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Endometriose: tire suas dúvidas sobre a doença crônica

Brasil é o país com maior interesse de buscas no mundo sobre a condição

Luccas Balacci

LUCCAS BALACCI

22/04/2025 • 21:29 • Atualizado em 22/04/2025 • 21:29

A endometriose é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas que menstruam. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma a cada 10 mulheres em idade reprodutiva encaram sintomas da doença – e muitas delas não foram diagnosticadas.

Segundo dados da Sala Digital , parceria da Band com o Google, o Brasil é o país com maior interesse de buscas no mundo sobre a condição. Desde 2004, o fato que mais trouxe atenção para a endometriose no país ocorreu em julho de 2022 – mês em que Anitta revelou o diagnóstico e passou por uma cirurgia.

Nos últimos cinco anos, muitos brasileiros usaram a ferramenta de pesquisas para buscar mais informações sobre a doença. Entrevistamos a ginecologista Silvia Haick , especialista em saúde feminina, a partir das principais perguntas sobre o assunto. As respostas são um guia e não substituem o atendimento médico especializado e individual.

O que é endometriose? A endometriose acontece quando as células do endométrio — o tecido que reveste o interior do útero — caem fora do útero, indo para a cavidade abdominal. Essas células podem atingir órgãos como ovários, bexiga, intestino e, em casos raros, até o pulmão.

Endometriose tem cura? Infelizmente, não. A endometriose ainda não tem cura, mas há diversos tratamentos eficazes que melhoram bastante a qualidade de vida da paciente. Em muitos casos, conseguimos colocar a doença em remissão.

Quem tem endometriose pode engravidar? Pode, sim. A endometriose é uma das principais causas de infertilidade no mundo, mas, com o tratamento adequado, muitas pacientes conseguem engravidar.

O que causa endometriose? Uma das teorias mais estudadas é a retrógrada, que é quando um pouco da menstruação, que deveria sair totalmente do corpo pela vagina, volta pelas tubas uterinas. As tubas uterinas são grudadas no útero e parecem um canudo, são pérvias. Quando o fluxo sanguíneo da menstruação é muito grande, ele acaba voltando pelas tubas uterinas e leva células do endométrio para fora do útero e a cavidade abdominal.

Qual exame detecta endometriose? Os dois principais exames são o ultrassom com preparo intestinal e a ressonância magnética com preparo intestinal. Mas eu sempre digo que o mais importante é ouvir a paciente — entender seus sintomas e sua dor é fundamental para o diagnóstico.

Quais os sintomas da endometriose? A dor é o principal sintoma. Uma coisa que eu falo para as pacientes é prestar atenção no “muito”. Muita cólica, muito sangramento, muito tempo tentando engravidar… Esses são sinais de que algo está errado. A dor pode ser tão intensa que muitas pacientes a comparam com as contrações do parto.

Como tratar endometriose? O tratamento da endometriose é muito individualizado. Em muitos casos, conseguimos controlar a doença com medicamentos hormonais, anti-inflamatórios e mudanças no estilo de vida. Em outros, a cirurgia é necessária, como em caso de infertilidade persistente ou lesões preocupantes, especialmente no intestino. Também indicamos para aquelas que não respondem bem aos medicamentos por um longo período de tempo.

Endometriose pode virar câncer? Não, a endometriose não se transforma em câncer, mas pode causar infertilidade, além de um impacto psicológico muito grande. A paciente sente dor constantemente, o que compromete sua vida pessoal e profissional.

Endometriose é genético? Ainda não está 100% comprovado, mas estudos recentes sugerem uma possível relação genética. É comum ouvir pacientes dizendo que a mãe ou a irmã também sofrem com cólicas intensas.

Como é a cirurgia de endometriose? Pode ser feita por videolaparoscopia ou robótica. São procedimentos minimamente invasivos e que “limpam o aquário”, ou seja, removem esse processo inflamatório dentro da paciente para, assim, ela ter mais qualidade de vida.

Endometriose pode matar? Não, ela não mata. Mas compromete muito a qualidade de vida e pode causar grande sofrimento físico e emocional.

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