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Rejeitada pelo pai por ser gay: jovem supera e acha o amor

Após ser renegada pela família e sobreviver a um namoro violento, Aline encontrou um amor verdadeiro que a fez acreditar na felicidade outra vez; veja no Quem Ama Não Esquece

Da redação

DA REDAÇÃO

01/08/2025 • 17:40 • Atualizado em 01/08/2025 • 17:40

Rejeitada pelo pai por amar outra mulher, Aline se envolveu em um relacionamento abusivo com Luana, que a abandonou sozinha em Portugal. A jovem precisou recomeçar do zero e, quando menos esperava, conheceu Eliza, que lhe mostrou o significado do amor verdadeiro e a ajudou a reconstruir a vida. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta sexta-feira, 1° de agosto.

– Não, Aline. Eu não aceito. Que absurdo é esse? Não... não! De jeito nenhum. Isso é errado!

– Pai! Amar é errado? Como é possível? Como pode ser errado amar alguém? Só porque é outra mulher?

– Pelo amor de Deus, para de falar isso! Que horror! Quer saber? Eu prefiro ter uma filha bandida do que uma filha... uma filha homossexual.

Ouvir isso do meu próprio pai foi como tomar um soco no peito. Eu tinha só 14 anos quando eu comecei a entender minha sexualidade e, ao invés de apoio, eu só encontrei rejeição. A minha mãe me tratava mal, o meu pai dizia esse tipo de absurdo e a minha avó até me agredia fisicamente. Mesmo assim, eu segui a minha vida.

Eu trabalhava desde cedo em um supermercado porque eu queria muito a minha independência e foi nessa fase, que eu conheci a Luana, uma amiga que, com o tempo, se tornou algo mais.

Nós começamos a namorar quando eu tinha 17 anos. Só que tinha um detalhe: a Luana era mais velha. Bem mais velha... Na época, ela tinha 33 anos.

É, eu sei. É uma diferença grande. Mas, pra mim, não parecia tanto porque desde cedo eu trabalhava, corria atrás e resolvia as minhas coisas. Eu não tive tempo de viver aquela adolescência comum com festinhas, sair com amigos, essas coisas, sabe? Eu meio que fui direto da infância para a vida adulta e amadureci antes da hora.

A minha família, claro, não aceitava o nosso relacionamento. E nem era tanto pela diferença de idade. O problema mesmo era o fato de ser com outra mulher.

Os meus irmãos foram os únicos que não me julgaram. Não que eles apoiassem, mas pelo menos ficavam neutros e isso já era muito para mim.

Com o tempo, e com muita paciência, as coisas foram mudando e o resto da família também foi se acostumando com a ideia. Não virou uma festa de aceitação, mas pelo menos eles pararam de atacar. A minha mãe foi a primeira a começar a me aceitar porque percebeu que, de alguma forma, aquela mulher tava me fazendo bem. Eu estava mais focada no trabalho, mais centrada, mais calma. E a Luana... a Luana cuidava de mim. Não só como namorada, mas como alguém que queria me ver crescer. Talvez por ser mais velha, ela tenha assumido um papel que a minha mãe nunca conseguiu desempenhar de cuidar e me proteger. É estranho dizer isso, mas era a verdade.

Um relacionamento de agressões

Uma época apareceu uma oportunidade de liberdade pra mim. Um amigo foi fazer intercâmbio e eu fui morar na casa da mãe dele. Lá eu podia ser eu mesma, viver a minha vida em paz, sem ter ninguém me julgando o tempo todo.

Mas junto com essa liberdade vieram também os primeiros problemas no meu relacionamento. A Luana tinha um ciúmes doentio, excessivo e aí começaram as brigas, as humilhações e até... até as agressões.

Eu tinha 17 anos. E apesar de ser muito madura pra algumas coisas, eu ainda era uma menina. Uma menina tentando entender o que era o amor. Eu tinha meus erros, minhas falhas, mas eu nunca, NUNCA, levantei a mão para ela porque eu cresci vendo o meu pai bater na minha mãe e eu jurei, desde pequena, que nunca ia repetir aquela violência nos meus relacionamentos. Eu nunca ia me tornar esse tipo de pessoa, mas mesmo assim, eu aceitava tudo aquilo.

Aceitava porque acreditava que nada era perfeito, que o amor, às vezes, poderia mesmo machucar, que era assim mesmo, e isso era normal. Aos 17 anos, eu tava lá. Sem o apoio e cuidado dos meus pais e sofrendo agressões de alguém que dizia me amar e que deveria cuidar de mim. A verdade é que a única forma de amor que eu conhecia até ali, era aquela com violência.

O tempo passou e, infelizmente, a única parte de felicidade que eu tinha, a minha liberdade, chegou ao fim. O meu amigo voltou do intercâmbio, e eu precisei sair da casa em que tava. Foi então que decidi conquistar a minha liberdade plena e aluguei minha primeira casa.

Eu trabalhava desde os 12 anos, sempre fui responsável com dinheiro, mas não foi fácil. Na primeira noite sozinha, eu dormi no chão, só tinha um travesseiro, uma coberta fina e um ventilador. No dia seguinte, eu comecei a receber algumas doações de amigos, e aos poucos eu fui montando o meu lar.

Aos pouquinhos, eu fui crescendo. Arrumei minha casa, comprei uma moto, mas, enquanto nesse sentido eu subia, no meu relacionamento tudo só afundava. As brigas aumentaram. O ciúmes, as ofensas... tudo parecia piorar dia após dia.

O sonho de Portugal e a renúncia de uma vida

Aos 19 anos, eu conquistei o meu carro e fui além: eu decidi financiar uma casa e foi a própria Luana que me incentivou. Ela já tinha financiado a dela e dizia que eu também devia ter o meu espaço.

Eu comecei aqueles trâmites todos e vendi meu carro para dar entrada no financiamento, mas, pouco antes de fechar o contrato da casa, a Luana apareceu com uma nova proposta. A irmã dela morava em Portugal e disse que a gente poderia ir para lá para tentar fazer a vida por lá. Ela disse que a irmã dela ia nos acolher e que seria uma chance de recomeçar.

Um recomeço longe de tudo. Só nós duas.

Apesar dos problemas que a gente tinha, eu continuava completamente apaixonada e faria tudo por ela. Então, com o dinheiro da venda do meu carro, o dinheiro que eu daria na entrada da minha casa, eu comprei as passagens, providenciei os passaportes e ainda consegui juntar os euros que a gente precisava. Eu desisti do meu sonho, da minha casa, fui morar com ela para economizarmos no aluguel, enquanto eu me desfazia de tudo o que tinha construído.

Na minha cabeça, tudo ia mudar. Eu achei que em Portugal as brigas acabariam e que o problema era o Brasil, o estresse, a vida que a gente levava aqui. Mas nem preciso dizer que essas expectativas estavam completamente erradas, né?

Um mês antes da viagem, nós tivemos uma briga feia, daquelas pesadas mesmo e ela simplesmente me mandou embora da casa dela. Eu fiquei desesperada porque eu não tinha mais nada. Absolutamente nada. Nem casa, nem onde ficar, nada! Por sorte, eu consegui abrigo na casa desocupada da minha avó, mas como a viagem para Portugal já estava chegando e a gente acabou reatando... com muita, muita mágoa mesmo, mas reatamos.

O golpe final no aeroporto

Chegou o dia da partida para Portugal e eu tava péssima. Eu me sentia muito mal com tudo, mas ainda acreditava - ou queria acreditar - que chegando lá nossas vidas iam melhorar. Eu me agarrei nisso, nessa esperança, na crença de que o lugar pode mudar as pessoas e que, longe do Brasil, a gente teria paz. Mas quando a gente já tava ali esperando o voo, ESPERANDO O VOO, a Luana me disse que a irmã dela não ia me aceitar na casa dela.

Eu entrei em pânico. Como assim? Como assim não ia me aceitar? Onde eu ia ficar? Eu comecei a chorar querendo voltar para minha casa, mas ela não deixou, pediu para eu me acalmar, prometeu que não ia me abandonar e que tudo ia dar certo. E, mais uma vez, o amor me cegou e eu embarquei com ela. Mesmo sem ter pra onde ir quando chegasse.

Durante o voo, ela já tava estranha, fria e a gente teve outra discussão. E quando nós pousamos em Lisboa, veio o golpe... Ela disse que ia embora com a irmã e que ia me deixar lá.

Eu fiquei paralisada, em estado de choque. Ela ia me deixar ali? Sozinha? Num país que eu nunca tinha pisado? Eu não tinha pra onde ir, não conhecia ninguém. Eu tinha juntado todo o dinheiro da minha vida pra essa viagem, vendido tudo, me despedido de tudo... Eu acreditei nela!!! Como ela era capaz de uma coisa dessas? Quem faz isso com alguém? Com alguém que diz amar?

Eu sentei ali e chorei de me acabar. Chorei porque eu simplesmente não sabia mais o que fazer além de chorar. Até que um anjo, um brasileiro, se aproximou e me ajudou a ir para um hotel. Lá eu liguei para a minha família e contei tudo, tudo o que tinha acontecido. Foi a primeira vez que eu falei das brigas, das agressões, do que ela tinha feito comigo e como me tratava. Eles ficaram arrasados e, pela primeira vez, eu senti o apoio deles.

Graças a Deus, eu consegui abrigo na casa de uma amiga da minha tia que morava em Portugal e fiquei lá por seis dias chorando, sem comer, mal dormindo, completamente destruída. Até hoje, eu acredito que ela sabia, muitos dias antes, que a irmã dela não ia me aceitar. Ela só escolheu me contar no aeroporto, na véspera do embarque, porque sabia, SABIA, que eu ia desistir se soubesse antes. Ela calculou tudo e isso, pra mim, foi a pior parte.

Na véspera da minha volta ao Brasil, a amiga da minha tia me disse que Deus ia me dar um sinal sobre o que fazer e isso não saiu da minha cabeça. No aeroporto, antes de entrar no avião, apesar de tudo, de tudo o que tinha acontecido, eu confesso que ainda esperei até o ultimo segundo. Esperei por ela. Esperei que ela viesse atrás de mim, como aquelas cenas de filme, que chegasse desesperada pedindo para eu ficar, tentando se desculpar, dando qualquer justificativa para tudo o que ela tinha feito. Mas ela nunca apareceu e eu embarquei aos prantos.

“Pela primeira vez, entendi o que é ser amada de verdade”

De volta ao Brasil, eu emagreci 15 quilos em menos de 20 dias. Eu chorava todos os dias, o tempo todo. Eu me sentia presa num vazio imenso. E mais uma vez, eu precisei criar forças do nada e recomeçar do zero, mas dessa vez eu tinha o apoio da minha família e isso foi essencial.

Eu aluguei uma casa nova e fui reconstruindo a minha vida. Mas, por um ano, eu me fechei totalmente para o amor. Só de pensar nessas coisas, me vinha a vontade de chorar.

Até que foi assim, do nada, numa saída despretensiosa com uns amigos, que tudo começou a mudar. Foi nessa noite que conheci a Eliza. Ela era amiga de um amigo meu, e bastou uma conversa pra eu me encantar. Mas, para ser sincera, também foi estranho no começo.

Eu tava tão acostumada a receber pouco, a viver de migalhas, que, quando ela me tratou com carinho de verdade, eu me assustei. Ela tinha respeito, paciência, cuidado em cada gesto, em cada palavra e aquilo tudo parecia demais pra mim. Parecia que eu não merecia tanto. Como se o amor bom fosse coisa para os outros, mas não para mim. Foi difícil tirar a casca daquela cicatriz que tinha ficado, mas ela conseguiu.

Com um mês de namoro, a Eliza me pediu em casamento e eu aceitei. Nós fomos morar juntas e, desde então, estamos unidas. Hoje nós completamos um ano e dois meses de relacionamento. E, pela primeira vez na vida, eu entendi o que é amar e, mais ainda, o que é ser amada de verdade. Infelizmente, eu precisei aprender tudo na marra, mas eu sobrevivi.

A Eliza, para mim, é abrigo, é meu lar. Foi ela quem me ensinou o que é amor de verdade e eu só agradeço a Deus por ter colocado essa mulher no meu caminho. Minha família também mudou. Aqueles que antes me rejeitaram, hoje me acolhem. A minha avó, que um dia virou o rosto pra mim, hoje me recebe de braços abertos. A Eliza vai na casa dela, conversa, e todo mundo gosta dela. Até porque é impossível não gostar de alguém que carrega tanta luz. A Eliza é isso: luz. E eu, finalmente, entendi que eu também sou feita para brilhar.

Eu tenho 23 anos agora e, em poucos dias, vou me casar com essa mulher incrível que é o amor da minha vida. Hoje eu vivo o sonho de amar e ser amada, podendo ser quem eu sou de verdade diante de todos, inclusive da minha família.

Eu amo uma mulher e sou amada por ela. Sem ferir, sem desrespeitar ninguém por aquilo que somos. No fim, é isso que importa.

*Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.

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