Band FM

Mulher reencontra mãe que a abandonou na infância

Após se mudar para São Paulo por causa de um novo amor, Chelbia decidiu procurar pela mãe biológica que não via desde a infância e teve a vida transformada por um reencontro emocionante

Da redação

DA REDAÇÃO

21/08/2025 • 13:33 • Atualizado em 21/08/2025 • 13:33

Aos 45 anos, Chelbia carregava um vazio que a acompanhou por toda a vida: a ausência da mãe, que a deixou com os tios quando ainda era um bebê e nunca mais voltou. Criada com amor, mas com um buraco no peito, ela seguiu a vida, casou-se, teve filhos e se divorciou. Foi um novo romance, com um homem chamado Sérgio, que a levou a uma mudança radical para São Paulo e, com ela, a coragem de finalmente procurar por sua origem e tentar preencher o espaço que só uma mãe é capaz de ocupar. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta quarta-feira (20).

Por anos, eu vivi com um vazio que ninguém via, mas que me doía todos os dias.

Eu cresci ouvindo que a minha mãe voltaria. Eu esperei. Esperei. Esperei tanto... mas ela nunca voltou.

Quando eu era bebê, ela me deixou na casa dos meus tios e foi embora. Eles sempre diziam que uma hora ela apareceria para me buscar, mas anos e anos se passaram e nada.

Apesar de ter tios incríveis, que me criaram como uma filha, cuidaram de mim com muito carinho, me deram amor, educação e me ensinaram os valores da vida, e de ter também o amor do meu avô, nada preenchia o espaço que só uma mãe é capaz de ocupar.

Eu cresci ouvindo que a minha mãe tinha ido trabalhar em São Paulo e que, assim que pudesse, voltaria para me buscar. Mas os anos passaram e... nenhuma notícia dela. Alguns parentes chegaram a acreditar que ela estivesse morta. E eu passei a infância imaginando o rosto dela, a voz, o cheiro... Será que ela iria gostar de mim quando voltasse? Será que eu era parecida com ela? Será que tinha saudade? Eram tantas perguntas! Até o meu nome tão diferente - Chelbia - era um mistério pra mim. Por que ela tinha escolhido? Qual era a origem?

Uma visita inesperada e outra despedida

Quando eu completei onze anos, eu tive uma surpresa. Eu acordei com o pessoal me chamando: "Chelbia! Chelbia! Vem aqui para sala. Tem uma surpresa".

Eu corri, achando que era um brinquedo, um presente, um doce, mas quando eu cheguei, eu... eu paralisei. Era ela. Era a minha mãe!!!

Eu correi para para dar um abraço nela, e eu fiquei tão feliz que eu nem sei por em palavras.

Mas... mas infelizmente, ela só tinha voltando para um passeio e no fim daquele dia, ela foi embora outra vez e não voltou mais. Eu, uma criança boba e inocente, não tive nem coragem de perguntar por quê... Nem o porquê de ter ido, nem o porquê de ter voltado se ia de novo.

Mais uma vez, eu fiquei sem notícias dela. E pior de tudo é que eu tinha, dentro de mim, um medo de procurar pela minha mãe e, com isso, parecer ingrata com os meus tios. Então, eu resolvei deixar para lá e esperei que um dia ela voltasse de novo.

Quando eu fiz 16 anos, o meu avô me chamou para uma conversa séria e disse que tinha muito medo de morrer e me deixar sozinha no mundo. Foi então que ele me pediu para... para encontrar um marido.

Eu fiz o que o meu avô pediu e comecei a namorar com o João.

Com 17 anos, eu já tava noiva. Eu era tão nova... nova demais para entender o peso de um compromisso como aquele.

Logo depois do meu casamento, o meu avô faleceu. Acho que ele realmente só precisava disso para descansar. Mas em menos de um ano como esposa, eu percebi que aquela não tinha sido uma boa escolha. Faltava maturidade, apoio... e, acima de tudo, a presença de uma mãe. Meu Deus, como eu sentia a falta dela.

De qualquer forma, eu fui empurrando com a barriga e o meu casamento durou 26 anos. Apesar de ter sido muito difícil, esse relacionamento me trouxe três filhos lindos: o Gabriel, a Chellen e a Luiza.

No fim, o que acaçapou com o nosso casamento foi o cansaço. A gente não tinha química, diálogo, carinho, nada. Era só um vazio que se arrastava dia após dia.

Um recomeço movido pela internet

Eu segui a vida sozinha, trabalhando como auxiliar de limpeza em um supermercado e cuidando dos meus filhos. Foram seis meses assim, até que, um dia, eu vi um pedido de amizade na minha rede social. Era de um rapaz que se chamava Sérgio e que morava em São Paulo. Eu achei curioso, já que eu era de Minas Gerais.

Eu não conhecia aquele homem, mas mesmo assim, aceitei o pedido de amizade para ver no que aquilo poderia dar. Nós logo começamos a trocar mensagens e, ele passou a ser uma pessoa importante para mim. O Sério me oferecia um cainho, um tipo de conforto, que eu já nem imaginava que pudesse existir.

— A verdade, Chelbia, é que eu tô passando por algo muito parecido nesse momento. Eu também tô buscando me reerguer e por isso eu sei como é difícil. Eu tenho um filho também. Da mesma idade que o seu.

— Sério? É um alívio saber disso. É tão bom conversar com alguém que te entende. Eu me sinto muito sozinha na maior parte do tempo.

— Eu sinto o mesmo conversando com você. Falar com você me acalma, Chelbia.

A gente passava horas e horas conversando todos os dias por mensagens e chamadas de vídeo.

Eu até conheci toda a família dele e, claro, fui confirmando cada detalhe do que ele me contava. Tudo batia. Ele não era nenhum mentiroso de internet. Era como se o universo tivesse feito a checagem por mim, só para me dar segurança.

E, quando eu percebi, eu já estava me permitindo sentir algo que eu achava que não conseguiria mais: amor.

É... Eu me entreguei e depois de três meses vivendo aquela conexão à distância, a gente decidiu fazer uma loucura.

— Eu... eu posso ir aí te ver?

— Aqui? Como? Viajar para cá?

— Só se você quiser... Não se preocupa. Eu vou ficar em um hotel. Mas eu queria muito ir até aí para te conhecer pessoalmente.

E ele veio mesmo! O Sérgio entrou na minha casa, no meu dia a dia, viu minha correria com a rotina, e parecia que já fazia parte de tudo aquilo. Não tinha aquela coisa timidez, nem de silêncio constrangedor de quando duas pessoas estão se conhecendo. Entre nós só carinho e amor.

Sei lá, parecia que a gente já se conhecia há anos. E quando ele foi embora, a saudade me pegou de jeito.

Mas, pouco tempo depois, ele me convidou para ir a São Paulo e, sem nem pensar duas vezes, eu fui. Eu conheci a família dele, me senti acolhida, e aquele amor, que já parecia grande, cresceu ainda mais. Eu voltei com o coração partido de tanta saudade.

A saudade apertava tanto para nós dois, que ele veio de novo me ver e ficou por três semanas.

Passar esse tempo todo colada nele, me fez perceber de vez que eu não queria mais ficar longe. Perto do Sérgio eu me sentia completa e eu não queria mais deixar de me sentir assim.

Então, numa decisão que muita gente pode chamar de "loucura", e que eu chamo de coragem, eu resolvi me mudar para São Paulo.

O Gabriel, meu filho mais velho, ficou. Até porque ele já era adulto e tinha a própria vida, mas as meninas, Chellen e Luiza foram comigo.

Eu pedi as contas no emprego, vendi tudo o que eu tinha em casa, deixei meu apartamento para trás e fui. Fui com a cara e a coragem. Era mais um recomeço na minha vida, mas dessa vez, eu não tava sozinha.

A busca que mudou tudo

Os meus pais adotivos - meus tios, que tinham me criado - já tinham morrido quando eu me mudei, então quando eu cheguei em São Paulo, a ideia de procurar pela minha mãe biológica foi tomando forma. Eu sabia que ela tinha vindo para cá a trabalho… mas será que ainda estaria aqui? Eu não sabia, mas não custava tentar.

Eu pesquisei o nome dela em uma rede social, meio que sem esperanças. Eu achei que não ia encontrar, que ia ser difícil, mas eu... eu tava muito enganada.

Eu logo encontrei. Era ela.

O meu coração parou. Eu não conseguia pensar em nada, fazer nada. E agora? Era a minha mãe. Era a minha mãe ali! O que eu fazia agora? Mandava mensagem?

Eu fiquei horas olhando para a fotinho dela. Olhando os cabelos idênticos aos da minha filha, os olhos, que eram iguais aos do meu pai adotivo... que emoção! Que sensação!

Mas eu demorei 15 dias criando coragem e pensando no que de fato eu deveria fazer. A verdade é que eu tinha muito medo da rejeição.

Com medo de tomar uma atitude precipitada, eu resolvi ir por outro caminho e decidi falar com alguém que fosse próximo a ela. Eu fiquei ali, na rede social, indo de post em post, vendo com quem ela interagia, com quem postava foto ou trocava comentários.

Foi assim que eu encontrei um cara que parecia ser bem amigo dela e mandei uma mensagem pedindo ajuda para fazer uma ponte entre nós duas.

Alguns dias depois, ele me mandou o número de telefone dela.

Eu nem acreditava. Eu tinha o número dela. Eu tinha telefone dela ali, na minha mão. Eu podia simplesmente ligar, falar quem eu era, conversar... mas eu tava com muito medo.

Eu respirei fundo milhões de vezes e disquei. Eu ouvi o toque, mas na hora H.... eu desisti, desliguei e disse para mim mesma que era melhor esperar mais um pouco.

Mas o dia mal tinha terminado, quando o meu telefone tocou. Era ela.

Eu tava num curso, mas fiquei eufórica. As pessoas ao meu redor me olhavam e não entendiam o que tava acontecendo. Elas não faziam ideia que aquele era o momento mais importante da minha vida.

“O melhor de ser mãe é ter uma mãe”

Eu corri para o banheiro, tremendo, e atendi. Quando eu ouvi aquele "alô", aquele simples "alô". Eu congelei. Era a minha mãe... era o alô da minha mãe. A voz da minha mãe. Eu tava falando com a minha mãe. Eu tremia tanto que eu quase deixei o celular cair. Depois de tantos anos, ela tava ali, do outro lado da linha.

Nós duas começamos a chorar sem parar, muito, muito, mesmo. Ela me pediu perdão e eu... sem nem pensar duas vezes, a perdoei.

Eu não conseguia e nem queria julgar a minha mãe. Eu não sabia o que ela tinha vivido e eu não sabia as razões dela para tomar a decisão que ela tomou.

Ela não me abandonou na rua. Ela me deixou na casa de pessoas que ela confiava e que cuidaram de mim e me amaram incondicionalmente.

Nós marcamos um encontro, e ela abriu o coração. Disse que, quando veio para São Paulo, conseguiu um emprego, mas que acreditava que meus tios conseguiriam cuidar melhor de mim do que ela própria.

Além disso, por causa de brigas entre os parentes, ela decidiu se afastar.

Ela me contou como foi a vida dela, detalhes do que she passou, todas as histórias, problemas, dificuldades... E, para minha surpresa, eu, que tinha pensado mil coisas ao longo da vida, descobri que ela tinha escolhido um nome tão diferente para mim, simplesmente porque achava bonito.

Depois, eu a apresentei com muito orgulho para a minha família e todo mundo se emocionou com o nosso reencontro.

Eu continuo maravilhada! Ter a minha mãe de volta era o grande sonho da minha vida e agora, aos 45 anos, eu finalmente consegui realizar.

É engraçado como a vida dá voltas... quando ela veio me visitar, eu estava com dengue, e ela cuidou de mim com tanto carinho. Hoje, a relação é essa... eu cuido dela, e ela cuida de mim.

Às vezes, eu chego do trabalho e ela me recebe com café fresquinho e um bolo feito especialmente para mim. Eu me sinto cuidada como nunca antes na vida. E, agora, já mais velha, entendi uma coisa simples, mas poderosa: o melhor de ser mãe… é ter uma mãe.

Eu sou profundamente grata a Deus pelos meus tios, Paulinho e Carminha, que me criaram com tanto amor. Mas agora estou descobrindo minha verdadeira genética, respondendo perguntas que nunca consegui preencher nas fichas médicas… e, o melhor de tudo, estou sendo mimada!

Quem diria que quando eu aceitei vir para São Paulo com um homem que mal tinha entrado na minha vida, eu ia ganhar muito mais que um casamento feliz... Eu ia ganhar a minha mãe!

Eu estou amando cada instante dessa nova fase e hoje, eu me sinto completa com filhos incríveis, um marido maravilhoso e, finalmente, a mãe que sempre desejei.

Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.

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