Beatriz não esperava viver um novo amor aos 56 anos — muito menos se tornar mãe novamente aos 62. Mas foi exatamente isso que aconteceu depois que ela conheceu Éder, 29 anos mais novo, e aceitou embarcar com ele no sonho da paternidade.Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta segunda-feira, 4 de agosto.
Quando duas pessoas querem realmente a mesma coisa, não tem barreira no mundo que impeça um sonho de acontecer. A gente dá um jeito, enfrenta o que for e vai. Simples assim.
Eu tinha 56 anos quando conheci o Éder. Eu já era mãe de dois filhos adultos, bem encaminhados, e fazia tempo que estava divorciada. Eu tava tranquila com a vida, sabe? Sem grandes planos, sem procurar ninguém e também sem nada a perder.
A gente se conheceu pela internet, e o que me chamou atenção nele foram as mensagens que ele postava. Ele falava muito sobre fé, família e eu achei aquilo bonito. Então, quando ele me mandou mensagem, eu resolvi dar uma chance, conversar... Só que foi aí que veio a surpresa. O Éder só tinha 27 anos. VINTE E SETE! A diferença entre a gente era de quase 30 anos.
Na hora, eu já pensei que aquilo não tinha como dar certo e parei de responder as mensagens.
Mas ele foi insistente.
O início de um amor improvável
Depois de umas semanas, ele apareceu de novo puxando conversa, me convidou para um aniversário e eu... eu meio sem saber por quê, resolvi dar uma chance.
A partir dali, a gente foi se aproximando de novo.
Conversar com ele me fazia sentir mais leve, mais jovem. E dava pra ver que ele era diferente, um homem honesto, trabalhador, educado, atencioso. E isso foi mexendo comigo e, com o passar das semanas, o interesse só crescia.
Um dia, eu resolvi chamar o Éder para ir em casa. Ele foi. Uma vez, depois outra, depois mais uma… Até que um dia, a gente ficou junto até mais tarde.
— Será? Você não acha que tá muito cedo para isso?
— Fica tranquilo. A minha filha só acorda bem mais tarde.
— Tem certeza, Beatriz?
— Tenho. Dorme aqui. Tá muito tarde para você sair agora. Amanhã, antes de ela acordar, você vai embora.
— Tá bom, combinado.
Mas no dia seguinte, quando a gente acordou, o inesperado aconteceu...
A minha filha, que sempre dormia até super tarde, justo naquele dia resolveu acordar cedo.
Quando eu vi, eu corri para o quarto e disse para o Éder que a minha filha tava na cozinha e disse que ele tinha duas opções: ou encarar a situação e conversar com ela, ou ficar trancado no quarto até a hora que ela saísse.
Ele, então, respirou fundo, tomou um gole de coragem e foi para a cozinha.
Na hora, eu apresentei o Éder como meu namorado. A minha filha arregalou os olhos e disse, meio sem pensar: "Meu Deus, mãe, ele tem o quê? 18 anos?".
Ela ficou um pouco sem graça, com vergonha, mas eu sabia que isso poderia ter acontecido com qualquer um, independente da idade. O Éder também ficou sem saber o que dizer e tava tão sem jeito que nem conseguiu tomar café. Ele só se despediu e foi embora.
“Nada é impossível”
Conforme o namoro foi evoluindo, a gente começou a sair mais pela cidade. Eu apresentei ele para o resto da minha família e ele também me levou para conhecer a família dele.
Para minha surpresa, desde o primeiro momento, todo mundo apoiou a nossa relação. Não teve julgamento, piada, comentário maldoso, nada disso. Os meus filhos, inclusive, sempre fizeram questão de dizer que, se eu tava feliz, isso era o que importava.
A gente namorou por 7 anos. Sete anos em que eu pude ver, dia após dia, quem era o Éder realmente. Apesar da idade, ele sempre foi muito maduro, responsável, trabalhador, cuidadoso com os pais e irmãos... Não era só paixão que me prendia a ele. Era admiração também.
Depois de tanto tempo juntos, a gente começou a planejar o nosso casamento. O Éder vivia me pedindo em casamento, sempre com aquele jeitinho dele: “Vamos casar, vai… casa comigo.” E por muito tempo, eu só desconversava, dava risada, mudava de assunto, dizia que ainda não era hora.
"Até que um dia, sem mais nem menos, eu disse ‘sim’."
Nem ele acreditou quando ouviu. Mas, naquele momento, eu tava realmente pronta e disposta a fazer dar certo. Só tinha um problema...
— Bia, eu te amo e não tenho dúvidas de que você é a mulher da minha vida. Mas tem uma coisa. Um sonho. Um sonho que eu quero realizar com você, que só faz sentido se for com você.
— Você tá me assustando... o que é?
— Eu quero ser pai.
— Éder... você sabe que isso é impossível para mim, né? Eu tenho 61 anos.
— Nada é impossível, meu amor. Se você topar, eu vou fazer questão de procurar o melhor método, o melhor caminho pra gente tentar.
Dificuldades no caminho
Eu já tinha feito laqueadura e já tinha até passado pela menopausa. Na minha cabeça, era impossível, impossível mesmo, engravidar pela terceira vez.
Mas o Éder não desistiu. Ele começou a pesquisar, a conversar com pessoas, a procurar opções...
Até que um dia, ele mesmo agendou uma consulta com um médico especialista.
Eu confesso que eu fiquei meio receosa pela minha idade. Aquilo tudo me parecia arriscado demais, mas, pra nossa surpresa, o médico não nos deu nenhuma notícia ruim. Pelo contrário! Ele mostrou alguns caminhos e explicou tudo com calma. Mas antes de qualquer coisa, eu precisaria fazer alguns exames e checar como estava a minha saúde. Só depois, aí sim, a gente poderia pensar em seguir com algum método de fertilização.
Eu passei por um monte de médico: cardiologista, ginecologista, obstetra, nutricionista… Era consulta atrás de consulta. Foi um processo demorado, porque eles precisavam ter certeza de que, se eu engravidasse, nem eu nem o bebê correríamos riscos. Tudo precisava estar certinho com a minha saúde antes de qualquer tentativa.
Foi assim que, depois de vários e vários exames, o médico disse que dava pra tentar sim. E a nossa melhor chance era fazer uma fertilização in vitro, usando óvulos doados por uma mulher mais jovem.
Eu comecei a me preparar para o tratamento, enquanto o Éder também fazia uma bateria de exames e, no meio de tudo isso, nós ainda estávamos organizando o nosso casamento.
Era muita coisa ao mesmo tempo, mas cada detalhe era feito com muito cuidado e muito carinho.
Uma grande surpresa na lua de mel
Um ano depois, a gente se casou no civil e, logo em seguida, fizemos uma cerimônia linda em uma casa que tinha um jardim enorme, do jeitinho como a gente sonhava.
Toda a nossa família tava presente e foi um momento único e muito especial para nós. Mas o que ninguém sabia era que aquele casamento ia ficar marcado por algo ainda maior.
Durante a lua de mel, naquela viagem especial que nós fizemos juntos, nós recebemos a notícia que mudaria tudo. A notícia que traria ainda mais sentido para tudo o que nós estávamos construindo.
Eu comecei a me sentir meio estranha, tive alguns enjoos, e por isso resolvi fazer um teste de farmácia.
— Ai, meu amor. Será? Será que deu certo?
— Calma, calma! Vamos ver.
— Meu Deus do céu. Esses são os dois minutos mais demorados do mundo.
— Éder? Éder? Éder!!!
— O que... o que que foi? Fala!
— Éder, eu... eu acho que... Éder... eu tô grávida! Deu positivo. Deu positivo!
— Ahhhhh, eu sabia! Eu sabia! Eu tinha certeza! Eu vou ser pai! Eu vou ser pai!
Eu custei a acreditar! Então a gente foi correndo fazer um exame de sangue, só pra ter certeza. E lá estava a confirmação... GRÁVIDA.
Foi uma alegria imensa e, para o Éder, então, nem se fala! Eu nunca, NUNCA, nunca mesmo imaginei que conseguiria realmente engravidar aos 62 anos.
Gravidez que foi uma bênção
A gente tinha feito tudo e combinado de manter aquilo em absoluto segredo.
A gente não queria criar expectativas em ninguém porque a gente sabia que tinha muita chance de não dar certo. Mas quando veio a confirmação, o meu marido não se aguentou... Ele pegou aquele teste de gravidez e foi direto mostrar pros pais dele.
Na hora, eles tomaram um susto, acharam que era brincadeira, mentira. Mas quando caiu a ficha, me abraçaram muito forte. E, dali em diante, me ajudaram com tudo. Afinal, era o primeiro netinho deles.
Quando eu fiquei grávida, as idas ao médico ficaram mais frequentes. Eles precisavam me acompanhar bem de perto, por causa da minha idade. Para você ter ideia, eu cheguei a ter que fazer exame de sangue todos os dias, três vezes ao dia. De manhã, à tarde e à noite. Era um cuidado constante pra garantir que estivesse tudo certo comigo e com o bebê. Os médicos monitoravam de perto mesmo, para controlar qualquer possibilidade de diabetes gestacional, pressão alta ou qualquer sinal de risco.
Mas graças a Deus, durante os oito meses da gestação, eu não tive nenhuma complicação. Foi tudo muito tranquilo, uma bênção mesmo. Essa gravidez, inclusive, foi mais tranquila do que as duas anteriores. Nas outras, eu engordei mais de 20 quilos; dessa vez, só ganhei 8. Eu me sentia bem, disposta, e aproveitei cada fase com muita gratidão.
Meu parto teve que ser marcado antes do tempo, porque eu não podia levar a gestação até o nono mês. Assim, nem eu nem o meu filho correríamos risco. E foi realmente a melhor decisão.
“Realização de um sonho”
O Caio nasceu com quase 3 quilos, cheio de saúde.
Na primeira semana, eu tentei muito amamentar, mas não consegui, e ele até perdeu um pouco de peso, mas depois começou a tomar fórmula e logo ficou forte e saudável.
O Caio é a cara do pai dele, mesmo.
"Nosso filho foi a realização de um sonho. Ele é muito amado por todo mundo."
Nossa história foi divulgada em alguns lugares e, com essa exposição, claro que nós acabamos recebendo comentários negativos, principalmente por causa da nossa diferença de idade.
Falam que é egoísmo, que a gente vai morrer, vai faltar, vai deixar o filho sem mãe. Mas a gente não sabe dos planos de Deus... já que ele me deu esse bebê, eu sei que ele vai deixar a gente conviver bom tempo. E eu penso que isso vai ser até motivo para eu cuidar mais de mim, da minha saúde e ter uma longevidade maior.
O meu relacionamento com o Éder é sinônimo de paz, amor e companheirismo. Hoje eu tenho 63 anos, mas me sinto com a cabeça de uma menina. Nós nos entendemos muito bem, e nosso casamento só melhora a cada dia. A gente se adapta, e essa é a base de qualquer relacionamento. Os dois têm que batalhar diariamente pra fazer dar certo. E nós fazemos isso.
Hoje, com o Caio nos braços, eu tenho certeza de que tudo valeu a pena. Cada cuidado, cada consulta, cada dúvida… tudo foi por ele. Nosso filho chegou para completar a nossa vida e provar que o amor, quando é verdadeiro, não tem idade, nem limite.
Que a nossa história inspire outras mulheres a nunca desistirem dos seus sonhos, porque quando a gente acredita e se cuida, o impossível pode, sim, acontecer.
Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.
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