Agro

Tarifas de Trump sobre suco de laranja podem causar desemprego no Brasil

Decisão pode promover alto índice de desemprego no Cinturão Citrícola, alerta executivo

Por Redação

REDAÇÃO

10/07/2025 • 15:32 • Atualizado em 10/07/2025 • 15:32

Em uma análise recente sobre o impacto das decisões comerciais dos Estados Unidos sobre o setor de suco de laranja brasileiro, Ibiapaba Netto, diretor executivo da Citrus Brasil, expressou preocupações significativas. Segundo Netto, o mercado americano é crucial para as exportações brasileiras de suco de laranja , correspondendo a 41,7% do total exportado, o que representou cerca de 1.3 bilhão de dólares na última safra, encerrada em 30 de junho.

"Vão ser tempos extremamente difíceis. Isso eu não tenho dúvida", afirmou Netto sobre as possíveis consequências de tarifas adicionais propostas pelo presidente Donald Trump. A imposição dessas tarifas poderia levar à necessidade de redirecionar o suco que seria exportado para os EUA para outros mercados, potencialmente causando uma saturação e consequente depreciação do valor do suco nesses mercados alternativos .

Netto destacou a importância da negociação para mitigar esses impactos. "A diplomacia sempre tem os meios, os caminhos de resolver", disse ele ao Manhã Bandeirantes, ressaltando a necessidade de uma abordagem técnica e pragmática nas discussões. Ele mencionou que o setor de suco de laranja é vital para a economia brasileira, sustentando aproximadamente 200.000 empregos diretos safristas e 55.000 empregos indiretos anualmente, muitos dos quais são de partes vulneráveis da população .

Além das preocupações com o mercado americano, Netto também discutiu as dificuldades gerais nas relações comerciais do Brasil com outros blocos e países. Ele citou o lento progresso em negociações como o acordo Mercosul-União Europeia, que beneficiaria diretamente o setor de suco de laranja mas ainda não foi implementado, e outras negociações em curso com a Índia e a Coreia do Sul, que enfrentam resistências internas e protecionismo.

O cenário atual coloca o Brasil, o maior exportador de suco de laranja do mundo, em uma posição delicada, onde a habilidade do governo em negociar será crucial para o futuro do setor. "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", concluiu Netto, enfatizando a urgência e a complexidade dos desafios que o setor enfrenta.

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