Jornalismo

Lula e Papa Francisco: relação foi marcada por encontros, cartas e afinidades sociais

Picos de buscas no Google revelam o interesse dos brasileiros pela aproximação entre o ex-presidente e o pontífice argentino, que se encontrou com Lula no Vaticano e trocou mensagens durante a prisão do petista

Bárbara Fava

BÁRBARA FAVA

21/04/2025 • 19:23 • Atualizado em 21/04/2025 • 19:23

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com Sua Santidade, Papa Francisco, em 21 de junho de 2023
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com Sua Santidade, Papa Francisco, em 21 de junho de 2023 - Foto: Ricardo Stuckert/PR

A morte do Papa Francisco gerou uma onda global de comoção e também despertou nos brasileiros um interesse renovado por episódios marcantes de sua trajetória. Para além de um líder espiritual, Francisco sempre foi um líder politicamente presente. No caso do Brasil, antes mesmo de voltar à presidência, Lula e o pontífice sempre mantiveram contato. A relação foi marcada por encontros, trocas de cartas e pautas sociais em comum. Para relembrar esses momentos, a Sala Digital, parceria da Band com o Google, fez um levantamento sobre o interesse de buscas relacionado ao nome dos dois na ferramenta de busca do Google.

O primeiro grande pico de interesse aconteceu em fevereiro de 2020 , quando Lula se encontrou pessoalmente com o Papa Francisco no Vaticano, três meses após deixar a prisão. O encontro durou cerca de uma hora e, segundo relatos da assessoria do ex-presidente, os dois conversaram sobre desigualdade, fome, meio ambiente e justiça social — temas que vinham ganhando centralidade no pontificado de Francisco desde 2013.

Em entrevista à imprensa após o encontro, Lula declarou que saiu da reunião "mais inspirado para lutar pela dignidade do povo brasileiro". O Vaticano, por sua vez, divulgou fotos do encontro, mas não comentou o conteúdo da conversa, como é de praxe em audiências privadas. O gesto, no entanto, teve forte repercussão política e simbólica, sendo interpretado por apoiadores de Lula como um reconhecimento internacional à sua trajetória, e por críticos, como um ato de aproximação política do Vaticano com líderes de esquerda.

Antes disso, em maio de 2019 , ambos ganharam a atenção das pesquisas no Google após o Papa enviar uma carta a Lula enquanto ele ainda cumpria pena na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Na mensagem, Francisco expressou solidariedade pelas recentes perdas pessoais do ex-presidente — a esposa Marisa Letícia, o irmão Genival Inácio da Silva e o neto Arthur — e incentivou Lula a manter a fé. Em resposta, Lula agradeceu as palavras do Papa e destacou a importância do apoio espiritual naquele momento. A troca de cartas foi intermediada por figuras ligadas à Igreja na América Latina, especialmente por setores progressistas do clero.

Outro momento de alta repercussão nas buscas ocorreu em abril de 2018 , quando viralizou uma notícia falsa segundo a qual o Papa teria defendido Lula durante uma missa. A frase atribuída a Francisco dizia que “o maior crime de Lula foi lutar contra a fome no mundo”. A declaração, no entanto, nunca existiu. À época, a fake news foi desmentida por veículos comoBBC BrasileAos Fatos, evidenciando como a figura do Papa havia se tornado um símbolo disputado no debate político brasileiro.

Em junho de 2018 , uma nova polêmica surgiu: o advogado argentino Juan Grabois, ligado ao Vaticano, afirmou ter entregado um terço abençoado por Francisco ao ex-presidente. A Santa Sé, no entanto, divulgou uma nota esclarecendo que o gesto não representava uma ação oficial do Papa.

Mais recentemente, em maio de 2023 , Lula e Francisco voltaram a se falar, dessa vez por telefone — e isso virou, novamente, destaque nas pesquisas. O presidente agradeceu os esforços do Papa na busca pela paz na Ucrânia e o convidou para visitar o Brasil. Francisco, que já havia expressado críticas à desigualdade social na América Latina em diversas ocasiões, reforçou a importância de preservar a democracia e os direitos humanos — temas que ressoam tanto em seu papado quanto no discurso político de Lula.

Apesar de aproximações visíveis, é importante ressaltar que o Vaticano historicamente se abstém de manifestações político-partidárias. Os gestos de Francisco em direção a Lula sempre ocorreram em tom institucional ou espiritual, sem declarações públicas diretas sobre o cenário político brasileiro.

A relação entre os dois, no entanto, se destacou pela sintonia em torno de temas como justiça social, dignidade humana e combate à pobreza — pilares do pensamento social da Igreja Católica sob o comando de Francisco.

Com a morte do Papa, esses registros se tornam ainda mais relevantes. Não apenas pelo simbolismo dos encontros, mas também pelo que representam de diálogo entre fé e política em tempos de polarização e desafios globais.

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