
Ano novo, vida nova. No universo dos carros, o olhar costuma se voltar aos lançamentos e às novidades que chegam ao mercado ao longo da temporada. Para uma legião de fãs de veículos antigos, porém, o foco é outro: o ano de 1996. Isso porque, a partir de 2026, modelos fabricados até esse ano receberão a chamada “placa preta”, certificação destinada a veículos de colecionador.
De acordo com a legislação de trânsito brasileira, automóveis com pelo menos 30 anos de fabricação e alto índice de originalidade estão aptos a receber a certificação, oficialmente chamada de placa de colecionador. Ela mantém o formato e as dimensões da placa Mercosul, mas, em vez do fundo branco, utiliza fundo preto.
“Desses que estão chegando, considero interessante o Palio, além de toda a geração do Volkswagen Gol ‘bola’. Apesar de os primeiros serem ano 1995, há muito carro 1996 para frente, como o GTI 16 válvulas”, comenta Gustavo Brasil, presidente da Federação Brasileira de Antigomobilismo (FBA).
Para que modelos fabricados em 1996 obtenham a placa preta em 2026, os proprietários deverão submeter os veículos a uma vistoria técnica realizada por entidades credenciadas pela Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito). Vale o ano de fabricação, assim, modelos 1996/1997 também são contemplados.
O processo exige a preservação das características originais de mecânica, carroceria e interior, com a obtenção de, no mínimo, 80% de pontuação nos critérios de avaliação de fidelidade ao projeto de fábrica. “O Vectra da geração arredondada é um carro 1997, mas que iniciou a fabricação em 1996 no Brasil e também poderá receber a placa. Há ainda a S10, então tem muita coisa legal para os colecionadores”, afirma Brasil.
1. Fiat Palio
Lançado em abril de 1996, o Fiat Palio foi desenvolvido para atuar no segmento de compactos, com um projeto global que priorizava ergonomia e segurança. Tecnicamente, destacou-se por ser o primeiro modelo 1.0 fabricado no Brasil a oferecer freios ABS e airbags como itens opcionais.
A gama inicial de motorizações era diversificada. As versões de entrada, ED e EDX, utilizavam motor 1.0 de 61 cv, com foco em eficiência energética e médias de até 13,2 km/l em ciclo urbano. No segmento intermediário, havia a versão EL 1.5, de 76 cv. O topo da linha era representado pelo motor 1.6 16V de 106 cv, que podia ser equipado com teto solar, um diferencial técnico para a categoria à época.
2. Ford Fiesta
A quarta geração do Ford Fiesta estreou no Brasil em maio de 1996, marcando o início da produção do modelo na unidade de São Bernardo do Campo (SP). Diferentemente da versão anterior, importada da Espanha, o modelo nacional foi adaptado às condições de rodagem locais.
O motor Endura-E 1.0 EFI, com injeção monoponto, entregava 51,5 cv. Apesar da potência inferior à de concorrentes diretos, o modelo buscava competitividade pelo custo de manutenção. A variante 1.3 registrava consumo expressivo para o período, com até 16,8 km/l em rodovias. Já a versão CLX oferecia o motor 1.4 16V da família Zetec, com 89 cv, introduzindo a tecnologia de cabeçote multiválvulas no segmento de entrada.
3. Chevrolet Vectra (segunda geração)
Lançado em fevereiro de 1996, o Chevrolet Vectra de segunda geração é considerado um marco de engenharia e design para a General Motors do Brasil. O sedã médio introduziu recursos inéditos em veículos nacionais, como suspensão traseira multilink, controle de tração e ajuste do sistema de som no volante.
As especificações incluíam o motor 2.0 8V de 110 cv, na versão GLS, e o 2.0 16V de 141 cv, na CD. Com entre-eixos de 2,64 m, o modelo oferecia amplo espaço interno e estabilidade dinâmica. No visual, os retrovisores integrados às linhas de vinco do capô tornaram-se uma marca técnica de aerodinâmica e estilo do projeto.
4. Honda Civic (sexta geração)
Em 1996, a Honda importava dos Estados Unidos a sexta geração do Civic nas carrocerias sedã, cupê e hatch. O modelo antecedeu a nacionalização da marca, ocorrida no ano seguinte.
O Civic LX era equipado com motor 1.6 16V SOHC de 106 cv, enquanto a versão EX trazia a tecnologia VTEC, sistema de controle eletrônico de abertura de válvulas que elevava a potência para 127 cv sem comprometer a eficiência em baixas rotações.
Um dos principais atributos técnicos do modelo era a suspensão independente nas quatro rodas, do tipo double wishbone (braços sobrepostos), configuração que garantia comportamento dinâmico superior e alto nível de conforto para os padrões da década de 1990.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as noticias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
