
Donald Trump, postou em suas redes sociais uma imagem onde era representado como Jesus Cristo em seu perfil na Truth Social, o Papa ironizou o nome da plataforma e disse que “não tem nada de verdade na plataforma do Donald Trump”. Mas o que o simbolismo por trás da postagem pode revelar sobre o movimento político do presidente dos Estados Unidos?
A imagem foi postada sem nada escrito e logo após Trump fazer críticas diretas ao Papa e dizer que ele é “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”, atribuições que não têm relação com as atribuições do líder religioso. As críticas de Trump acontecem em meio à Guerra ao Irã.
Dados do Google Trends analisados pela Sala Digital mostram que o pico das buscas para o termo “Trump Jesus” (54) é quase 130% a média das buscas pelo termo “Jesus” (41) durante a última semana.
Segundo David Nemer, antropólogo da tecnologia e professor da Universidade de Virgínia nos Estados Unidos, “faz sentido ler essa postagem como um gesto típico do populismo contemporâneo. A imagem tentava condensar várias coisas ao mesmo tempo: autopromoção, provocação, disputa simbólica com uma autoridade moral e mobilização de uma base acostumada a ler Trump como figura de exceção”.
Mas o tiro pode ter saído pela culatra, explica o antropólogo “a tentativa de produzir força simbólica acabou gerando rejeição porque soou menos como liderança e mais como megalomania e profanação”.
Após o ocorrido, o presidente se defendeu dizendo que a imagem não era para parecer com Jesus e sim com um “médico da cruz vermelha”. Nemer explica que esse desmentido posterior é uma tentativa de Trump reescrever o sentido da imagem depois que ela já cumpriu sua função de choque e circulação.
A lógica da comunicação populista consiste em acionar uma imagem extrema para dominar a atenção e posteriormente “desloca-se a interpretação e acusa-se a imprensa ou os adversários de exagero”, depois que a imagem cumpre seu papel inicial.
Na imagem, Trump tem luzes saindo das mãos, um homem que parece efermo tem a testa tocada pelo republicano. Outros símbolos nacionalistas compõem a imagem, como a estátua da liberdade, a bandeira dos Estados Unidos, e militares americanos. A icônica águia divide os céus com caças e figuras que são uma mistura de anjos com militares.
“Não é exagero dizer que há uma tentativa de sacralizar sua postura bélica e sua autoridade política, misturando nacionalismo, messianismo e militarização num mesmo enquadramento simbólico”, finaliza Nemer.
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