
Em 25 de setembro de 2005, um jovem espanhol chamado Fernando Alonso, em pé sobre sua Renault azul e amarela, erguia os punhos para o céu, no Autódromo de Interlagos, após se tornar campeão mundial da Fórmula 1.
O resultado fez dele o mais jovem campeão da categoria, com 24 anos, um mês e 27 dias, superando a marca de Emerson Fittipaldi, que permanecia intocada desde 1972. Além da quebra desse recorde, para entender a dimensão do feito de Alonso, é preciso voltar um pouco no tempo.
Entre 2000 e 2004, Michael Schumacher conquistou uma sequência ininterrupta de cinco títulos do Campeonato Mundial de Pilotos da Fórmula 1, um recorde para a época. Durante esse período dominante com a Ferrari, ele garantiu 48 vitórias em 80 corridas possíveis, com sua temporada de 2004 sendo particularmente avassaladora, apresentando 13 vitórias em 18 corridas.
Porém, a temporada de 2005 sussurrava que a mudança estava no ar. E o arauto dessa revolução era o piloto favorito de Flavio Briatore.
Caminho até o título
O seu companheiro de equipe, Giancarlo Fisichella, foi responsável por vencer a primeira corrida da temporada de 2005 na Austrália. O restante da temporada foi do Alonso. Depois de um terceiro lugar na abertura na Austrália, venceu de forma consecutiva na Malásia, Bahrein e San Marino.
O adversário direto de Alonso foi Kimi Räikkönen , que conquistou triunfos em pistas como Barcelona, Mônaco e Istambul. No entanto, a falta de confiabilidade do carro da McLaren custou pontos preciosos ao finlandês. Um pouco mais atrás, Michael Schumacher teve um ano nada como o esperado. O até então único heptacampeão mundial da Fórmula 1, conquistou apenas uma vitória no polêmico GP dos Estados Unidos ( a prova com a menor quantidade de carros na história) e três pódios.
Primeiro título da Fórmula 1 no Brasil
Chegando ao Brasil, 17ª etapa do ano e pela primeira vez sendo uma prova no final do calendário, Alonso precisava apenas de um pódio para confirmar o título. Eram 111 pontos do espanhol contra 86 de Räikkönen. No sábado, um pequeno erro de Räikkönen deu a pole position ao espanhol. O primeiro passo estava dado.
Na corrida, largou bem, mas foi superado por Juan Pablo Montoya , que assumiu a ponta e seguiu para conquistar sua última vitória na Fórmula 1. Alonso, por sua vez, adotou uma postura pragmática: em vez de arriscar um duelo direto, preferiu administrar a distância para Räikkönen, que terminou em segundo. Assim, com a terceira posição, o espanhol confirmava a conquista com duas etapas de antecedência.
A cena pós-bandeirada é daquelas que entram para a história. O grito explosivo, os braços erguidos, a comemoração de um garoto que se tornava o mais jovem campeão mundial. Pela primeira vez, a Espanha estava no topo do automobilismo. E para a Renault, era o ápice de um projeto ambicioso.
A afronta das camisetas “Schumacher who?” não era apenas uma alfinetada; era a certidão de óbito de cinco anos de domínio absoluto. A temporada ainda teria um capítulo final em Xangai, onde Alonso, já campeão, venceu mais uma vez para garantir também o Mundial de Construtores para a Renault, coroando um ano perfeito.
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