Jornalismo

Como parar de fumar? Pesquisas para superar vício estão em baixa

Interesse de buscas no Google com a pergunta voltou ao menor patamar histórico

Luccas Balacci

LUCCAS BALACCI

30/05/2025 • 18:31 • Atualizado em 30/05/2025 • 18:31

Prevalência do tabagismo cresceu entre adultos no Brasil
Prevalência do tabagismo cresceu entre adultos no Brasil - Foto: REUTERS/Vicente Gaibor del Pino

O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste sábado (31), tem menos motivos para celebração no Brasil de 2025. Um estudo do Ministério da Saúde aponta um aumento de 25% na prevalência de adultos fumantes no ano passado – de 9,3% para 11,6%. Esta foi a primeira alta da série histórica, que começa em 2007.

Se depender de pesquisas na internet, a situação não é muito melhor. Levantamento da Sala Digital , parceria da Band com o Google, mostra que o interesse de buscas neste ano pela questão “Como parar de fumar?” está no menor patamar desde 2004, repetindo o índice dos anos de 2010 e 2021.

Entre as variações da pergunta, há quem queira superar o vício “naturalmente”, “de uma vez” ou “definitivamente”. Outros questionam até mesmo qual o pior dia da semana para interromper o uso de cigarros. E entre recursos pesquisados “para parar de fumar”, se destacam, de um lado, remédio, adesivo e chiclete, e de outro, simpatia, oração e até hipnose.

A popularização do “vape”, ou cigarro eletrônico, também colabora para o avanço do tabagismo no Brasil. No Google, as buscas por vape correspondem a 56% das buscas pelo cigarro nos últimos 5 anos. Dado mostra que, mesmo proibido, o cigarro eletrônico gera bastante interesse e curiosidade no país.

E, afinal, como parar de fumar?

No Melhor da Tarde , com Catia Fonseca, a cardiologista Jaqueline Scholz, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor FMUSP (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), trouxe dicas de como interromper o uso do cigarro.

“Independência não é só remédio. Parar de fumar é um desafio que envolve três pilares", afirma. “O primeiro é o emocional. Todo o indivíduo que consome fala que fuma mais quando está nervoso, chateado ou angustiado e o medicamento exclusivo contra o cigarro não tem a capacidade que a nicotina tem de dar um aconchego ao fumante. É preciso avaliar o paciente e tratar essa ansiedade.”

Fumar restrito: o fumante de castigo

O segundo pilar, de acordo com Jaqueline, é comportamental. “Tem pacientes que fumam do momento que acordam até quando vão dormir. No Incor, desde 2015 inovamos com a técnica do fumar restrito. Ao invés de eu pedir do paciente se abster de fazer algo que lembre o cigarro, que pode ser qualquer coisa, que ele fume, mas se retire do local em que está, se isole e fume de pé, olhando para a parede. É colocar de castigo mesmo. Você afasta os gatilhos e o caráter social do tabagismo e restringe o uso à dependência química. Isso reduz o consumo entre 30% e 50%.”

O terceiro e último pilar passa pelo uso de Medicação. “Utilizamos medicamento antitabagismo poderosos para reduzir os sintomas de abstinência, especialmente a forte vontade de fumar. Esses medicamentos também bloqueiam os estímulos de prazer associados ao ato de fumar, diminuindo assim as chances de recaída.”

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