
O mercado de combustíveis no Brasil encerra o mês de março de 2026 com cenários distintos para o consumidor e para o produtor rural: o preço médio nacional do etanol hidratado (usado para abastecer os veículos) apresentou estabilidade, com um leve viés de alta, orbitando a casa dos R$ 4,60 por litro nas bombas.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor médio de revenda foi de R$ 4,61 na primeira quinzena do mês. Esse comportamento contrasta drasticamente com o óleo diesel, que sofreu o impacto direto das tensões geopolíticas globais.
O Diesel S-10 registrou uma alta acumulada de 14% nos postos até o dia 27 de março . O movimento foi impulsionado pelo agravamento dos conflitos no Oriente Médio, que pressionou o preço do barril de petróleo no mercado internacional e elevou os custos logísticos em toda a cadeia agrícola.
Safra e chuvas seguram valor nas usinas
A contenção nos preços do etanol , mesmo diante da valorização da gasolina, ocorre pela proximidade da nova safra de cana-de-açúcar (2026/27), prevista para começar no próximo mês. A expectativa de entrada de novo produto no mercado faz com que compradores no mercado spot — onde o combustível é negociado para entrega imediata — adotem uma postura cautelosa.
Nas usinas de São Paulo, os preços mantiveram-se próximos a R$ 2,90 por litro (sem impostos), segundo o Cepea. No entanto, o início oficial da moagem enfrenta desafios climáticos. O excesso de chuvas em estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul está retardando o ritmo das máquinas no campo.
Essa lentidão na colheita cria um "vácuo" de informações sobre o volume real de cana processada até o momento . A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) ainda não divulgou as projções para a nova temporada devido aos atrasos operacionais causados pelo clima.
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