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Túnel Santos-Guarujá é uma obra desejada há quase 100 anos; conheça a história

Com o túnel, o trajeto será feito em até 5 minutos, beneficiando diretamente cerca de 2 milhões de habitantes dos dois municípios

Da redação

DA REDAÇÃO

05/09/2025 • 14:05 • Atualizado em 05/09/2025 • 14:05

Túnel Santos-Guarujá já foi ponte e outros projetos
Túnel Santos-Guarujá já foi ponte e outros projetos - Foto: Reprodução/Governo Federal

O Túnel Santos–Guarujá , que tem leilão marcado para esta sexta-feira (5), é uma obra desejada há mais de 100 anos pela população da Baixada. Hoje, a ligação entre Santos e Guarujá é feita por balsas, que levam cerca de 18 minutos por travessia, mas estão sujeitas a filas e variações de operação.

Pela estrada, o deslocamento pode chegar a 1 hora. Com o túnel, o trajeto será feito em até 5 minutos, beneficiando diretamente cerca de 2 milhões de habitantes dos dois municípios.

100 anos de espera

Desde os anos 1920, quando Santos já despontava como o maior porto da América Latina, a população da Baixada Santista convive com uma espera que atravessou gerações, a promessa de uma ligação definitiva com o Guarujá.

Nos anos 1940, a proposta voltou à tona com força. Em 1948, engenheiros e autoridades discutiram a possibilidade de uma ponte levadiça, que permitiria o trânsito de veículos e pedestres sem interromper a navegação. A polêmica foi intensa. Para uns, a ponte seria solução moderna, para outros, poderia comprometer o futuro do porto e restringir a entrada de navios cada vez maiores.

As décadas seguintes foram marcadas por idas e vindas. Nos anos 1960, novos estudos foram encomendados, refletindo o desejo de modernização. Nos anos 1980, governos estaduais e federais voltaram a anunciar planos, mas o contexto de crises econômicas e a falta de recursos públicos frustraram mais uma vez a população.

No início do século 21, parecia que o projeto, finalmente, poderia avançar. Em 2010, um novo anúncio foi feito, reacendendo o entusiasmo de que a ligação deixaria de ser promessa. Mas, novamente, os obstáculos ambientais e financeiros travaram o processo.

O túnel se transformou em símbolo de um sonho adiado, e, ao mesmo tempo, de uma necessidade cada vez mais urgente para o cotidiano da Baixada Santista.

O ponto de virada ocorreu em 2024, quando a obra foi incluída entre as prioridades do PAC. Em agosto de 2025, foi lançado o edital para a construção do primeiro túnel submerso da América Latina, com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões.

VLT, faixas de ônibus, ciclistas e pedestres

As demandas atuais e futuras de viagens, conectando as áreas de maior geração de tráfego nas duas cidades da Baixada Santista, balizaram a formatação da proposta para a ligação seca. O empreendimento ainda permitirá a integração dos sistemas de transportes públicos na região.

O projeto prevê 1,5 km de extensão, sendo 870 metros imersos sob o estuário. O túnel contará com duas faixas por sentido para veículos, corredor exclusivo para o VLT e acessos para pedestres e ciclistas.

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