O diabetes é uma doença crônica caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose (açúcar) no sangue, causado pela produção insuficiente ou pela má utilização da insulina pelo organismo. Quando não controlada, pode levar a problemas cardíacos, insuficiência renal, cegueira e amputações.
A IDF (Federação Internacional do Diabetes) estima que, no Brasil, 16,6 milhões de pessoas tenha, a doença. No mundo, são 588,7 milhões de casos. Por ser silenciosa no início, muitas vezes o diagnóstico de diabetes é tardio, o que reforça a importância do acompanhamento médico e de hábitos saudáveis.
O assunto foi destaque do Melhor da Tarde , com Catia Fonseca, que recebeu a endocrinologista Maithê Pimentel Tomarchio, membra da Sociedade Brasileira de Diabetes. À Sala Digital , parceria da Band com o Google, a médica respondeu a perguntas entre as principais feitas pelos brasileiros nos últimos 5 anos sobre diabetes. Confira abaixo:
O que é diabetes mellitus? Diabetes mellitus é uma condição em que o açúcar no sangue — a glicose — fica elevado. No tipo 1, isso acontece porque o próprio sistema imunológico ataca o pâncreas, impedindo a produção de insulina. Já o tipo 2 está relacionado ao estilo de vida e à hereditariedade: o corpo desenvolve resistência à insulina e o pâncreas, com o tempo, perde sua capacidade de produzir esse hormônio. Agora, existem o outros tipos de diabetes, como o diabetes insipidus, que não tem relação com o açúcar no sangue. Nesse caso, o problema é hormonal e afeta o controle da água no organismo. Já o termo “mellitus” está diretamente ligado ao excesso de glicose.
Como saber se tenho diabetes? O diagnóstico é feito com exame de sangue de laboratório. A glicemia de jejum, por exemplo, é considerada alterada quando igual ou superior a 126 mg/dL — e o exame deve ser repetido para confirmação. Também usamos a hemoglobina glicada (acima de 6,5%) ou a curva glicêmica, que mede a resposta do corpo após ingestão de glicose. Se após uma hora o valor for igual ou superior a 209 mg/dL, já pode indicar diabetes.
Diabetes tem cura? O tipo 1, por ser autoimune, não tem cura e exige o uso de insulina por toda a vida. O tipo 2 também envolve a falência das células do pâncreas e resistência à insulina em diversos órgãos. Embora não se fale em cura, hoje conseguimos controlar muito bem a doença e evitar complicações sérias — como problemas na visão, rins, coração e até demência associada à glicose alta.
Quais são os sintomas do diabetes? O tipo 2 pode ser silencioso no início, por isso é importante fazer exames de rotina. Quando os sintomas aparecem, são os chamados "4 P’s": polifagia (fome excessiva), polidipsia (sede excessiva), poliúria (urina frequente) e perda de peso. Já no tipo 1, os sintomas costumam surgir de forma mais intensa e rápida.
O que causa diabetes? O tipo 1 não é necessariamente uma condição hereditária, pois é uma doença autoimune que pode surgir mesmo sem casos na família. No tipo 2, sim — o fator genético pesa bastante. Se a pessoa tem predisposição e adota hábitos não saudáveis, como má alimentação, sedentarismo e sono irregular, o pâncreas se desgasta mais cedo. E não é apenas falência do pâncreas. O diabetes tipo 2 envolve um conjunto de fatores: o rim retém mais glicose, o fígado produz excesso de açúcar, o intestino altera hormônios reguladores e as células de gordura influenciam na resistência à insulina. Existem pelo menos oito mecanismos diferentes envolvidos na doença — por isso os tratamentos modernos miram vários pontos do organismo, não só o pâncreas.
Como evitar diabetes? Principalmente com alimentação equilibrada e redução do consumo de carboidratos simples — como pães, doces, farinha branca, mel, sucos e frutas de alto índice glicêmico. Também é essencial dormir bem, fazer exercícios (incluindo musculação, que melhora o uso da glicose pelos músculos) e cuidar da saúde emocional, especialmente em casos de compulsão alimentar ou depressão, que afetam diretamente o controle glicêmico.
O que é bom para diabetes? O mais importante é ter constância. Mudança no estilo de vida, uso correto de medicações e acompanhamento médico são fundamentais. Hoje temos diversas opções: medicamentos orais, insulinas de longa duração (inclusive semanais), bombas de insulina e até pâncreas artificiais. Tratar a microbiota intestinal e a saúde mental também faz parte do tratamento moderno e eficaz.
Diabético pode doar sangue? Podem, sim. Desde que estejam com a glicemia controlada e bem hidratadas. Se houver descompensação ou sintomas fortes no dia da doação, é melhor evitar. Mas, em geral, não há contraindicação.
Quais frutas o diabético pode comer? Frutas de baixo índice glicêmico, como morango, kiwi, maçã verde e pera. É importante evitar aquelas com alto teor de açúcar, como manga, uva e laranja, que elevam rapidamente a glicemia.
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