
O mercado internacional de suco de laranja passa por uma inversão de rotas na safra 2025/26. Nos primeiros cinco meses do ciclo (julho a novembro), as exportações brasileiras dispararam para os Estados Unidos, mas registraram forte queda para a União Europeia, historicamente o principal destino da commodity nacional. O desequilíbrio já afeta a remuneração no campo, pressionando para baixo os valores pagos aos citricultores.
De acordo com dados do Comex Stat/Mdic, analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o volume enviado aos norte-americanos somou 162,8 mil toneladas de suco concentrado equivalente (66° Brix) no período. O número representa um salto de 25,9% em relação aos mesmos meses da temporada passada.
Em contrapartida, o envio para o bloco europeu recuou 25,5% , totalizando 160,6 mil toneladas. Com isso, os Estados Unidos superaram momentaneamente a Europa como principal comprador do suco brasileiro neste recorte da safra.
Estoques cheios, preços baixos
A mudança no fluxo de exportações tem uma explicação técnica e uma consequência econômica direta. Segundo pesquisadores do Cepea, a safra 2025/26 apresentou boa qualidade de fruta, resultando em um suco de alto padrão. No entanto, a demanda enfraquecida no velho continente impediu o escoamento total dessa produção.
O r esultado é a recomposição dos estoques da commodity dentro da indústria brasileira. Com os tanques cheios e a saída de produtos mais lenta para a Europa, as processadoras diminuem o ritmo de compra ou oferecem valores menores pela matéria-prima.
Impacto no bolso do produtor
O reflexo desse cenário é sentido imediatamente "da porteira para dentro". O excesso de oferta industrial gerou pressão sobre as cotações da fruta in natura.
No mercado de mesa (fruta vendida para consumo direto), a desvalorização foi expressiva nesta reta final de ano. Entre os dias 15 e 18 de dezembro, a laranja pera na árvore foi negociada à média de R$ 46,58 por caixa de 40,8 kg .
Esse valor corresponde a uma queda de 11,45% em comparação com a semana anterior. Para o citricultor, o momento exige cautela na negociação e atenção aos movimentos do mercado externo, que continua sendo o grande balizador de preços do setor.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
