O término foi doloroso, mas necessário. A traição abriu os olhos de Luiza, que já vinha sendo ameaçada, manipulada e isolada em nome de um “amor” tóxico. A reviravolta veio com terapia, fé e, por ironia do destino, um novo amor que começou com um “bom dia” no consultório.Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta quarta-feira, 25 de junho.
Em algum lugar do mundo, existe alguém que vai te amar do jeito que você merece.
Eu conheci o Felipe quando nós começamos a trabalhar na mesma empresa. Ele era de outra área, mas me mandou uma mensagem nas redes sociais e eu, por educação, respondi. Para ser sincera, eu não dei muita bola, mas ele foi insistente. Mandava mensagem todos os dias!
Até que, depois de tanta insistência, eu aceitei sair com ele.
Quando nós saímos, foi muito bom. A nossa conversa era leve, gostosa... E, a partir daí, toda vez que a gente saía, eu não queria que a noite acabasse. O Felipe me deixava à vontade e era muito atencioso. Duas semanas depois, ele me pediu em namoro. Dois meses depois, em casamento.
Rápido sim, mas eu tava feliz. Muito feliz porque, no meu relacionamento anterior, eu tinha sofrido demais. Então, encontrar um cara que realmente queria estar comigo e que parecia disposto a me fazer feliz naquele momento da minha vida era a melhor coisa que podia me acontecer.
O Felipe parecia o homem ideal, sabe? E quando a gente foi morar junto, eu jurava que tava vivendo um conto de fadas. Ele abria a porta do carro, me colocava do lado de dentro da calçada para me proteger, era educado, tinha postura, uma boa carreira na profissão, era respeitoso, carinhoso... O que passava pela minha cabeça era: "Achei o meu príncipe encantado".
Quando o “homem perfeito” vira um pesadelo silencioso
Mas mãe sente. E a minha, mesmo sem saber de nada, dizia que tinha alguma coisa estranha nele.
Eu ignorei. Na minha cabeça, ele era perfeito.
Mas, com o tempo... com o tempo, o comportamento dele começou a mudar.
Controle, culpa e medo: os sinais que ela demorou para enxergar
Aos poucos, ele começou a me afastar dos meus amigos. Tudo de forma sutil, quase imperceptível.
Ele dizia coisas como: “Você vai sair e me deixar sozinho?" "Ah, não. Fica aqui comigo.”
Aí eu ficava e cedia às vontades dele, achando que era cuidado e carinho. Se eu saísse, eu me sentia culpada. Era como se eu estivesse errando por querer viver um pouco fora daquilo. Depois, veio também a distância da minha família. Sem perceber, eu já tava me isolando de todo mundo.
Com o tempo, ele também passou a me ameaçar, sempre de forma sutil, mas firme. Ele dizia que, se eu fizesse qualquer coisa contra ele dentro da empresa, ninguém mais me contrataria, que eu não teria futuro, que minha carreira acabaria ali mesmo. E aquilo começou a entrar na minha cabeça.
Sem perceber, eu já estava com medo. Me sentia controlada, sufocada.
Quando eu tentava conversar, vinha briga. Fora que ele começou a desconfiar de tudo e me acusava de traição, mesmo sem ter nenhum motivo.
Eu me via cada vez mais presa em uma relação que só me fazia mal.
Foi nesse ponto que eu decidi procurar ajuda e comecei a fazer terapia.
Em toda sessão, eu desabafava com a minha psicóloga e dizia que tava me sentindo sufocada e que sabia que alguma coisa não tava certa no meu casamento. Mas, ao mesmo tempo, eu achava que a culpa de tudo era minha, que talvez eu fosse mesmo difícil e que talvez ele tivesse razão.
A minha psicóloga me ouvia com cuidado e, aos poucos, começou a me mostrar que eu estava vivendo um relacionamento abusivo.
No começo, eu rejeitei. Eu não queria aceitar aquilo. Era como se ouvir essa verdade me obrigasse a encarar tudo o que eu vinha fingindo não ver. Mas, com o passar do tempo, as atitudes dele foram me mostrando aquilo que meu coração já sabia e que eu não queria admitir. A verdade é que a gente sempre acha que esse tipo de coisa nunca vai acontecer com a gente… até acontecer.
Quando a ficha caiu, eu comecei a pensar em formas para sair daquilo, mas era muito difícil porque, sempre que eu tentava terminar, o Felipe me ameaçava dizendo que ia acabar com a minha carreira e até que... que ia se matar se a gente não ficasse junto. Era horrível.
Foram quase 3 anos até eu conseguir sair daquele ciclo que tanto me fazia mal. Eu orava, pedia direção a Deus, ajuda para me libertar. Sem briga, sem confusão, sem machucar ele e sem me machucar também. Eu só queria que ninguém corresse risco.
“A traição que me feriu e me libertou ao mesmo tempo”
E Deus ouviu. Porque o que me libertou foi algo que, por mais louco que pareça, me feriu e me salvou ao mesmo tempo: o Felipe começou a me trair.
Quando eu descobri tudo, ele sentou do meu lado e disse que não era mais feliz comigo e que era melhor a gente terminar, porque o nosso relacionamento já não era como antes.
Mal sabia ele o quanto eu tinha rezado por aquela cena! Finalmente, eu estava livre!
Eu já estava com 31 anos e, na minha cabeça, nessa idade eu já estaria com dois filhos e uma família formada, mas ali... ali, para mim, eu tinha acabado de chegar no fundo do poço.
“Terapia, fé e recomeço: como reconstruí minha vida”
Eu tava mal, machucada e me perguntava a todo momento se um dia eu viveria um amor de verdade. Por conta de tudo isso, eu segui na terapia e, toda segunda-feira, às 8 da manhã, eu tava lá.
Foi nesse período que eu comecei a encontrar com um homem na sala de espera. Ele sempre tinha consulta depois de mim e, por isso, a gente sempre se via. Mas a gente não conversava e nem nada do tipo. Era só um "bom dia" e nada mais.
Em algumas sessões, a minha psicóloga chegou a comentar sobre esse paciente porque, segundo ela, ele tinha uma história de sucesso no mundo do empreendedorismo. Ela usava ele como exemplo pra me motivar, já que, naquela época, eu também queria sair do CLT e me aventurar por conta própria, mas a insegurança ainda falava mais alto.
Eu fiquei encantada com aquela história e aquilo, de verdade, me encorajou. Mas, além disso, também me deixou muito curiosa pra conhecer melhor aquele “cara da recepção”.
Até que um dia, depois da minha consulta, ele estava lá, sentado na sala de espera, como sempre, só que, dessa vez, a minha psicóloga resolveu apresentar a gente.
E quando ele entrou, ele falou alto o suficiente para eu ouvir.
“Nossa, doutora, que mulher linda, me passa o contato dela.”
Na semana seguinte, durante a sessão, eu comentei com ela que tava com medo de não encontrar mais ninguém. Foi aí que ela me contou que o Giovanni, o cara da recepção, tinha me achado bonita e até pediu o meu contato. A gente riu, brincou, mas ficou por isso mesmo… Até porque eu ainda tava meio traumatizada.
Com o tempo, eu fui me reencontrando. E, um ano depois da separação, aquele nome voltou na minha cabeça. Eu perguntei pra minha psicóloga sobre o Giovanni, que eu não via há algum tempo, e ela me disse que ele tinha mudado de horário e que estava contratando pessoas pra empresa dele.
Aquilo acendeu uma luz dentro de mim! Na mesma hora, eu comecei a procurar pessoas pra indicar para a vaga que ele queria, e mandei alguns currículos pra ele por uma plataforma de empregos.
Foi o que fez a gente finalmente conversar.
— Oi, Luiza! Muito obrigado. Eu tava mesmo precisando. Tá uma loucura por aqui...
— Imagina! A nossa psicóloga comentou que você tava precisando de uma força e, como eu sou dessa área, achei que podia ajudar.
— Ajudou mesmo, de verdade. E quando precisar de alguma coisa, me chama também. Se eu puder ajudar, claro...
Eu e o Giovanni passamos a conversar todos os dias. No começo, era muito sobre negócios. Depois, a conversa foi ficando mais pessoal. A gente começou a dividir coisas mais íntimas, principalmente sobre os motivos que tinham levado a gente à terapia. Mas, justo quando eu já estava quase me acostumando com ele ali, presente todos os dias, sempre respondendo, “do nada” ele sumiu.
Eu achei estranho, mas não demorou muito pra eu descobrir o motivo. Ele tava namorando.
É... eu vi uma foto dele com uma menina, em uma montanha e, nossa, quando bati o olho naquela foto, eu me senti estranha. Eu não sei explicar, mas mexeu comigo. Ver o Giovanni com aquela menina me incomodou. Mas eu não tinha nada a fazer além de seguir minha vida.
Eu voltei a sair, conhecer gente, ter novos encontros, mas o Giovanni não saía da minha cabeça. Eu cheguei ao ponto de ocultar as fotos dele nas redes sociais, só pra não ficar me machucando vendo ele com outra pessoa.
Alguns meses depois, ele comentou em uma foto minha. Eu respondi, daquele jeito, meio indiferente, como quem não quer nada… Mas foi então que ele me contou que tinha terminado o namoro, disse que só tinha se afastado por respeito à namorada, mas que agora estava solteiro.
Amor leve existe — e pode estar mais perto do que você imagina
Nós voltamos a nos falar como antes, e eu amava conversar com o Giovanni. Ele era leve, inteligente, tinha uma visão parecida com a minha... A gente se parecia muito nas ideias, nos sonhos, até nas inseguranças. Mas uma coisa me incomodava. Eu tava ali, todos os dias, presente, disponível e ele simplesmente não tomava nenhuma iniciativa pra me chamar pra sair. Nenhuma!
Eu desabafei com a minha psicóloga, falei que eu tava gostando dele, mas que parecia que ele não queria nada. Ela me ouviu, disse que o Giovanni era muito respeitoso e que só ia dar um passo se eu desse um sinal bem claro do que queria.
Graças a Deus, na mesma época, eu fui promovida no trabalho. E foi aí que tive a ideia perfeita de usar isso como desculpa pra chamar ele pra sair.
— Ah, que legal, Luiza! Parabéns!
— Nossa, eu lutei tanto por essa promoção. Você não faz ideia...
— Você merece! Eu fico muito feliz por você.
— O que você acha de sair comigo pra comemorar? Eu tô tão feliz!
— Claro! Eu topo! Aonde?
Meu Deus! Eu nem conseguia acreditar que tinha dado certo!
Nós fomos jantar em um restaurante italiano, e foi, simplesmente, uma noite perfeita. Na mesma semana, o Giovanni já me chamou para sair de novo. E de novo.
Com dois meses, nós estávamos namorando. Com quatro, fomos morar juntos.
O que nós temos é um relacionamento leve e cheio de respeito e amor, como tem que ser. O que eu vivo com ele beira o inacreditável. A gente nunca teve uma briga séria! Claro, tem aquelas discussões normais, mas o que sempre prevalece é a paciência e o diálogo. O Giovanni me escuta e se preocupa com o que eu sinto de verdade.
Hoje estou com 34 anos, e era um sonho nosso ter uma família. Isso me preocupava um pouco, porque eu sabia que, se a gente adiasse demais, poderia se tornar mais difícil.
Então, juntos, decidimos começar a tentar e cada mês era aquela expectativa. Mas, desde o início, o Giovanni me trouxe algo que eu nunca tinha sentido de verdade: segurança.
— Amor, eu não tenho pressa. E também não tenho medo.
— Mas eu tenho! E se a gente não conseguir? E se já for tarde demais?
— Fica tranquila. A gente não pode acelerar esse processo, porque, no fim, quem mais sente é você. Você é quem vai gerar. Você é quem vai passar por tudo o que for mais difícil. Fica calma. Tudo vai dar certo na hora certa.
Quem diria, né? Quem diria que a gente ia se conhecer como se conheceu. Os dois numa sala de espera de uma psicóloga, curando as feridas que cada um carregava.
Tem coisa que não tem explicação. Simplesmente tem que acontecer.
A gente não vai mais àquela psicóloga, mas somos eternamente gratos pelo que ela fez por nós.
No fim, a lição que fica é: A gente não pode aceitar pouco.
Porque, em algum lugar do mundo… tem alguém que vai te amar do jeitinho que você merece.
*Texto gerado por inteligência artificial e revisado pela redação de Band.com.br.
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