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Expulso de casa aos 7, menino é criado por taxista

Maxwell foi abandonado pela mãe, mas encontrou em um desconhecido, Alfredo, o amor e a família que nunca teve; veja no Quem Ama Não Esquece

Da redação

DA REDAÇÃO

28/07/2025 • 20:27 • Atualizado em 28/07/2025 • 20:27

Maxwell e seu Alfredo
Maxwell e seu Alfredo - Foto: Band FM

Aos sete anos, Maxwell ouviu da própria mãe a frase que mudaria sua vida: "Sai da minha casa e vai morar na rua!". Expulso e abandonado, ele encontrou o desamparo e a violência nas ruas de São Paulo, até que um anjo em forma de taxista, sr. Alfredo, cruzou seu caminho e reescreveu seu destino com amor e acolhimento. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM , desta terça-feira, 29 de julho.

"Sai da minha casa e vai morar na rua!"

Essas foram as palavras que eu ouvi da minha própria mãe.

Eu tinha só sete anos e aquela foi a primeira noite em que dormi no frio e senti fome de verdade.

A minha história não começou com amor, nem com cuidado. Ela começou com abandono.

Naquela época, a minha mãe vivia com o meu padrasto. Ele era usuário de drogas e extremamente agressivo. Todos os dias, eu via as brigas, gritos, discussões. E o que mais doía era ver minha mãe tentando agradar aquele homem, mesmo quando ele tava completamente fora de si.

Me doía ver ela naquela situação, mas um dia, isso veio contra mim. Ele chegou em casa desnorteado e partiu pra cima de mim. E, naquele momento, ao invés de me proteger, minha mãe mandou eu sair da casa dela.

Sim... a minha mãe. A única pessoa que eu esperava que me defendesse, escolheu um homem que nem lúcido ficava, em vez do próprio filho.

Sem ter pra onde ir, eu comecei a andar sem rumo. Já era noite, e tava muito gelado, um frio que doía nos meus ossos. Eu... eu não sabia o que fazer. Eu só andava, andava, andava. Até que eu cheguei em uma estação de metrô na Liberdade, um bairro central de São Paulo e lá eu dormi em cima de um papelão. Foi a primeira noite que eu realmente passei fome.

Eu tinha só sete anos. Eu era uma criança e mesmo assim, várias pessoas passavam por mim e nenhuma parava. Nenhuma sequer olhava com curiosidade. Nenhuma se preocupava. Nenhuma tinha pena. Era como... era como se eu não existisse. Era como se aquela fosse uma cena comum: uma criança sozinha, no frio, sem ter o que comer, dormindo no chão.

Depois de um tempo, outros meninos da minha idade, que também viviam nas ruas, apareceram. Mas em vez de me ajudarem, eles fizeram o pior. Levaram o pouco que eu tinha, um cobertor velho, e ainda me bateram muito. Eu fiquei todo machucado, com o corpo doendo, e o coração mais ainda.

Eu saí dali e fui andando pelo centro. Perto de um restaurante japonês, eu encontrei umas estufas de ar quente e me deitei ali em cima, só pra tentar me aquecer, mas acabei dormindo. Só que o calor aumentou tanto, que começou a me fazer mal. Eu me sentia tonto, fraco...

Um anjo enviado por Deus

Na frente do restaurante tinha um ponto de táxi e aí... aí apareceu alguém que mudou tudo. Um taxista muito conhecido na região, o seu Alfredo, me viu deitado naquela estufa e veio falar comigo. Naquele momento, ele foi como um anjo enviado por Deus para me salvar.

O sr. Alfredo, com o maior coração desse mundo, simplesmente me levou para a casa dele. Quando nós chegamos, eu fui recebido com um carinho que eu já nem lembrava que existia. A esposa dele, a dona Regina, me deixou tomar banho, jantar com eles e ainda dormir no sofá da sala. Para mim, parecia um paraíso.

Na manhã seguinte, eles me chamaram pra sentar à mesa com eles e perguntaram por que eu tava na rua. Foi difícil falar, mas eu contei... Disse que minha mãe tinha me expulsado de casa e expliquei o que eu vivia dentro daquela casa. Eles ouviram tudo em silêncio. E depois, mesmo já tendo quatro filhos, disseram que eu podia ficar ali com eles por alguns dias. Naquele momento, eu senti uma coisa que há muito tempo não sentia: Alguém se importava comigo.

Depois de uma semana morando com eles, o sr. Alfredo me chamou e perguntou se eu lembrava o endereço da minha mãe. Eu lembrava. Eu tinha andado tanto por aquelas ruas que aquele caminho já tava gravado na minha cabeça. Ele disse que queria me levar até lá para tentar entender aquela situação. Acho que ele pensou que podia conversar com ela, tentar alguma reconciliação, essas coisas.

“Esse menino não vai prestar”

Quando chegamos, o sr. Alfredo bateu no portão com toda a educação do mundo. A minha mãe apareceu e ele, com aquela voz calma, disse que queria conversar, saber por que ela tinha me colocado na rua daquele jeito. Mas ela nem quis saber. Ela nem... nem olhou pra mim e já disse que era para me levar dali.

"‘Leva... leva ele daqui. Esse menino não vai prestar’. Foi o que ela disse. Foi como levar uma facada no peito."

Eu ali, com sete anos, ouvindo da própria mãe que eu não servia pra nada. Mas o que eu podia esperar de uma pessoa que tinha largado o próprio filho por causa de um homem?

O sr. Alfredo viu, com os próprios olhos, como era a minha mãe e como ela vivia. Então ele foi até uma loja, comprou roupas novas pra ela, montou uma cesta básica e levou tudo de volta. Ele disse que não queria brigar, que só queria fazer o bem.

A minha mãe entregou o meu registro pra ele, todo rasgado, e nós fomos para a casa dele que, a partir daquele dia, seria a minha também. Eu ganhei não só um lar, mas uma coisa que eu nunca tinha tido de verdade... uma família. Quando nós chegamos lá, eu olhei para ele e para dona Regina, eu falei que nunca mais queria voltar para a casa da minha mãe.

Foi o sr. Alfredo que me criou, me deu educação, carinho, respeito. Tudo, tudo o que uma criança precisa para crescer com dignidade. Eu confesso que a adaptação não foi fácil porque por um bom tempo, eu fiquei com um pé atrás. Eu tinha medo. Medo de ser rejeitado de novo. Me perguntava se eu teria mesmo uma chance ali.

Mas tudo mudou quando a dona Regina colocou eu e os filhos dela sentados na mesa e disse, com todas as letras, que a partir daquele dia eu fazia parte da família. Eu nunca vou esquecer esse dia.

Com o tempo, nós fomos nos acostumando e construindo uma relação de confiança dos dois lados. Tanto da minha parte quanto da deles.

O sr. Alfredo era um homem muito justo. Não fazia distinção entre mim e os filhos dele. Tudo o que ele dava para os filhos, ele dava para mim também. Era tudo igual. E os filhos dele também me acolheram como irmão. Até hoje nós temos essa relação. Relação de irmãos de verdade.

"Ele foi como um pai pra mim..."

A partida de um pai

Infelizmente, em 2009, o sr. Alfredo descobriu um câncer já em estágio muito avançado. Ele chegou a fazer um transplante de fígado na época e lutou muito por longos quatro anos. Mas, em 2013, o câncer se espalhou e teve metástase em vários órgãos.

Um dia antes de partir, o meu pai pediu para ver o mar.

Quando nós chegamos lá, ele ficou em silêncio, olhando o horizonte e... e mal sabíamos nós que aquele seria seu último desejo em vida. No dia seguinte, às seis da manhã, ele faleceu.

Doeu muito a partida dele, mas, ao mesmo tempo, eu senti que ele já tinha cumprido a missão dele aqui na Terra e tive a certeza de que ele estaria em um bom lugar.

Um recomeço no amor

Depois disso, a vida seguiu. Eu cresci, estudei, comecei a trabalhar e, aos 32 anos, depois de um relacionamento frustrado, eu conheci a Jéssica.

Naquele dia, eu tava a caminho de um forró, quando um amigo me ligou e disse que estava em um posto de gasolina, com uma galera tomando cerveja. Eu mudei a rota e fui até lá.

Quando eu cheguei, eu cumprimentei as meninas com um beijo no rosto e o resto do pessoal, mas com a Jéssica foi diferente. Tudo o que eu disse foi “boa noite”. Mesmo assim, a gente não parava de se olhar... A noite inteira foi assim.

Em um momento, eu vi ela conversando com uma amiga e desconfiei que era sobre mim. Mas fiquei na minha, esperando ela vir falar alguma coisa. Aos poucos a gente foi se conhecendo melhor e não era nada forçado. Tudo acontecia naturalmente entre a gente. As nossas conversas, os planos, sonhos... Não foi só sobre paixão. Foi afinidade e cumplicidade. Sobre ter alguém ao lado pra somar. E quando percebi, a gente já tava namorando.

Eu me sentia tão seguro com ela, que desde o começo, eu resolvi abrir meu coração e contar pra Jéssica sobre o meu passado. A Jéssica me entendeu muito bem. Nós nos tornamos parceiros de verdade, daqueles que se entendem no olhar e resolvem qualquer problema na base do diálogo. A convivência com ela é leve, natural, quase surreal. Coisa que eu nunca tinha vivido com ninguém antes.

Mesmo com a diferença de idade, na época ela com 22 e eu com 32, isso nunca foi um obstáculo pra gente. Foi tudo muito rápido, porque tudo fluiu de forma muito natural e com um ano de namoro, nós já estávamos noivos.

A Jéssica é parceira, amiga, companheira. Alguém que me apoiou e esteve comigo em todos os momentos. Eu não me canso de agradecer a Deus pela pessoa que Ele colocou ao meu lado, pela família que Ele me deu.

Já faz seis anos que nos casamos e temos uma filha linda chamada Eloah, de três aninhos, que é a razão do nosso viver.

Hoje, ao contrário do que a minha própria mãe disse lá atrás… sim, eu prestei! Eu sou um homem de bem, trabalhador, tenho uma família, uma esposa maravilhosa. Um homem de verdade, que sabe o valor de ter uma família, de ter carinho, amor, apoio, e que vai fazer de tudo pra manter esse lar sempre feliz.

*Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.

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