Investigadores receberam com cautela a nova proposta de delação premiada enviada pela defesa de Daniel Vorcaro . A avaliação é que ele “teria de apresentar alguma coisa nova para dar uma última cartada”, ainda mais diante das diversas informações de trocas de mensagem com autoridades, reveladas nos últimos dias.
O que os delegados querem saber agora é “se há algo relevante no material capaz de abrir novas frentes de investigação”. Uma reunião com os advogados, prevista para esta quarta-feira (3), foi desmarcada, para que a polícia federal possa “avaliar com calma” os anexos .
Investigadores que já tiveram acesso aos documentos afirmam, no entanto, que, desta vez, há menções a Ciro Nogueira , que foi poupado no texto anterior, e um capítulo inteiro dedicado ao filme “Dark Horse”, que deve abordar a vida de Jair Bolsonaro. "Parece que, agora, Vorcaro recobrou pelo menos parte da memória”, afirmou um delegado.
Se os fatos tratados são detalhados o suficiente para sustentar uma delação premiada, a PF ainda não consegue dizer. A proposta de delação anterior foi considerada é inútil e seletiva pela Polícia Federal. Na visão dos investigadores, o empresário tentou proteger nomes importantes dos três poderes, o que levou a rejeição do acordo por parte da PF .
Prisão de Vorcaro
Preso preventivamente durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, em 18 de novembro do ano passado , Vorcaro, de 42 anos, passou dez dias detido até ser libertado por força de uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região.
Ele voltou a ser detido em 4 de março deste ano, quando a PF deflagrou a terceira fase da operação. Em 19 de março, como parte das tratativas para o fechamento de um acordo, Vorcaro passou a ocupar uma sala especial da Superintendência da PF em Brasília. Ele é acusado de crimes como fraude financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
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