
Uma intensa onda de frio que atinge o Mato Grosso do Sul já provocou a morte de mais de 80 bovinos em propriedades rurais localizadas nos municípios de Nova Andradina e Angélica. A principal linha de investigação das autoridades veterinárias aponta que os animais sofreram hipotermia, uma condição desencadeada pela combinação de baixas temperaturas, ventos fortes e alta umidade relativa do ar.
Diante do cenário emergencial, a Agência de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do Mato Grosso do Sul (Iagro) emite um alerta técnico direcionado aos pecuaristas da região , com a recomendação expressiva para reforçar a alimentação do rebanho e implantar abrigos ou barreiras naturais contra o vento nas pastagens.
O episódio reacende a preocupação com a vulnerabilidade climática na pecuária do Centro-Oeste. O histórico do estado registra que, em 2023, uma conjuntura climática semelhante resultou na perda de mais de 2.500 cabeças de gado em decorrência do frio extremo, gerando prejuízos severos para o setor produtivo local.
Eventos climáticos extremos exigem dos produtores rurais um planejamento preventivo cada vez mais rigoroso para assegurar o bem-estar animal e mitigar perdas financeiras crônicas na cadeia da carne.
Restrições de mercado e ameaça de demissões no Pará
Paralelamente às dificuldades climáticas no Centro-Oeste, a indústria pecuária da Região Norte enfrenta o risco iminente de uma paralisia operacional. Os frigoríficos estabelecidos no estado do Pará projetam uma redução acentuada no ritmo de produção a partir do esgotamento da cota de exportação de carne bovina com tarifa reduzida para a China, previsto para ocorrer em julho. O país asiático funciona como o pilar comercial da pecuária paraense, sendo o destino final de 77% de toda a carne exportada pelo estado.
A dependência extrema do mercado chinês expõe a fragilidade regulatória da região perante outros compradores globais. Atualmente, o estado do Pará não possui as certificações sanitárias necessárias para exportar proteína animal para mercados consolidados e de alta exigência, como os Estados Unidos, a União Europeia e o Chile.
Sem canais alternativos para escoar o excedente de produção após o término das cotas tarifárias preferenciais, as indústrias locais já estruturam planos de contingência financeira que incluem a redução imediata no volume de abates de bovinos, a concessão de férias coletivas e o corte de postos de trabalho por meio de demissões em massa.
Análise macroeconômica projeta impactos no PIB setorial
A análise sobre os reflexos comerciais e cambiais dessas duas crises paralelas no agronegócio é de Juliana Rosa. A jornalista indica que a combinação entre perdas físicas de rebanho por fatores climáticos no Mato Grosso do Sul e o estrangulamento das exportações paraenses cria um cenário de incerteza que afeta diretamente o Produto Interno Bruto (PIB) do setor e a balança comercial brasileira.
A situação no Pará evidencia a urgência de o Brasil diversificar os parceiros comerciais e acelerar as negociações bilaterais para abrir novos mercados para os frigoríficos do Norte.
A dependência de um único comprador internacional, como a China, deixa a economia regional excessivamente exposta a oscilações burocráticas e tarifárias, o que impacta negativamente o preço da arroba do boi gordo e enfraquece a receita dos produtores.
O Ministério da Agricultura e as entidades representativas do setor buscam alternativas para tentar estender os prazos das cotas comerciais ou redirecionar a produção para o mercado interno, com o objetivo de evitar o fechamento de postos de trabalho nas plantas industriais do Pará antes do prazo previsto pelas empresas.
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