se ela me desse uma chancezinha, só uma, eu ia tratar ela de um jeito como ela nunca tinha sido tratada.
Mas, olha, eu vou falar um negócio... gostar de alguém que não gosta da gente de volta, machuca. Ser rejeitado é triste. O meu coração se partia um pouquinho a cada "não" e, mesmo assim, eu não conseguia parar. Eu era completamente louco por ela.
Teve uma época em que eu até comecei a namorar outra menina. Foi meio que uma tentativa desesperada de esquecer a Ana, mas, no fundo, eu sabia que aquilo não era certo. Eu ainda amava a Ana. Muito. E não conseguia parar de pensar nela mesmo estando com outra.
Eu pensei que, com o tempo, isso ia passar, que o sentimento ia sumir... mas um ano se passou e nada mudou. A Ana continuava morando nos meus pensamentos e no meu coração.
Então eu terminei o meu relacionamento. Não era justo com a minha namorada... Ela não merecia estar com alguém que amava outra pessoa.
Quando finalmente conseguiu… ele fugiu
Quando eu terminei esse meu namoro, parecia que o universo quis me testar porque acabei esbarrando com a Ana. Meu coração disparou na hora e, apesar de tudo o que eu já tinha levado de fora, eu resolvi tentar mais uma vez.
E, para a minha surpresa, ela disse SIM. O primeiro SIM.
Até hoje eu não sei exatamente o que fez ela mudar de ideia. Talvez me ver com outra tenha feito ela me enxergar diferente. Ou talvez, só fosse a hora certa mesmo. Não sei! Só sei que a mulher dos meus sonhos, depois de anos, finalmente tava me dando uma chance e eu me sentia realizado.
Nós saímos, ficamos e começamos a namorar. Um namoro maravilhoso. A gente se curtia, ria, fazia planos… E um ano depois, a Ana engravidou.
Quando ela me contou, eu fiquei em êxtase. Era como se a vida tivesse coroado a nossa história.
Mas aí, com o tempo, a cabeça começou a me pregar umas peças. Vieram uns medos, as inseguranças, pensamentos que eu nunca imaginei ter: “Será que eu vou dar conta?” “E se eu falhar?” “Será que eu tô pronto pra ser pai?”. E por mais que eu tentasse disfarçar, aquilo foi crescendo dentro de mim.
— O que você tá dizendo, Diogo?
— Eu... eu não sei. Eu não vou ser um bom pai. E se eu for ausente ou não tiver paciência? Eu nem sei se vou poder ser um bom marido para você.
— E o que isso quer dizer? Você não tá... você não tá terminando comigo, né?
— Eu sinto muito, Ana. Me desculpa. Eu não sei o que fazer. Eu não consigo. Não consigo ser esse homem que você tanto espera. Eu achei que conseguiria, mas eu não consigo!
— Eu não acredito nisso. Eu tô grávida, Diogo! Grávida! E você... você vai me abandonar.
Eu sei... eu fui burro. Burro, imaturo, infantil. Eu deixei o meu medo falar mais alto que o meu amor. Eu tinha lutado tanto para conquistar aquela mulher, anos e anos da minha vida sonhando com ela, e por paranoias sem sentido, eu joguei tudo para o alto.
Não! Eu não podia fazer isso. Eu não tava sendo justo comigo e, principalmente, com a Ana.
Quando eu percebi a besteira que eu tinha feito, o quão burro eu tava sendo, eu fui correndo atrás dela. Eu não esperei nem uma semana e apareci na porta da casa dela de joelhos, implorando para ela me perdoar. E, por sorte, ou por amor, ela me aceitou de volta.
Por pouco eu não perdi a mulher da minha vida por pura covardia.
Perdas na pandemia e um segredo guardado por amor
A Yasmin nasceu linda, encantadora e, sem dúvida, puxou todos os traços da mãe.
Cinco anos depois, a Ana engravidou outra vez.
Infelizmente, nós perdemos o bebê e foi um dos momentos mais dolorosos que nós já enfrentamos juntos. Mas a vida... a vida sempre encontra um jeito de surpreender. Dois anos depois, nós fomos presenteados com uma nova chance. E foi assim que a Lorrane chegou trazendo luz e esperança.
Estava tudo indo bem… até que chegou a pandemia. E, como aconteceu com tanta gente, ela virou a nossa vida de cabeça pra baixo.
A Ana começou com umas tosses, uns sintomas leves, e, mesmo tentando não me preocupar, algo dentro de mim acendeu um alerta. Eu não pensei duas vezes e levei ela pro hospital, só por desencargo, sabe? Eu tinha certeza absoluta que o médico ia receitar algum remédio e que a gente voltaria para casa no mesmo dia.
Mas não foi assim, não.
Assim que ela entrou na sala com o doutor, ele veio até mim e disse que ela precisaria ser internada. Naquele momento, meu coração gelou. Eu fiquei paralisado porque eu... eu não esperava por isso. Eu não tava preparado para aquilo.
Passou um dia, depois dois, três… E no sexto dia de internação da Ana, eu recebi uma ligação da família dela. Era urgente. A minha sogra, dona Cecília, tava passando muito mal e precisava ser levada para o hospital com urgência.
Na mesma hora eu peguei o carro e fui buscá-la, mas quando nós chegamos no hospital, o cenário era desesperador, um caos! Tava tudo lotado. Não tinha nem mais vaga na nossa cidade.
Ela precisaria ser transferida para outra cidade.
Levaram a minha sogra de ambulância e eu fui atrás, dirigindo, com o coração na mão. Eu não ia deixar a Dona Cecília sozinha naquele momento.
Chegando lá, a médica de plantão não queria me deixar entrar, mas eu insisti tanto, pedi com tanto desespero, que ela acabou liberando. Eu não podia deixá-la sozinha. A minha sogra tava muito ofegante, assustada. Dava para ver o medo no rosto dela.
Eu fiquei com ela a noite inteira, até ela se acalmar, mas eu precisava voltar para a nossa cidade porque, enquanto eu tava lá, me ligaram dizendo que a tia da minha esposa, a senhora Efigênia, que era como uma segunda mãe da Ana, também tava passando mal. E, como se não bastasse, naquele mesmo dia, a minha esposa precisou ser entubada.
Antes de ir embora, eu fui me despedir da minha sogra e, por mais que eu tentasse afastar aquele pensamento, algo dentro de mim dizia que seria a última vez que eu a veria.
Uma semana depois, a minha sogra faleceu.
Foi um golpe muito, muito duro. Mas não foi só.
Dois dias depois, nós perdemos também a tia da minha esposa, a dona Efigênia, tão querida por todos nós.
Enquanto tudo isso acontecia, a Ana seguia entubada. Era dor por todos os lados... Morte, angústia, incerteza. Era difícil respirar, difícil pensar. Eu me sentia esmagado por tudo aquilo.
A minha esposa ficou entubada por dez dias.
— Oi, meu amor. Foi um horror ficar entubada... foi muito ruim, que sentimento horrível.
— Eu tava com tanta saudade! Mas pode ficar tranquila. Agora vai ficar tudo bem, viu?
— Vai, sim. E a minha mãe? Melhorou?
— Sua mãe? É... ela... ela tá bem. Tá bem, sim.
— Ela já recebeu alta? Onde ela tá? Você conseguiu falar com ela? Você contou que iam me extubar hoje? Nossa! E minha tia? Ela também já teve alta?
— As duas estão bem, Ana. Tá tudo certo. Fica calma, tá? Você passou por coisa demais. Precisa se acalmar.
— Tá bom! Obrigada por ter cuidado delas enquanto eu tava aqui. Olha, pede para elas me ligarem, tá?
Eu não podia falar a verdade. Não ainda. Eu tinha muito medo de ela piorar depois dessa notícia. Não dava para arriscar. A Ana tinha ficado entubada por 10 dias! Ela ainda tava muito debilitada.
O dia mais difícil de Diogo e Ana Lúcia
Foram mais vinte dias de internação e eu a visitava todos os dias. A cada dia, ela melhorava um pouco mais, e eu me apegava à esperança. Mas, conforme ela ia se recuperando, começaram também as cobranças.
Ela queria muito falar com a mãe e eu inventava cada hora uma desculpa. Meu coração ficava apertado toda vez que eu fazia isso, mas eu não tinha coragem de falar a verdade.
Até que chegou o último dia de internação.
Ela já tava bem o suficiente para receber alta, mas ainda não sabia. Eu precisava falar, mas eu não conseguia. Eu olhava para ela, tentava, mas não saía.
Eu precisei pedir pro médico fazer isso por mim.
Foi horrível ver tudo aquilo. Eu chorei muito junto com a minha esposa. A gente se abraçou e eu prometi que ia ficar tudo bem, que eu estaria ao lado dela para tudo o que precisasse.
Eu nem consigo imaginar a dor que ela sentiu por não ter conseguido se despedir da mãe.
A minha sogra e a tia dela foram apenas duas entre tantas vidas perdidas para a covid. Mas, para a minha esposa, elas eram o mundo.
Por conta do longo tempo de internação, a Ana Lúcia ficou muito fraca e perdeu os movimentos das pernas. Então eu larguei o meu emprego para cuidar melhor dela.
Foram cinquenta dias até ver a minha esposa dar os primeiros passos outra vez.
O grande amor da minha vida sempre foi a Ana Lúcia... Nós já passamos por poucas e boas e continuaremos passando se for preciso, mas eu nunca mais vou sair do lado dela.
Porque eu sei como é viver sem ela e não quero nunca mais passar por isso.
Em um momento, eu deixei que ela saísse da minha vida e, meu Deus, como eu me arrependi.
Hoje, eu tenho certeza de que não quero, nem consigo, imaginar os meus dias sem ela.
Hoje, quando olho para minha esposa, eu não vejo só a mulher por quem me apaixonei naquela praça. Eu vejo força, vejo coragem, vejo tudo o que nós enfrentamos e tudo o que escolhemos continuar sendo, mesmo quando o mundo desabava em cima das nossas cabeças.
Juntos, a gente segue. Um passo de cada vez. E é isso que faz a diferença... não é sobre ter uma vida perfeita, é sobre ter alguém pra enfrentar a vida com você.
E eu sei, com toda certeza, que com a Ana do meu lado, eu posso tudo.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
