
Um estudo realizado pela Embrapa Territorial (SP) apontou que, embora o Brasil seja líder em produção e exportação de vários itens agropecuários, estes cultivos estão concentrados em poucas regiões, como no caso do algodão. Metade da produção brasileira de algodão é originada em apenas três locais: Parecis e Alto Teles Pires , no Mato Grosso, e Barreiras , na Bahia.
A plataforma on-line de dados sobre logística (Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária), desenvolvida pela Embrapa mostra como os 10 principais produtos agropecuários para exportação estão distribuídos pelo Brasil.
A laranja está centralizada em São Paulo. Mesmo dentro do estado, a concentração é grande: as microrregiões de Avaré, Bauru, Botucatu e São João da Boa Vista respondem por um 25% da colheita da fruta.
Nas cadeias de produção animal, a concentração é um pouco menor. A de bovinos é a que está menos concentrada: para chegar à metade da produção é preciso somar 56 microrregiões, nas cinco grandes regiões do País. É também a atividade agropecuária com maior participação do Norte: Pará, Rondônia e Tocantins têm áreas de destaque no efetivo de rebanho de bovinos. As granjas de frangos e suínos estão na direção oposta, com ocorrência predominante na região Sul.
O que explica
Segundo o analista André Farias, da Embrapa, os diferentes níveis de concentração das atividades agropecuárias podem resultar de fatores como as características dos produtos e dos sistemas de produção. “A cultura do algodão, por exemplo, exige maquinário e estruturas de processamento e beneficiamento bastante específicas, o que demanda importantes investimentos a longo prazo. Isso restringe a ampliação da área de produção e favorece a concentração nos locais mais competitivos”, avalia.
Em alguns casos, aspectos culturais e históricos têm papel relevante na especialização dos territórios. “A produção de frangos e suínos, concentrada principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, está bastante relacionada à própria história de colonização desses estados e à estrutura fundiária marcada pela agricultura familiar. O conhecimento acumulado nessas cadeias produtivas, associado ao sucesso do modelo de integração das propriedades familiares por meio de cooperativas, impulsiona a atividade na região”, pontua Farias.
A bovinocultura, por outro lado, foi uma das primeiras atividades agropecuárias do País, utilizada em diferentes regiões. “É uma atividade que pode ter diferentes níveis tecnológicos e, inclusive, ocorrer com baixa incorporação de maquinário e implementos. Isso favorece a desconcentração no território nacional, ainda que permaneçam existindo regiões de destaque, com vantagens competitivas frente às outras”, compara o analista.
Café e eucalipto
Culturas perenes, como o café e o eucalipto, também formam polos de produção, pois exigem condições específicas de solo e clima, além de investimentos financeiros significativos. Mesmo com florestas plantadas espalhadas por 10 regiões, um quarto da produção nacional de celulose e papel se concentra em três microrregiões: Três Lagoas (MS), Bauru (SP) e Porto Seguro (BA).
Para o café, Minas Gerais é destaque, mas o mapa com as microrregiões onde está 50% das safras exibe também pequenos polos de produção na Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Rondônia.
“As duas culturas, café e eucalipto, têm a característica comum de serem perenes e exigentes de condições edafoclimáticas específicas, ou seja, necessitam de tipos de solos favoráveis, disponibilidade hídrica, temperaturas e precipitação adequadas nos ciclos produtivos, entre outros fatores físicos”, analisa Farias.
Os canaviais estão se expandindo para fora do Estado de São Paulo, nas divisas paulistas, como Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. São 20 microrregiões, de onde foram colhidas quase 400 milhões de toneladas da matéria-prima para açúcar, bioeletricidade e etanol.
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