Jornalismo

Caso Henry Borel: julgamento de Jairinho e Monique é marcado por discussão

Delegado Edson Damasceno, responsável pelo caso, presta depoimento há mais de 10 horas

Por Redação

REDAÇÃO

26/05/2026 • 21:33 • Atualizado em 26/05/2026 • 21:33

O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho , e de Monique Medeiros , acusados pela morte do menino Henry Borel, teve momentos de forte tensão e bate-boca, nesta terça-feira (26), no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Devido à gravidade do crime e à exibição de provas sensíveis, as sessões ocorrem sem transmissão ao vivo.

O desentendimento entre os advogados de defesa de Jairinho e a assistência de acusação teve início no momento em que eram apresentadas no plenário as imagens do corpo de Henry, já sem vida, no Instituto Médico Legal (IML).

Diante dos ânimos exaltados , a juíza Elizabeth Machado Louro precisou intervir para restabelecer a ordem. O tumulto se intensificou quando a defesa questionou a testemunha sobre detalhes técnicos do exame cadavérico, indagando sobre a quantidade de perfurações no corpo da criança.

A magistrada interrompeu a linha de questionamentos e repreendeu os defensores, lembrando que a pessoa que estava prestando depoimento naquele momento era o delegado responsável pelo inquérito policial, e não o perito. "As perguntas têm que ser diretas", advertiu a juíza, emendando que "quem tem que fazer esse tipo de pergunta e resposta é o perito, é o médico, ele não é médico".

Apesar das sucessivas interrupções e da confusão entre as partes, o julgamento teve continuidade. A oitiva do delegado Edson Henrique Damasceno já se estende por mais de 10 horas . Monique Medeiros e Jairinho acompanham os trabalhos diretamente do banco dos réus.

Durante depoimento, Damasceno afirmou que chegou à convicção de que Henry sofreu agressões ao ter acesso à mensagens retiradas do celular da babá Thayná de Oliveira Ferreira. Na análise das trocas de mensagens com Monique e com o namorado de Thayná, o delegado identificou relato de outros casos de agressão de Jairinho contra a criança de 4 anos, contrariando o que Thainá havia dito em depoimento na delegacia.

Acusação e julgamento

Segundo a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Dr. Jairinho espancou até a morte o menino Henry, enquanto a mãe, Monique Medeiros, se omitiu da responsabilidade, o que levou ao homicídio. De acordo com o Ministério Público, em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairo tinha submetido o menino a sofrimento físico e mental com emprego de violência.

Jairo é acusado de seis crimes : homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima, pelas três torturas praticadas contra criança, fraude processual e coação no curso do processo. Monique responde por sete crimes , entre eles homicídio por omissão qualificado e omissão.

O depoimento das testemunhas deveria ter começado na segunda-feira (25), mas foram adiadas para esta terça-feira após pedido de adiamento e impasse. O ex-vereador destituiu a banca de advogados que o defende da acusação de homicídio após o enfarte do advogado Fabiano Lopes, um dos defensores do ex-parlamentar.

Diante da decisão de Jairinho, o Ministério Público do Rio de Janeiro pediu que o ex-vereador fosse transferido da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), conhecida por abrigar presos de colarinho branco, com ensino superior e de casos de repercussão, para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino (Bangu 1), de segurança máxima e onde se encontram os detentos mais perigosos.

A juíza Elisabeth Machado Louro deu indícios de que adiaria o julgamento e de que poderia atende ao pedido do MP pela transferência de Jairo. No meio da decisão de Elisabeth, no entanto, Jairinho interrompeu a magistrada e constituiu novamente a defesa, incluindo à banca de advogados o próprio filh o, o advogado Luís Fernando Abidul.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: