Band FM

Homem perde o braço e é abandonado pela noiva

João quase morreu em um acidente de moto, mas a maior dor veio depois: ser deixado por Isadora antes de subir no altar; leia no "Quem Ama Não Esquece"

Da redação*

DA REDAÇÃO*

24/06/2025 • 13:58 • Atualizado em 24/06/2025 • 13:58

João estava prestes a realizar o maior sonho da sua vida: casar com a mulher que amava desde a juventude. Mas um acidente de moto, a poucos meses do casamento, mudou tudo. Entre cirurgias, dores e uma recuperação lenta, ele descobriu que algumas feridas são mais profundas do que as do corpo. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta terça-feira, 24 de junho.

Eu precisei quase morrer para realmente aprender a viver. Mas essa não é só uma história de dor. É, acima de tudo, uma história de recomeço.

Eu tive sorte no amor. Pouca gente pode dizer isso com tanta certeza.

Eu conheci a Isadora quando era bem jovem, por acaso, e naquele mesmo dia a gente já estava conversando como se se conhecesse há anos.

Em menos de uma semana, a gente já estava namorando sério, com aliança de prata e tudo.

“Eu tinha certeza que ia casar com ela”

Eu nunca tinha me apaixonado daquele jeito e, mesmo que hoje pareça exagero, eu já dizia pra todo mundo que ela ia ser a mãe dos meus filhos.

Nós namoramos por seis anos e era um namoro muito saudável. Tinha respeito, companheirismo, parceria, diálogo, apoio, carinho... tudo o que precisa ter.

Tinha briga também, claro. Mas era tão raro que eu mal me lembro de alguma que tenha sido realmente importante.

A Isa era a minha paz, e qualquer coisa que eu imaginasse para o meu futuro, ela estava no meio. A gente fazia muitos planos: uma casa pequena com um quintal nos fundos, um cachorro grande e, depois, uns dois filhos.

Nós noivamos em um sábado de março, com uma chuva horrível que acabou atrapalhando o nosso churrasco de comemoração.

— Não fica triste, meu amor. O importante é a gente estar aqui, juntos.— Mas, poxa, tinha que cair esse dilúvio bem hoje? Tava tudo tão bonito... Sua mãe preparou uma mesa tão linda lá fora.— João, sabe o que dizem sobre chuva no casamento? Que é sinal de bênção para a vida a dois e sorte para o casal.— Bom, espero que no noivado também signifique o mesmo. E, se for, nós estamos mais do que abençoados, porque a chuva tá demais.— Com chuva ou sem chuva, eu já me sinto abençoada e sortuda por ter você na minha vida.

Depois disso, a gente começou a planejar e organizar o casamento. Como a gente não tinha muito dinheiro, marcamos a data só para o finzinho do ano, em dezembro. Escolhemos casar em um sítio. Simples, mas que tinha tudo a ver com a gente.

A Isa cuidava dos mínimos detalhes com uma animação que me encantava. Ela fazia planilhas, orçamentos, pesquisas... tinha até uma pasta com fotos e anotações.

Eu participava de tudo, claro, mas, pra ser sincero, eu não ligava pra nada daquilo. Por mim, o que ela escolhesse estava bom. A única coisa que eu queria era ouvir o “sim” dela no altar.

Os meses foram passando e, faltando três meses para o grande dia, a gente já tinha tudo definido: data, lugar, buffet, fotógrafo, vestido, terno, banda, decoração etc. Era só chegar e casar.

Mas foi aí, faltando menos de 90 dias para o dia mais importante das nossas vidas, que tudo aconteceu.

O acidente que virou a vida de João do avesso

Eu estava indo para o trabalho de moto, pelo mesmo caminho de sempre, no mesmo horário de sempre, devagar como sempre. Mas, infelizmente, quando você mora em uma cidade grande, não basta só você dirigir bem... você depende dos outros também.

E, nesse dia, o meu caminho cruzou, literalmente, com um péssimo motorista.Foi tão rápido que eu mal sei explicar, mas quem presenciou disse que um ônibus passou no sinal vermelho e me acertou em cheio.

O ônibus ainda foi me arrastando por alguns metros, com a moto e tudo, até que parou... e ela explodiu.

Se eu falar que lembro de sentir dor, estarei mentindo. Naquele momento, eu não senti nada. Até porque, eu apaguei assim que fui atingido.

Eu só fui acordar no hospital dias depois — e aí sim, cheio de dor. Parecia que não tinha nada no lugar. Até piscar era sofrido.

Fiquei entre a vida e a morte. Tive fratura exposta na perna — o que me deixou para sempre com uma perna maior que a outra —, queimadura de terceiro grau do lado esquerdo no tronco e até no rosto, porque eu perdi o capacete na hora.

"E ainda precisei amputar parte do meu braço. Sim. Tudo isso. E mesmo assim, eu tô aqui vivo contando essa história."

A primeira vez que eu me vi no espelho foi um choque. O médico tinha me avisado, mas nada poderia me preparar para aquilo.

Quando eu olhei, eu acho que até demorei pra entender que aquele era eu mesmo.

O lado esquerdo do meu rosto estava completamente desfigurado por cicatrizes, marcas e manchas. A pele parecia repuxada, ainda em cicatrização. Um dos olhos mal abria. A sobrancelha, desaparecida. A boca, meio torta.

Era como se tivessem arrancado um pedaço de mim e colocado outra coisa no lugar.

Eu chorei, sem vergonha nenhuma. Chorei pelo susto, pelo medo... mas não chorei por vaidade, juro. Chorei por tudo o que aquela imagem significava.

Mas depois de chorar, respirei fundo, olhei de novo e pensei:Eu tô vivo!

E por mais difícil que fosse, eu tava ali, respirando, pensando... Era muito mais do que muita gente tinha — e eu tinha a obrigação de ser grato por isso.

“Você ainda quer casar assim?”

A Isa estava lá todos os dias. Desde que eu acordei, eu a vi. Sempre com uma cara de choro. Sempre triste. Eu consolava ela mais do que ela me consolava. Minha noiva ficou arrasada pelo que tinha me acontecido.

— Como você tá hoje, João?— Tô muito bem. Com menos dor também. Eu não vejo a hora de ter alta. Eu não aguento mais. Fora que a gente ainda tem algumas coisas pra resolver, né?— Que coisas?— Do casamento, ué.— Ah, isso... Bom, eu andei pensando... você não acha que é melhor a gente adiar um pouco? Eu não vou ficar triste. De verdade, eu entendo. Eu não quero que você se esforce, sofra, se machuque... A gente pode adiar até você se recuperar 100%.— De forma nenhuma. Eu tô ótimo. E se tem uma coisa que vai ajudar na minha recuperação, é me casar logo com você.— Tá bom, meu amor. Então tá bom.

De forma nenhuma que eu ia adiar o nosso sonho. Eu podia estar sem um braço, com o rosto desfigurado para sempre, com uma perna maior que a outra... mas eu tava inteiro por dentro.

O meu coração tava inteiro, e eu tinha que honrar a segunda chance que Deus tinha me dado de viver.

Eu ia, sim, casar com a mulher da minha vida do jeitinho que a gente tinha planejado.

Eu podia ter morrido naquele acidente. Por muito pouco eu não morri. E eu entendi que a vida passa muito rápido.

Eu não ia perder nenhum segundo que eu tinha... e também não ia deixar a Isa perder.

Ela tinha feito tudo com tanto amor, tanto carinho, tinha se dedicado tanto, tinha se empolgado tanto... esse casamento ia, sim, acontecer.

No final daquela semana, depois de quase 20 dias internado, eu tive alta. Eu sentia muita dor, mas fingia que tava bem porque não queria que a Isa se preocupasse.

A partir dali, eu teria que reaprender a viver. Eu tinha perdido o meu braço, andava mancando, e meu rosto nunca mais seria igual.

Eu ainda podia tentar fazer algumas plásticas, mas o médico disse que o meu caso era complicado e que seria bem doloroso.

Mas, de verdade, eu tava tão feliz, tão grato por estar vivo, por estar saindo daquele hospital andando, respirando, pensando, rindo... que eu não me importava quase nada com a minha aparência.

Isso era o de menos.

Eu tinha minha vida, tinha uma família incrível, uma noiva maravilhosa e ia me casar em dois meses.

Os dias em casa estavam sendo bem desafiadores, mas também cheios de pequenas vitórias.

Cada passo, cada movimento com o braço que sobrou, cada noite sem tanta dor era uma conquista.

A Isa vinha sempre, mas eu comecei a perceber que... que não era mais a mesma visita. Ela tava cada vez mais quieta, mais distante, ficando cada vez menos.

— Não é nada, João. Eu já falei. Eu só tô cansada. Do trabalho, da correria, da pressão. Só isso.— Acho que isso é nervosismo para o grande dia, né? É normal a noiva ficar ansiosa.— João... eu pensei mais uma vez e... e eu acho que a gente devia adiar o casamento, sim.— Eu tô indo bem. Tô me recuperando, me dedicando no tratamento, na fisioterapia. Eu consigo andar tranquilamente... mancando, mas consigo. Eu aguento a cerimônia, a festa. Por que adiar?— Porque... porque não é justo com você. Não é justo comigo também. Tá tudo tão recente, você ainda tá se adaptando, precisa de tempo pra se recuperar por completo. A gente tá tentando empurrar uma vida perfeita em cima de um momento que tá tudo menos perfeito.— Isa, eu não preciso de uma vida perfeita. Eu só preciso de você.— Eu sei, mas às vezes... eu não sei se a gente ainda tá no mesmo lugar.

Foi aí que eu entendi tudo.

Não era por mim que ela queria adiar o casamento. Não era pensando em mim, na minha recuperação, no meu bem-estar.

"A Isadora queria adiar porque ela... ela já não conseguia me ver do mesmo jeito."

Até ali, tudo o que tinha acontecido comigo — toda a minha aparência, todos os problemas — nada disso tinha me abalado porque eu via além.

Eu via o copo meio cheio. Eu via que, apesar de tudo, eu tinha sobrevivido. Até ali, em nenhum momento, eu tinha me lamentado por quem eu tinha me tornado.

Eu não tinha ficado revoltado ou com raiva de Deus. Pelo contrário. Eu fui, desde o primeiro segundo, grato pela minha vida.

Mas ali, pela primeira vez, eu me senti com ódio. Me senti envergonhado. Me senti feio, defeituoso. Me senti menos.

"A mulher que eu amava, a mulher que também dizia me amar, não queria mais se casar comigo."

Ou tinha, no mínimo, dúvida sobre isso.

E tudo por conta do meu rosto. Da minha perna. Do meu braço. Ela não queria casar com um homem como eu. Ela não estava disposta a encarar tudo como eu achei que estaria.

A ausência que doeu mais que o acidente

A Isadora não teve coragem de terminar ali, naquele dia. Mas também não teve coragem de continuar como antes. Ela foi se afastando aos poucos, até que um dia, simplesmente, parou de vir. Não teve briga, não teve grito, nem escândalo. Só silêncio.

"E, no fim, o silêncio pode doer mais do que qualquer palavra."

Eu fiquei esperando. Achei que era uma fase. Que ela ia pensar melhor. Que ia voltar. Mas ela não voltou. E o casamento, claro, não aconteceu.

Os convidados entenderam. A maioria achou que foi por causa do acidente, da minha condição física. Eu deixei que pensassem isso. Era mais fácil. Só meus pais e minha irmã souberam da verdade: que quem desistiu não fui eu. Que, mesmo quebrado, eu ainda tava ali inteiro por dentro. Amando igual.

Demorou, e doeu muito. Teve dia que eu mal levantava da cama. Eu passei a ter vergonha de sair de casa, medo de ouvir comentários, medo do olhar das pessoas. Mas um dia, eu olhei no espelho de novo e vi ali um homem que sobreviveu a um acidente gravíssimo.

"Um homem que perdeu um braço, ficou com o rosto marcado, mancando... Mas que não perdeu o que tinha de mais precioso: a vontade de viver."

A sorte no amor pode ter outro nome

Hoje, anos depois, eu conto essa história sem rancor. Porque eu aprendi que a vida sempre nos dá escolhas. A Isadora escolheu não seguir comigo.

E, no fundo, ela teve o direito de fazer essa escolha. Amar alguém exige coragem. E, às vezes, mesmo amando, a pessoa não consegue encarar o que a vida coloca no caminho.

Mas eu segui.

Fiz todas as cirurgias que aguentei, fiz fisioterapia, aprendi a usar uma prótese, aprendi a dirigir de novo.

Voltei a trabalhar. Voltei a sorrir. E, com o tempo, voltei a me apaixonar também. Por outra mulher. Que me viu assim, como eu sou. Que não conheceu o “antes”. Que me amou, talvez, justamente por tudo o que me tornei.

Hoje, eu tenho uma casa com quintal, um cachorro grande e uma filha pequena que corre pela sala me chamando “papai”.

A vida me quebrou de um jeito que eu nunca imaginei. Mas me reconstruiu de um jeito que eu jamais teria alcançado sozinho. E, se você me perguntar se eu tive sorte no amor… Eu continuo dizendo que sim.

Porque amar, de verdade, também é saber seguir. Mesmo quando o outro para.

*Texto gerado por inteligência artificial e revisado pela redação de Band.com.br.

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