
Ao contrário do que se costuma observar nas festas de fim de ano, quando a demanda por alimentos tende a aquecer o mercado, o setor de avicultura de postura enfrenta um cenário de desvalorização. Os preços dos ovos recuaram cerca de 5% em dezembro na comparação com novembro e registram uma queda expressiva de 20% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Segundo o levantamento, em diversas regiões produtoras, a média atual de preços atingiu o menor patamar real para um mês de dezembro desde 2022. O cálculo considera o deflacionamento pelo IGP-DI de novembro de 2025, indicando que o poder de compra do avicultor foi corroído significativamente.
Para o consumidor, a notícia representa um alívio no bolso na hora de ir ao supermercado. Já para o produtor, o momento exige cautela e revisão de estratégias para manter a rentabilidade da atividade "da porteira para dentro".
Oferta supera a procura
A principal causa para essa baixa nas cotações é a velha lei da oferta e da procura . De acordo com os pesquisadores do Cepea, há um excesso de ovos disponíveis no mercado interno que o consumidor não está conseguindo absorver.
Historicamente, dezembro é um mês de vendas aquecidas devido à produção de receitas típicas de Natal, como bolos, panettones e rabanadas, que utilizam o ovo como ingrediente base. No entanto, o ritmo de vendas em 2025 está mais lento do que o esperado.
O mercado se mostra "travado". Mesmo com preços mais atrativos nas granjas, o escoamento para o varejo não tem ocorrido na velocidade necessária para enxugar os estoques, forçando os preços para baixo em toda a cadeia produtiva.
Estratégia: descarte de poedeiras
Diante de um mercado enfraquecido e sem perspectiva de melhora imediata, os avicultores estão tomando medidas práticas para tentar estancar a queda dos preços. A principal delas é a intensificação do descarte de poedeiras .
Essa prática consiste em retirar da produção as galinhas mais velhas, que já passaram do pico de postura. Em tempos de preços bons, o produtor costuma manter essas aves por mais tempo. Porém, quando a ração (milho e farelo de soja) pesa no orçamento e o ovo vale menos, manter essas aves torna-se inviável.
Ao descartar esses animais antecipadamente, o setor tenta reduzir artificialmente a oferta de ovos no mercado. A lógica é simples: com menos produto disponível nas próximas semanas, espera-se que os preços parem de cair ou até voltem a subir.
O que esperar para o início de 2026?
Apesar dos esforços dos produtores para ajustar a oferta, o cenário de curto prazo ainda é desafiador. Colaboradores consultados pelo Cepea indicam que não há espaço para reações positivas nos valores nos últimos dias de 2025. O mercado segue pressionado e a tendência é que a virada de ano mantenha as cotações nos patamares atuais.
Para o agronegócio, o momento serve de alerta para o planejamento do próximo ciclo. P ara as famílias brasileiras, o ovo — que é uma das fontes de proteína mais acessíveis e completas — fecha o ano como um item favorável no orçamento doméstico, permitindo economia na cesta básica.
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