
A carne de frango está na contramão das principais proteínas animais neste mês de dezembro . Enquanto a carne bovina e a suína registram altas expressivas de preço impulsionadas pelas festas de fim de ano, a proteína avícola apresenta desvalorização no mercado interno. O cenário, apontado em levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), amplia a competitividade do frango, tornando-o uma opção ainda mais atraente para o bolso do consumidor que busca economizar fora da ceia principal.
Segundo os pesquisadores, essa disparidade de preços é um movimento típico da sazonalidade. Nesta época, a atenção do consumidor se volta para produtos específicos das celebrações , como o peru, o chester e cortes nobres suínos (lombo, pernil) e bovinos (para o churrasco). Como resultado, a demanda pelo frango de "dia a dia" — como o filé de peito ou a coxa — arrefece, forçando as cotações para baixo, enquanto os concorrentes surfam na alta da procura.
O fator "fim de ano"
A dinâmica do mercado em dezembro é cruel para o avicultor de corte, mas benéfica para o orçamento doméstico. A migração do consumo é quase imediata.
Pesquisadores do Cepea explicam que o fraco desempenho da carne de frango in natura já era esperado. O consumidor médio tende a gastar mais com as chamadas aves natalinas , produtos que possuem maior valor agregado e apelo festivo.
Ao mesmo tempo, as carnes suína e bovina ganham espaço. A carne de porco é tradicional nas mesas de Ano Novo, e a carne bovina é a protagonista das confraternizações e churrascos de verão. Com a demanda aquecida nessas frentes, os preços sobem, deixando o frango comum "isolado" com preços mais baixos.
Competitividade em alta
Para o consumidor que precisa equilibrar as contas entre os gastos extras de dezembro e janeiro (IPVA, IPTU, material escolar), a notícia é positiva. O "gap" (diferença) de preço entre o frango e a carne bovina aumentou.
Com a arroba do boi gordo valorizada e o varejo repassando esses custos, a carne vermelha pesa mais no orçamento. Assim, a carne de frango se consolida como a proteína de entrada, fundamental para a segurança alimentar e para o dia a dia das famílias brasileiras, mesmo que perca o protagonismo na noite de Natal.
Perspectivas de curto prazo
Para quem produz, no entanto, o sinal é de alerta. Agentes do setor consultados pelo Cepea indicam que não há expectativa de reversão desse quadro no curtíssimo prazo.
A previsão é de que o mercado siga lento nas próximas semanas. Com os estoques abastecidos e a saída do produto menos fluida, as cotações devem permanecer enfraquecidas até a virada do ano.
A retomada de preços para o frango costuma ocorrer apenas após o fim do período de festas, quando a rotina das famílias se normaliza e a procura pela proteína básica volta a crescer.
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