
Ane conheceu Régis por acaso e, mesmo sabendo que ele era casado, se deixou levar. O que começou como um caso proibido virou um amor profundo, sustentado por oito anos de promessas, esperas e encontros escondidos.
Quando, enfim, Régis tomou coragem, se separou e foi viver com ela, Ane acreditou que o amor tinha, finalmente, vencido. Mas a vida, impiedosa, lhe concedeu apenas cinco dias de felicidade. Um assalto brutal arrancou Régis de seu mundo.
No velório, Ane percebeu com dor que não era viúva, nem amiga. Era só um segredo, sem direito a luto, sem espaço para sua dor. Ainda assim, ela não se arrepende. Aqueles cinco dias valeram por uma vida inteira. E é nas memórias dos momentos vividos com Régis que ela escolhe permanecer.
Confira mais uma história do "Quem Ama Não Esquece", da Band FM:
A vida tem um jeito curioso de brincar com a gente: quando a gente desiste, ela entrega. Quando a gente acredita, ela esconde.
Eu conheci o Régis por acaso. Tão por acaso que só posso acreditar que foi mesmo coisa do destino. Eu estava numa banca de jornal, folheando algumas revistas, só esperando a hora de entrar para uma consulta médica, quando ele puxou assunto — qualquer assunto.
Eu respondi sem nem olhar pra ele.
— Você é sempre assim... tããão simpática?— Só com quem merece.— E a Miss Simpatia gosta de café?— Gosto tanto que já tomei hoje.— Que pena... Eu ia te convidar pra um.— Que pena, né? De todo jeito, nem poderia. Tô atrasada pra uma consulta. E também, sem ofensas... mas não costumo tomar café com quem fuma.— Que sorte! Esse foi meu último cigarro da vida. Acabei de prometer pra mim mesmo que hoje eu paro de vez. Mas... já que você tá com pressa, me passa seu telefone. Só pra eu saber depois se deu tudo certo na consulta.
Achei ele abusado. Cara de pau. Mas, confesso, engraçado e charmoso também. Então, escrevi meu número pra ele, mas, no fundo, nem esperava nada. Nem café, nem mensagem.
Mas ele mandou. Horas depois, perguntou da consulta e... convidou pro café.
Como eu não tinha nada a perder, aceitei. Dois dias depois, a gente se encontrou num lugar pequeno, escondido, mas bonitinho. A conversa fluiu. E como fluiu! Foi fácil, leve... quase uma hora que passou voando.
O Régis era realmente divertido, mas quando eu já tava ali, toda caidinha, veio o balde de água fria:— Ane... preciso te contar uma coisa. Eu sou casado.
Na mesma hora, peguei minha bolsa e levantei.— Ane, calma. Eu poderia ter mentido, escondido... mas achei melhor te contar.— E achou certo.
— Me desculpa. É complicado e...— Conheço bem essa história. Sempre é complicado.
— Me dá uma chance. Só uma. Eu gostei demais de te conhecer.
Veio com aquele papo clássico: que o casamento já tinha acabado há muito tempo, que eles dormiam em quartos separados, que só faltava encontrar o momento certo pra sair... A ladainha de sempre.
E mesmo sabendo que era papo furado, eu fiquei. Não sei bem por quê. Só sei que tinha alguma coisa ali que me segurava.
Sentei. Fiquei. E nada aconteceu entre nós naquele dia, além de uma conversa que parecia não ter fim. Parecia que ele tinha um monte de coisa entalada na garganta e, por algum motivo, escolheu justamente eu — uma estranha — pra desabafar.
No dia seguinte, mensagem. No outro, também. E no outro... E na semana seguinte, bom... eu aceitei me encontrar com ele de novo.
Nesse segundo encontro, assim que ele chegou, me deu um abraço tão apertado, como se tivesse morrendo de saudade de uma coisa que nem tinha começado. E eu percebi que também tava com saudade. E que, mesmo sabendo que era errado, eu queria que aquilo começasse.
E começou.
A gente se via quando dava, quando ele podia. Quando a esposa tinha compromissos, ou quando ele arranjava uma das desculpas dele.
No começo, eu fingia que não me importava. E me dizia que, apesar de ser errado, eu não era a culpada. Não era eu quem devia fidelidade pra ela. Era ele. Na minha cabeça, era só um caso. Algo passageiro. Porque, afinal, ele devia fazer isso o tempo todo.
Mas... não foi assim.
Desde o começo, o Régis jurou que nunca tinha traído a mulher. Eu não acreditei, claro. Mas, aos poucos, vi que era verdade. O que a gente tava construindo ali era de verdade. E a gente sabe quando é. A gente sente quando é pra valer.
E eu sentia. Sentia que ele gostava de mim do mesmo jeito que eu gostava dele.
Acredita que ele parou mesmo de fumar por mim? Porque eu não suportava. Pois é.
O tempo correu.
O primeiro aniversário que eu passei esperando ele chegar... ele não apareceu. Eu chorei.No segundo, já deixei o celular longe, desligado, fingindo que nem lembrava da data.
Nos feriados, ele precisava estar com a família. No Natal, era impossível. No Ano Novo, tudo o que eu ganhava era uma mensagem — meia-noite, em ponto.
Foram anos assim. Anos.
Eu conhecia a esposa e os filhos dele pelas fotos que ele me mostrava. Sabia da vida inteira da família. Sabia o que gostavam, o que faziam, quem eram os amigos.
E eu aguentava. Mas não era calada, não.
— Só mais um pouco, Ane. Tô resolvendo tudo. Você vai ver.— Há seis anos você tá resolvendo, Régis. Eu não mereço continuar assim.— Você duvida do meu amor?— Claro que não. Mas até quando eu vou ter que me contentar com migalhas?— Não desiste de mim. Eu não posso te perder. Eu juro! É difícil... As crianças precisam de mim. Minha mulher... você sabe. Não é equilibrada. Já te contei as histórias... Se eu pudesse, eu já tava do seu lado.
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