
A Tesla , que já liderou o mercado global de veículos elétricos, perdeu a primeira colocação para a chinesa BYD após registrar queda anual nas entregas pelo segundo ano consecutivo. As vendas da Tesla recuaram 9% em 2025 e caíram 16% no quarto trimestre na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A fabricante enfrenta um cenário de consumo mais adverso após o fim dos subsídios federais nos Estados Unidos. A empresa registrou um aumento inesperado nas vendas no terceiro trimestre, quando consumidores se apressaram para aproveitar o crédito fiscal de US$ 7.500 que estava prestes a expirar. No quarto trimestre, não houve incentivos semelhantes.
A BYD, que não atua no mercado americano, informou na noite desta quinta-feira (1º) que vendeu 2,26 milhões de veículos elétricos a bateria em 2025, alta de 28% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a Tesla afirmou ter comercializado 1,64 milhão de veículos.
O resultado marcou um momento simbólico para a montadora chinesa. As ações da BYD, negociadas em Hong Kong, fecharam em alta de 3,6%. Há poucos anos, o fundador da empresa chegou a declarar temer pela sobrevivência da companhia.
Apesar do avanço, a BYD enfrenta concorrência crescente no mercado chinês de veículos de baixo custo, com rivais como Geely e Leapmotor . A Geely ampliou sua produção de carros elétricos em 39% no ano passado. Já a Leapmotor, antes uma concorrente menor, atingiu antes do prazo a meta de 500 mil unidades previstas para 2025 e estabeleceu o objetivo de vender 1 milhão de veículos em 2026.
Para a Tesla, 2025 foi um ano atípico. No início do ano, o CEO Elon Musk assumiu um papel controverso na Casa Branca, à frente do Departamento de Eficiência Governamental, o que gerou reações negativas entre parte dos consumidores e revendedores da marca nos EUA, além de impactar as vendas.
Mesmo assim, Musk manteve discurso confiante, destacando novos produtos em desenvolvimento, como robotáxis, o Cybercab sem volante e os robôs humanoides Optimus. Ainda assim, a venda de automóveis segue como principal fonte de receita da empresa, respondendo por cerca de 75% do faturamento.
No quarto trimestre, a Tesla entregou 418.227 veículos elétricos, abaixo da expectativa média de analistas, que projetavam 422.850 unidades, segundo estimativas compiladas pela própria empresa. A montadora também informou crescimento de 49% em sua divisão de energia.
Em outubro, a Tesla lançou versões mais baratas e simplificadas do sedã Model 3 e do SUV Model Y, numa tentativa de impulsionar a demanda. Apesar disso, as vendas nos EUA caíram nos dois primeiros meses do trimestre, segundo dados do setor.
Em novembro, acionistas aprovaram um novo pacote de remuneração para Musk, que pode torná-lo o primeiro trilionário do mundo caso consiga elevar o valor de mercado da Tesla a US$ 8,5 trilhões e cumprir uma série de metas financeiras e operacionais.
Com informações do Estadão Conteúdo e da Dow Jones Newswires
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