A combinação de alta incidência solar, o manejo das águas do Rio São Francisco e a tecnologia de irrigação por gotejamento consolida o município de Petrolina, em Pernambuco, como o principal polo produtor de uvas de mesa da Região Nordeste. Esse conjunto de fatores climáticos e estruturais acelera o ciclo de cultivo no Sertão, permitindo que os viticultores locais obtenham até duas safras completas por ano. A eficiência no campo garante o abastecimento contínuo de mercados de grande porte no cenário nacional e internacional.
O avanço da atividade econômica na região fundamenta-se na força do cooperativismo. Por meio da atuação da Copex Vale, apontada como a maior cooperativa em atividade na localidade, um grupo de 40 produtores rurais integra suas operações de mercado.
Juntos, os cooperados gerenciam uma área total de 600 hectares de lavoura plantada, que atinge o patamar de 22 mil toneladas de uvas colhidas anualmente. O modelo de associação centralizada otimiza o fluxo produtivo, atua na redução de custos operacionais com insumos e amplia a capacidade logística para alcançar centros de consumo distantes.
Variedades, destino das cargas e o processo logístico
A produção agrícola de Petrolina diversifica-se no cultivo de mais de 10 variedades de uvas de mesa, atendendo a diferentes perfis de exigência dos clientes. O principal destino comercial da fruta no mercado doméstico concentra-se nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, que absorvem grande parte do volume colhido. No comércio exterior, o mercado europeu destaca-se como o principal comprador internacional, importando lotes regulares devido aos padrões de qualidade alcançados pela viticultura nordestina.
Para manter o frescor e as propriedades sensoriais exigidas pelos compradores estrangeiros, as propriedades utilizam um protocolo de logística rápida.
O ciclo completo que compreende a colheita manual nos parreirais, a seleção rigorosa dos cachos, o processo de embalagem e o armazenamento final em câmaras frias de alta tecnologia — mantidas estritamente a uma temperatura de 0ºC — é concluído em um intervalo de apenas 6 horas. A agilidade nessa etapa de pós-colheita preserva a integridade física do alimento antes do embarque nos caminhões e contêineres.
Sucessão familiar e sustentabilidade no campo
O crescimento sustentável do polo produtor de Petrolina também passa pela organização da governança interna e pela sucessão familiar nas propriedades do Sertão. O produtor rural Jaíson Lira conduz o processo de transição na gestão de seus negócios agrícolas para a filha, Gabriela. Farmacêutica de formação, ela optou por deixar a carreira na área de saúde para ingressar diretamente no trabalho do campo, assumindo a continuidade do legado econômico estruturado pelo pai.
O modelo de cooperativismo e a inserção de tecnologia de precisão, como o gotejamento, são fundamentais para garantir a competitividade das frutas brasileiras no exterior.
A capacidade de gerar valor agregado e manter canais de exportação consolidados para a Europa protege a receita dos produtores contra oscilações cambiais e assegura o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor na região. A transição familiar assistida e o suporte técnico continuam sendo os pilares para a expansão da viticultura nas próximas safras.
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