Agro

Clima eleva preço da batata, mas frutas dão alívio ao bolso do consumidor

Alta nos preços da batata chega a 11,72% nas Ceasas após excesso de umidade prejudicar colheita; banana e maçã registram queda de dois dígitos no mês

VIVIANE TAGUCHI

31/03/2026 • 13:02 • Atualizado em 31/03/2026 • 13:02

Excesso de chuvas prejudicou a colheita da batata, que já subiu quase 12%
Excesso de chuvas prejudicou a colheita da batata, que já subiu quase 12% - Foto: Envato Elements

O excesso de chuvas que atingiu as principais regiões produtoras de batata no Brasil, desde janeiro, impactou os preços médios, principalmente da batata inglesa, que subiu 11,72% nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país neste mês. A instabilidade climática prejudicou tanto o ritmo da colheita quanto a qualidade do tubérculo que chega às gôndolas. Mas, enquanto o bolso do consumidor sofre com os legumes, o setor de frutas apresenta o movimento oposto, com quedas expressivas que ajudam a equilibrar o custo da cesta de hortifrutis.

Além da batata, itens básicos como o tomate e a alface também seguiram a tendência de alta devido ao clima. Em contrapartida, a maior oferta de frutas no mercado nacional garantiu boas notícias para as famílias brasileiras. A banana lidera as reduções com uma queda de 11,16%, seguida de perto pela maçã, que recuou 10,32%, e pelo mamão papaia, com redução de 7,52% nos preços médios.

Impacto do clima na produção e preços estáveis no atacado

A dinâmica de preços no agronegócio é diretamente influenciada pelo ciclo de produção e pelo clima. No caso da batata, o excesso de umidade no solo dificulta a entrada de máquinas e pode favorecer o aparecimento de doenças fúngicas, o que reduz a oferta de produtos com padrão "especial".

Apesar da alta mensal acumulada, os preços da batata especial tipo ágata mostraram estabilidade na última semana de março (entre os dias 23 e 27). Em São Paulo, a saca foi cotada, em média, a R$ 61,11. No Rio de Janeiro, o valor médio registrado foi de R$ 61,28, enquanto em Belo Horizonte a cotação ficou em R$ 56,70.

Essa estabilidade momentânea ocorre porque a oferta nas regiões produtoras permaneceu constante nos últimos dias, sem novos picos de interrupção logística. Contudo, o cenário de calmaria nos preços de atacado pode ter os dias contados devido ao calendário religioso e comercial.

Semana Santa deixa alimentos mais caros

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) alertam que a tendência para os próximos dias é de novos reajustes positivos nos preços . O principal fator é o aumento sazonal da demanda provocado pela Semana Santa.

Historicamente, a batata é um dos acompanhamentos principais em pratos tradicionais deste período, como o bacalhau. Com o aumento da procura nos supermercados e feiras, a pressão sobre os estoques tende a elevar os preços finais ao consumidor.

Para o setor de hortifruti, este fenômeno de oscilação é comum. Enquanto os legumes enfrentam desafios climáticos, a safra de frutas como a maçã e a banana garante um fôlego no orçamento doméstico. A recomendação de especialistas para o período é a substituição de itens mais caros por aqueles que estão em plena safra e com maior oferta.

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