Prestes a se casar e esperando o primeiro filho, Cris foi traída e rejeitada pelo noivo. A maternidade começou em meio ao abandono, e anos mais tarde, ela teve que enfrentar outro pesadelo: salvar sozinha o filho de uma doença grave que os médicos se recusavam a investigar. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta segunda-feira, 7 de julho.
A gente passa a vida inteira acreditando que o amor verdadeiro vem de um par romântico. Alguém para dividir os dias, segurar nossa mão nas dificuldades e caminhar ao nosso lado. Mas, no meu caso, a vida me mostrou outro caminho.
A minha alma gêmea não chegou em forma de namorado, marido ou grande paixão. Meu verdadeiro companheiro de vida nasceu de mim. Meu filho. Somos nós dois contra o mundo.
Eu sempre sonhei em ter uma família. Esse era o meu maior desejo, o meu plano de vida. Mas a forma como esse sonho aconteceu foi bem diferente do que eu imaginava...
Eu conheci o Milton no trabalho e, no começo, ele era só mais um colega. Mas, sem perceber, eu fui gostando, gostando e, quando eu me dei conta, eu já estava completamente envolvida.
Nós namoramos por um ano e meio, até que ele me pediu em casamento. Foi um momento lindo, emocionante. E, como se já não fosse felicidade o bastante, pouco tempo depois, eu descobri que estava grávida. Meu sonho... meu sonho estava começando a se realizar! Casamento marcado e um bebê a caminho. Eu mal conseguia acreditar. Parecia ser bom demais para ser verdade!
Flagra destrói noivado a uma semana do casamento
Os dias foram passando com aquela correria maluca! Detalhes do casamento, exames da gravidez, trabalho... uma maratona, né? Mas eu tava feliz! Ansiosa e feliz.
Faltava só uma semana para o meu grande dia quando, numa tarde, me pediram para fazer hora extra. Eu topei na hora. Ia ser bom ganhar uma graninha a mais.
Mas quando eu tava chegando no trabalho, eu congelei.
Ali... bem ali... eu dei de cara com o Milton... o meu NOIVO. O homem com quem eu me casaria em poucos dias... bei... beijando outra mulher. E não era qualquer mulher.
Era uma mulher que dizia ser minha amiga. Uma mulher que já tinha morado na minha casa quando precisou de um teto.
Eu não conseguia acreditar! Era um pesadelo. Só podia ser. Uma miragem. Não podia ser verdade.
– Cris, espera... Eu posso explicar!
– Explicar? Explicar o quê, Milton? Explicar o que sua boca tava fazendo na boca dela?
– Eu... eu não sei! Acabou acontecendo e...
– Chega! Chega, vai. Acabou. Acabou a gente, acabou casamento, acabou tudo.
– Cris, calma. Vamos cone...
– Eu nunca mais quero te ver, Milton.
– A gente vai ter um filho, Cris. Cris... Cris... volta aqui.
Como pode existir tanta gente ruim assim? E pior: tão perto de mim.
Como a gente pode se enganar tanto com os outros? Aquilo não entrava na minha cabeça.
"Eu tava arrasada, destruída, mas eu tinha minha dignidade e cancelei tudo... tudo sozinha."
Grávida e sozinha, ela ouve o inimaginável do ex-noivo
Faltava só uma semana... só uma única semana e lá estava eu, desfazendo tudo, chorando enquanto ligava para fornecedores. E como se passar por isso tudo não fosse suficiente, eu ainda precisei lidar com questões da gravidez com ele, que era o pai... E foi aí que ouvi o que jamais imaginei escutar.
– Bom, já que nós não vamos ficar juntos, então... então é melhor tirar.
– Tirar? Tirar o quê?
– O filho, ué. É melhor abortar.
– Você endoidou? Eu não vou abortar o meu filho! Nunca!
– Ou você aborta, ou... ou eu não assumo essa criança.
– Não é você quem decide isso, Milton. É a Justiça.
– Então vamos ver. Eu não vou reconhecer esse filho nunca. NUNCA.
Apesar de toda a dor que eu tava sentindo, eu sabia que eu precisava continuar. Não por mim, mas por ele... Pelo meu filho.
Eu enfrentei o resto da gestação inteira sozinha. Foi difícil, foi doloroso, foi solitário. Mas eu consegui. E no fim, veio o meu milagre: o Arthur Gabriel. Ele nasceu saudável, lindo, forte. Um verdadeiro presente de Deus. A chegada dele mudou tudo. Trouxe cor para a minha vida, que estava cinza. E sentido para os meus dias, que eram vazios. Meu filho transformou a minha dor em força.
"A rotina virou uma loucura. Ser mãe solteira não é fácil e eu aprendi isso na marra."
Eu coloquei o pai na Justiça e ele passou a pagar a pensão, mas desde aquele pedido absurdo, ele nunca mais deu as caras. Ele não esteve no parto. Não segurou o filho nos braços. E também não apareceu quando as coisas começaram a dar errado com o Arthur.
A luta de Cris pela vida de Arthur
Quando meu filho tinha cerca de 3 anos, quase completando quatro, uma febre apareceu e não ia embora por nada. Eu levei ao médico várias vezes, mas sempre vinha o mesmo diagnóstico: virose. Aí davam remédio e mandavam de volta para casa. Mas eu sentia que tinha alguma coisa errada e, com o tempo, ele foi piorando. Algumas manchas vermelhas foram aparecendo nos olhos, nos pés... até que apareceu também um caroço no pescoço.
Eu entrei em pânico e corri, mais uma vez, para o hospital. Nós fomos atendidos por uma médica que, sem fazer muito exame, disse que era só uma alergia. Mas eu não aceitava isso. Como podia ser só uma alergia? Todo dia aparecia uma coisa nova. Ele tinha um caroço no pescoço! Como podia ser "só uma alergia"?
Eu tive uma discussão com aquela médica e decidi procurar outro hospital. Eu tava no meu limite, nervosa, exausta, desesperada e só queria uma resposta.
Quando o novo médico examinou o Arthur, a cara dele mudou na hora e aí ele disse que... disse que o que ele tinha era grave. Muito grave e que ele teria que ficar internado.
Ele ainda falou que só tinha um hospital na cidade que fazia o exame que o meu filho precisava fazer e... acredite se quiser, era justamente o hospital de onde eu tinha acabado de sair.
Aquele em que tinham me mandado embora dizendo que o Arthur só tinha uma alergia.
Para você ter ideia da gravidade, nós voltamos para lá de ambulância.
Quando nós chegamos, o caos recomeçou. A mesma médica... a mesma, que tinha desacreditado do meu filho, continuava de plantão e foi ela quem atendeu a gente. Assim que ela nos viu, ela foi dizendo: "Não, não, não. Nós não vamos atender essa criança. A mãe dele já veio aqui e ele não tem nada. É só dar um antialérgico".
Eu fiquei completamente em estado de choque, paralisada. A sorte é que a paramédica que tinha vindo na ambulância com a gente intercedeu e disse que o meu filho tinha que ser atendido senão ela poderia ser denunciada por negligência.
Teve uma discussão tensa, mas internaram o Arthur. Só que mesmo internado, ele continuou sendo ignorado. A médica não queria saber de examiná-lo direito.
Só depois eu descobri que aquela médica era residente e foi em uma ronda com o supervisor que tudo mudou. Ela continuava sendo arrogante, e quando passou por nós foi logo dizendo que ia dar alta, mas o doutor, quando o examinou, arregalou os olhos e disse que era para levar o Arthur imediatamente para fazer exame. Depois disso, eu nunca mais vi essa médica.
Foram vários exames, muita investigação até que veio o diagnóstico: Síndrome de Kawasaki. Uma doença rara, e mais rara ainda no Brasil. Uma doença inflamatória que atinge os vasos sanguíneos e que, se não for tratada logo, pode causar sérias complicações no coração, como aneurismas.
Se aquele médico não tivesse agido a tempo, meu filho teria morrido porque essa doença é muito agressiva e precisa ser tratada nos primeiros dez dias com um medicamento específico.
O Arthur já estava no sétimo dia da doença. Nós estávamos no limite.
Ele ficou horas tomando a primeira dose do remédio. E foram horas de espera, de oração e de medo. A boa notícia é que as manchas começaram a desaparecer. Mas o alívio durou pouco. Logo em seguida, o corpo dele ficou tão fraco que ele começou a perder os movimentos das pernas.
A doença ia avançando e o estado do Arthur só piorava. Chegou uma hora que os médicos começaram a preparar o meu coração para o pior e disseram que... que eu poderia ir me despedindo do meu filho porque, mesmo que ele sobrevivesse, ficaria com sequelas graves e irreversíveis.
Mas eu não aceitava, sabe? Eu me recusava a aceitar! Eu repetia para mim mesma, todos os dias, que enquanto ele estivesse respirando, ele estava vivo. E enquanto ele lutasse, eu lutaria com ele.
O remédio custava quase 10 mil reais. E, como o Arthur não tinha apresentado uma recuperação completa com a primeira dose, os médicos não queriam autorizar a segunda. De acordo com eles, não valia a pena gastar 10 mil reais com alguém... com alguém que já ia morrer.
Escutar isso enquanto você luta sozinha pela vida do seu filho é cruel... é desumano. Mas desistir nunca foi uma opção pra mim. Eu ameacei fazer um escândalo naquele hospital. Eu disse que ia chamar a imprensa e denunciar aquele lugar! O meu filho precisava daquele remédio! Era a única a chance dele, e a diretoria do hospital não queria liberar. E como se não fosse o bastante, enquanto eu passava por tudo isso, no meu trabalho ameaçavam me demitir por abandono. Eu tive que assinar uma licença NÃO remunerada para poder cuidar do Arthur. Mas eu abri mão de tudo porque naquele momento, a única coisa que importava era estar ao lado dele.
No meio do caos, com a cabeça a mil e os médicos praticamente desistindo do meu filho… Eu parei. Parei tudo e dediquei um tempo para falar com Deus, aquele que nunca me abandonou. E ali, eu fiz uma promessa:
“Deus… eu sei que as coisas estão difíceis. Muito difíceis. Mas, se o Senhor puder salvar a vida do meu filho… eu raspo o meu cabelo. Eu levo ele à igreja. Eu entrego a vida dele nas Tuas mãos. Por favor… salva o meu filho. Por favor… Amém.”
Eu continuei a minha briga com o hospital. Insisti, implorei, me humilhei. Cheguei a tentar pagar eu mesma pela segunda dose do remédio, pensei em fazer uma vaquinha, vender o que desse, mas nem isso eu consegui porque o hospital não liberava a receita.
Eles já tinham decretado a morte do meu filho… Antes mesmo do coração dele parar.
Até que, numa noite, Deus me enviou um anjo... um outro médico. Um médico humano que, ao ver o estado do Arthur, ficou indignado e me ajudou a conseguir a aplicação do remédio.
Foi impressionante, mas no dia seguinte... no dia seguinte, o meu filho já estava de pé, andando! Como se nada tivesse acontecido!!! Duas semanas depois, ele teve alta.
"A criança, que foi dada como morta, estava saindo do hospital andando."
Ela mostrou ao mundo do que uma mãe é capaz
A cada 15 dias, a gente repetia os exames, para monitorar a doença. Era sempre um misto de medo e esperança. Até que então, depois de alguns meses, veio a notícia que eu tanto esperava: Meu filho estava curado!
Naquele momento, eu cumpri a minha promessa e raspei os meus cabelos como forma de agradecimento a Deus, por Ele ter me devolvido o maior presente da minha vida.
Desde a gravidez, eu sempre escutei as histórias do Quem Ama Não Esquece. Eram minha companhia nos dias difíceis e quando o Arthur foi crescendo, ele passou a ouvir comigo e se apaixonou também. Eu lembro dele pequenininho, me pedindo para pôr na Band FM.
Agora, todos os dias, ele dorme ouvindo as histórias e, nos fins de semana, quando não tem história nova, ele vai atrás de alguma antiga que ainda não conhece. É uma graça.
E foi por ele que eu quis contar essa história, a nossa história!
Para que o mundo saiba da garra que meu filho tem. Da força que ele carrega desde tão pequeno, mesmo com a ausência de um pai.
Filho, você é tudo pra mim. Você foi a luz que iluminou minha escuridão.
Você me trouxe uma felicidade que eu jamais tinha sentido.
Você é meu anjo, meu presente de Deus. Eu sou eternamente grata por ter sido escolhida para ser sua mãe. E eu te amo com todas as forças que existem em mim.
Para sempre.
*Texto gerado por inteligência artificial e revisado pela redação de Band.com.br.
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