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Economista da FGVAgro defende que Brasil não deve retaliar Estados Unidos

Felipe Serigati falou ao AgroBand nesta quinta-feira (10) e defende uma negociação ao invés de aumentar tarifas com reciprocidade

Por Redação

REDAÇÃO

10/07/2025 • 13:19 • Atualizado em 10/07/2025 • 13:19

A nova política tarifária anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impõe uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para o país está gerando preocupações no agronegócio , setor que tem os Estados Unidos como o 2º principal mercado. Esta medida, considerada "claramente punitiva", tem o potencial de inviabilizar o comércio entre os dois países, segundo especialistas.

Em uma análise sobre os impactos dessa taxação, o economista Felipe Serigati, da FGV Agro, apontou que o setor agropecuário brasileiro será um dos mais afetados . " Café, carne bovina, suco de laranja, papéis e celulose" foram alguns dos produtos mencionados como principais alvos. Serigati destacou no AgroBand desta quinta-feira (10) que, embora esses produtos não sejam o destino principal para nenhuma das cadeias produtivas mencionadas, "para as exportadoras específicas essa situação é bastante desconfortável".

Além do impacto direto no comércio, há também preocupações quanto ao emprego no Brasil. "Tá todo mundo falando que isso vai impactar o emprego aqui", comentou o economista, embora ele tenha considerado que ainda é "muito preliminar" estabelecer um resultado concreto sobre o impacto no PIB brasileiro. Ele descreve a economia brasileira como "mais isolada", sugerindo que o impacto direto pode não ser tão grande quanto o temido inicialmente.

A estratégia recomendada pelo economista para lidar com essa situação é a negociação, sem retaliação . Serigati citou o exemplo do Japão, que também foi alvo de tarifas pesadas e optou por negociar em vez de retaliar. "A gente tem a lei de reciprocidade econômica, mas ela fica ali na mesa caso seja necessário", afirmou.

Uma das consequências discutidas foi a possibilidade de o Brasil não pagar os direitos de propriedade intelectual, como royalties, para as empresas americanas, especialmente no que se refere a sementes . "Se a gente não pagar ali a propriedade intelectual associada aquele produto, simplesmente a gente não vai conseguir utilizar aquela semente", explicou o economista, ressaltando a complexidade da situação.

Finalmente, ele lamentou que o Brasil tenha "entrado no alvo da política externa norte-americana sem os devidos instrumentos para poder participar dessa batalha". A situação, segundo ele, coloca o país em uma posição delicada nas negociações internacionais e evidencia a necessidade de uma estratégia clara para enfrentar tais desafios econômicos.

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