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‘É um escândalo ir à igreja e odiar os outros’: relembre declarações polêmicas do papa

O pontífice repercutiu com suas declarações sobre a comunidade LGBTQ+ e os abusos sexuais ocorridos dentro do clero

Da redação

DA REDAÇÃO

21/04/2025 • 12:15 • Atualizado em 21/04/2025 • 12:15

Papa Francisco
Papa Francisco - Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Ao longo de 12 anos na liderança da Igreja Católica, o papa Francisco , que morreu nesta segunda-feira (21), aos 88 anos , deu diversas declarações sobre temas relacionados à comunidade LGBTQ+ ao escândalo de abusos sexuais dentro do clero.

O Band.com.br listou algumas das frases do pontífice que causou polêmica ao longo dos últimos anos. Relembre:

Pedido de desculpas a homossexuais

O líder da Igreja Católica pediu desculpas por usar termos homofóbicos durante uma reunião a portas fechadas com bispos. Ele teria dito que "há muita viadagem nos seminários".

Em comunicado, o Vaticano declarou que o papa "nunca pretendeu ofender ou expressar-se em termos homofóbicos, e se desculpa com quem se sentiu ofendido pelo uso de um termo, referido por outros"

'É um escândalo ir à igreja e odiar os outros'

Na primeira Audiência Geral de 2019, o papa Francisco afirmou que é um escândalo ir à igreja e “odiar os outros”.

“E quantas vezes nós vemos o escândalo daquelas pessoas que vão à igreja todos os dias e depois vivem odiando os outros e falando mal das pessoas. Isto é um escândalo. Melhor não ir à igreja. Viva assim como ateu. Mas se você vai à igreja, viva como filho, como irmão e dá um verdadeiro testemunho. Não um contratestemunho”, disse Francisco.

Aborto

Durante as celebrações do Jubileu da Misericórdia, Francisco autorizou que todos os padres teriam o poder de “absolver” as mulheres que cometeram o “pecado do aborto”, porque “o perdão de Deus não poder ser negado a todo aquele que se arrepender” e “muitas delas têm uma cicatriz no coração por essa escolha sofrida e dolorosa”.

Anos depois, em 2022, Francisco reformou que “não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão”.

“Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou modernizações. Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho sofrimento?”, pontuou.

Em outubro de 2021, Francisco voltou a afirmar que “aborto é um homicídio” e que profissionais da área da saúde podem se recusar a fazer o procedimento

"Sobre o aborto, sou muito claro: trata-se de um homicídio, e não é lícito tornar-se cúmplice. Nosso dever é estarmos próximos das mulheres para que não se chegue a pensar na solução abortiva, que, na realidade, não é uma solução".

Abuso sexual

Durante um sermão a sociedade civil e políticos na Bélgica, o pontífice afirmou que a “igreja deve ter vergonha e pedir perdão”.

“Tentar resolver esta situação com humildade cristã e fazer todo o possível para que não volte a acontecer. Penso nos casos dramáticos de abusos de menores, um flagelo que a Igreja está enfrentando com determinação e firmeza, escutando e acompanhando as pessoas feridas e implementando um amplo programa de prevenção em todo o mundo. Esta é a vergonha que todos temos que assumir agora, pedir perdão e resolver o problema", declarou Francisco.

“Filhas de Deus”

Em mais um sinal de abertura da Igreja Católica a pessoas LGBTQIAPN+, o papa Francisco afirmou em entrevista à revista espanhola Vida Nueva que mulheres trans "são filhas de Deus", estimadas pelo Todo-Poderoso do jeito que elas são.

"A primeira vez que me viram elas saíram chorando, dizendo que eu havia dado a mão a elas, um beijo. Como se eu tivesse feito algo excepcional", disse à revista. "Mas elas são filhas de Deus! E Ele gosta de vocês assim."

Francisco frisou que a Igreja Católica precisa estar aberta ao diálogo com todos. "É algo que nos foi ensinado por Jesus", afirmou. Agir diferente, argumentou, seria um sinal de "fraqueza" e de falta de fé na "força do Evangelho".

"Todos devem se sentir acolhidos. Não podemos desistir disso, porque o Senhor nos ensinou assim", continuou. "Jesus diz: 'Vão e tragam todos a mim, saudáveis e doentes, justos e pecadores'. Todos. Se a Igreja não tem o que Jesus ensinou, não é a Igreja."

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