
O presidente Donald Trump anunciou, na quarta-feira (9), a imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida passa a valer a partir do dia 1º de agosto. Segundo a Casa Branca, que enviou uma nota de comunicação ao governo brasileiro anunciando a medida, a decisão foi motivada por uma crise diplomática decorrente do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificado por Trump como uma "caça às bruxas", além de uma “relação comercial injusta” com o Brasil, em referência ao déficit na balança comercial entre os dois países.
Mas, quais serão as consequências deste tarifaço ao Brasil, principalmente para o setor de carnes bovinas, que tem os Estados Unidos como o segundo maior comprador do mundo?
De acordo com Lygia Pimentel, da Agrifatto, a medida atinge diretamente o agronegócio nacional, mas especialmente o mercado pecuário, já que os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações brasileiras de carne bovina do Brasil. Entre os meses de janeiro e junho, os americanos comprara 181 mil toneladas de carne bovina brasileira, o correpondente a 11,8% do volume total exportado e 14,2% da receita do setor, US$ 1,04 bilhão.
Em 2024, o Brasil foi o terceiro maior fornecedor de carne bovina para os EUA, com 15,6% de participação nas importações norteamericanas. Já em 2025, os dados parciais mostram que de janeiro a abril o país forneceu cerca de 17,5% do volume importado, e até maio, aproximadamente 18,2% da receita total dasexportações brasileiras de carne bovina tinham os Estados Unidos como destino.
Agora, com a tarifa adicional, somada às que já estavam em vigor, estima-se uma carga tarifária total de 76% sobre os embarques brasileiros , uma vez que a cota de agosto já foi preenchida. Na prática, isso elevaria o preço da tonelada exportada para US$ 8.590, tornando o produto brasileiro praticamente inviável no mercado americano.
De acordo com Pimentel, os efeitos da decisão de Trump começam a ser sentidos muito antes das tarifas serem válidas, fazendo os preços da carne caírem. “Como o comércio internacional de carnes é um jogo de soma zero, qualquer deslocamento de demanda causado pela saída parcial do Brasil do mercado americano deve gerar uma redistribuição global da carne bovina”, afirma a consultora.
Em sua opinião, os Estados Unidos devem direcionar suas importações de carne para a Austrália. “A performance australiana nas exportações de carne bovina tem sido expressiva: no primeiro semestre de 2025, o país embarcou 702 mil toneladas, um crescimento de 16,8% em relação ao mesmo período de 2024. Especificamente para os Estados Unidos, as exportações australianas já somam 202,8 mil toneladas no ano, um aumento de 47,4 mil toneladas em comparação com o ano anterior. O desempenho é sustentado, em grande parte, por uma produção intensiva em confinamento, que atingiu os maiores volumes mensais da história recente, impulsionada pela alta demanda global e pela menor participação dos próprios EUA como exportadores no mercado internacional”.
Países como o Paraguai, Uruguai e Argentina também devem aumentar as exportações de crane para os EUA, segundo a Agrifatto. “Enquanto isso, o Brasil deve buscar redirecionar seus volumes para mercados alternativos como Argélia, China e Chile”, aponta Pimentel.
Carne mais barata
A expectativa é que, no Brasil, ocorra um excedente de carne bovina, o que tende a pressionar os valores da arroba do boi gordo para baixo , deixando os preços da carne mais suaves e revertendo a tendência de alta esperada para o setor em 2026. Além disso, os demais compradores internacionais podem adotar uma postura oportunista e forçar a queda dos preços médios pagos pela carne brasileira.
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